De “Blitz” a “Sing Sing”, Caio Pimenta traz a lista dos candidatos a Melhor Filme do Oscar 2025 que brigam pelas últimas vagas.

CHEGANDO FORTE

O terceiro pelotão do Oscar 2025 traz sete filmes que brigam, por, pelo menos, quatro vagas de Melhor Filme. São produções que se saíram muito bem nos festivais ou que trazem um perfil enorme de agradar a Academia.  

“A Real Pain” é uma delas. Premiado no Festival de Sundance deste ano, o filme é o primeiro longa na direção do Jesse Eisenberg, algo que a Academia sempre gosta de prestigiar – que o digam Robert Redford e Kevin Costner. A capacidade de misturar drama com comédia em uma história sobre processos de despedida e retomada é daquelas capaz de agradar aos diversos públicos, além de contar com uma dupla de protagonistas em alta.  

Também da Searchlight Pictures, “A Complete Unknown” mostra a ascensão de Bob Dylan na cena novaiorquina nos anos 1960. Dirigido pelo James Mangold, o projeto chega para ser a cinebiografia da temporada com um capricho técnico de figurino e direção de arte absurdo somado a um elenco repleto de estrelas liderado por Timothée Chalamet, o jovem ator mais prestigiado do cinema americano da atualidade. Para completar, há toda aura em torno do Dylan, talvez, o maior gênio vivo da cultura dos EUA.  

 A comparação com “Não Estou Lá”, mais ousado narrativamente, pode até acontecer, mas, para a Academia, algo mais tradicional acaba sendo palatável. 

Já “Saturday Night” saiu forte de Telluride com muitas críticas positivas da imprensa norte-americana.  O longa reúne muito fatores para a Academia ficar atenta: foco no showbusiness a partir do maior humorístico televisivo do país, um elenco jovem e talentoso com a missão de interpretar figuras conhecidas da comédia e Jason Reitman, um diretor que a Academia adora como ficou provado com “Juno” e “Amor Sem Escalas”, mas, vinha em má fase conseguindo se recuperar. Será a principal aposta da Sony Pictures para a temporada, o que ajuda na campanha. 

Exibido em Toronto, “The Piano Lesson” marca a terceira incursão da família Washington nas adaptações para os cinemas das obras do dramaturgo August Wilson depois de “Um Limite Entre Nós” e “A Voz Suprema do Blues”. Apesar da repercussão não ter sido das mais empolgantes, o drama dirigido pelo estreante Malcolm David Washington conta com um elenco capaz de puxar o filme com destaque para a Danielle Deadwyller e ser um dos carros-chefes da Netflix na temporada ao lado de “Emilia Pérez”. 

 

A Apple joga as fichas em “Blitz”: há tempos, o drama sobre a resistência britânica durante os ataques da Alemanha nazista a Londres na Segunda Guerra Mundial vem sendo apontado como grande candidato ao Oscar 2025. A história de uma família separada pelo conflito é daquelas que a Academia não deixa passar, o que somado a um elenco liderado por Saoirse Ronan, atriz em busca do Oscar, e a direção de Steve McQueen, de “12 Anos de Escravidão”, deixa a expectativa grande para o Festival de Londres, onde a obra será lançada. 

Se eu tivesse que apostar em uma surpresa que tende a crescer seria em “Hard Truths”. O Mike Leigh soma sete indicações ao Oscar, sendo duas na Direção e cinco em Roteiro. Desta vez, ele retoma a parceria com Marianne Jean-Baptiste, destaque de “Segredos e Mentiras”, em uma trama que promete emocionar o público. Chega como candidato para representar os dramas independentes britânicos que tanto a Academia prestigia. 

“Queer” traz como carro-chefe Daniel Craig deixando para trás qualquer vestígio de James Bond para encarar um papel desafiador com cenas de sexo gay tórridas. A força do astro pode ter um efeito parecido com que teve Will Smith para “King Richard”, Gary Oldman em “O Destino de uma Nação” e Eddie Redmayne em “A Teoria de Tudo” que conseguiram impulsionar os longas para Melhor Filme.   

Também não se pode descartar que a presença de “Queer” em Melhor Filme pode ser uma forma de prestigiar o grande ano do Luca Guadagnino. Dentro da A24, porém, “Queer” encara a predileção por “Sing Sing”, um rival de peso para dividir os holofotes da campanha. 

Por fim, ainda tem “Nickel Boys”. O drama do diretor estreante RaMell Ross sobre a resistência de dois jovens negros em um reformatório na Flórida obteve boas críticas em Telluride com comparações aos longas do diretor Terrence Malick pelo estilo contemplativo e até filosófico. É a principal aposta da Amazon na temporada.  

Desta turma toda, considero, neste momento, “A Complete Unknown”, “Blitz” e “A Real Pain” muito fortes para serem deixados de lado. A cinebiografia do Bob Dylan e o drama de guerra do Steve McQueen, aliás, se conseguirem boas recepções junto ao público e crítica até podem sonhar em vitória em Melhor Filme.  

QUASE LÁ

Um status acima na corrida pela indicação está “Sing Sing”. Ainda que não dê para cravá-lo totalmente, o drama aborda algo muito caro aos membros da Academia: o poder transformador da arte a partir da história de um grupo de detentos que encontra no teatro uma forma de seguir a vida. Com o elenco formado por pessoas interpretando elas mesmas e uma atuação consagradora do Colman Domingo, vejo a A24 apostar grande parte das fichas no longa e o Oscar disposto a, pelo menos, indicá-lo.