Nos 50 anos de Leonardo DiCaprio, Caio Pimenta aponta quais foram as maiores esnobadas do astro no Oscar.
9. A ORIGEM
Vamos começar com a esnobada menos dolorida e veio da cerimônia de 2011.
Em “A Origem”, o DiCaprio faz Don Cobb, o especialista em invadir sonhos para roubar segredos ou mesmo implantar ideias. No meio disso, ele enfrenta traumas do passado com a esposa em uma relação conturbada que se mistura com o ofício dele.
Claro que o fascinante mundo e todas as suas regras criadas pelo Christopher Nolan se destaca mais do que tudo, mas, se ficamos presos ao que se passa na tela e a trama deve-se a uma ótima atuação do DiCaprio que, em sintonia com a Marion Cotillard, nos prende a tudo o que ocorre. No Oscar 2011, tínhamos uma boa lista de Melhor Ator, mas, tiraria o Jeff Bridges, de “Bravura Indômita” – ainda que sem convicção, admito.
8. ROMEU E JULIETA
A oitava mais esnobada foi em “Romeu e Julieta”: era a versão DiCaprio no auge do galã adolescente em uma adaptação completamente transloucada do Baz Luhrmann do clássico do Shakespeare. É a energia imatura de um garoto misturada com a beleza angelical irresistível formando um belo casal com a Claire Denis.
O Geoffrey Rush, de “Shine”, venceu o Oscar 1997 de Melhor Ator em uma lista que ainda tinha Tom Cruise, por “Jerry Maguire”, e o Woody Harrelson, o ganhador moral por “O Povo Contra Larry Flynt”. Para colocar o DiCaprio, eu tiraria o Ralph Fiennes, de “O Paciente Inglês”.
7. FOI APENAS UM SONHO
A partir de agora, começa a ficar mais complicada as esnobadas.
“Foi Apenas um Sonho” marcou o reencontro do DiCaprio com a Kate Winslet. Diferente da empolgação do Jack Dawson, aqui, o astro apresenta um protagonista frustrado com a promessa do american way of life em um casamento marcado por ressentimentos. Um drama pesado e inconveniente de assuntos pertinentes ainda hoje que podem ter afastado tanto o público quanto os votantes da Academia.
Inacreditável pensar que tanto o DiCaprio como a Kate Winslet foram esnobados neste grande filme do Sam Mendes. No Oscar 2009, não hesitaria em tirar o Brad Pitt em “O Curioso Caso de Benjamin Button”.
6. OS INFILTRADOS
No ganhador do Oscar 2007, o Leonardo DiCaprio é um dos maiores destaques do elenco ao lado do Mark Whalberg. A tensão constante de um sujeito correndo o risco de ser descoberto a qualquer instante e incomodado com os crimes que presencia são muito bem defendidos por um DiCaprio à beira do ataque de nervos. Na corrida de ator coadjuvante daquela temporada, o astro de “Os Infiltrados” poderia ter ficado no lugar do Eddie Murphy, de “Dreamgirls”.
5. ILHA DO MEDO
A quinta maior esnobada foi com “Ilha do Medo”. Fazendo o detetive que investiga o desaparecimento de uma mulher de uma clínica psiquiátrica, o astro transmite de forma brilhante toda a decadência mental do personagem que, inicialmente, parece muito seguro, mas, se afunda pouco a pouco. Uma das atuações mais complexas da carreira do DiCaprio.
“Ilha do Medo” foi da mesma temporada de “A Origem”, logo, entre os dois trabalhos, ficaria aqui com a atuação ao lado do Martin Scorsese. E não hesitaria em absolutamente nada em tirar o Jeff Bridges.
4. TITANIC
“Titanic” transformou a carreira do Leonardo DiCaprio, fazendo-o ser um dos maiores astros de todos os tempos. E não foi para menos: o ator transborda carisma como Jack Dawson, tornando inevitável que torçamos para ele assim que surge em cena. Com uma parceira também estado de graça, temos um dos maiores casais da história do cinema.
Foi uma esnobada tão pesada que o DiCaprio desistiu de ir para a cerimônia do Oscar 1998. E acho a revolta até compreensível: ele poderia ter entrado tranquilamente no lugar do Robert Duvall e Dustin Hoffman em filmes que estão abaixo do nível da carreira de ambos.
3. ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES
A terceira maior esnobada do astro no Oscar aconteceu neste ano: que personagem abominável era Ernest Burkhart, sujeito que aceitou as maiores barbaridades, inclusive, contra a própria família, para se manter no poder assim como seus aliados. O DiCaprio não se inibe e cria este monstro terrível, mas, com uma pitada de covardia. Grandioso.
Em Melhor Ator do Oscar 2024, tiraria ou o Colman Domingo, de “Rustin”, ou Bradley Cooper, de “Maestro”, para inserir o Leonardo DiCaprio. Nenhum dos dois está próximo do astro do longa do Scorsese.
2. PRENDA-ME SE FOR CAPAZ
Leonardo DiCaprio se joga de cabeça em “Prenda-me se For Capaz”, parceira dele até hoje única com o Steven Spielberg. O astro brinca com o rótulo de galã para explorar o charme utilizado por Frank Abagnale Jr. para aplicar os mais diversos tipos de golpes. Como se não bastasse, ele ainda forma boas duplas com Tom Hanks e Christopher Walken, mostrando estar à altura logo cedo de dois grandes de Hollywood.
O Oscar 2003 foi um dos mais pesados de Melhor Ator deste século com Adrien Brody no papel da vida em “O Pianista” e ainda Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson. Minha escolha para a entrada do DiCaprio seria o Michael Caine, ótimo em “O Americano Tranquilo”, mas, inferior, na minha visão, à estrela de “Prenda-me se for Capaz”.
1. DJANGO LIVRE
“Django Livre” é a maior atuação do Leonardo DiCaprio não indicada ao Oscar. O astro até demora para aparecer no épico de vingança do Quentin Tarantino, mas, quando o faz, hipnotiza o público. A insanidade e imprevisibilidade do escravagista rende momentos memoráveis, inclusive, com o improviso da cena em que ele se corta e continua a cena como se nada tivesse ocorrido.
Aqui, aliás, é uma das maiores maluquices do Oscar nos últimos anos: optaram pelo Christoph Waltz em uma atuação boa, mas, bem abaixo de “Bastardos Inglórios”, pelo qual venceu a categoria. Já o DiCaprio assim como o Samuel L. Jackson ficaram de fora. E dava para tirar mais gente, no caso, o Tommy Lee Jones, por “Lincoln”, e Alan Arkin, de “Argo”. Simplesmente inacreditável.





















