De “Minhas Mães e Meu Pai” até “Pobres Criaturas”, Caio Pimenta analisa da pior à melhor indicação de Mark Ruffalo, além da maior esnobada.

4. FOXCATCHER

A pior indicação do Mark Ruffalo vem do Oscar 2015. 

Em “Foxcatcher”, ele interpreta o irmão e treinador do personagem de Channing Tatum que começa a desconfiar das intenções do empresário vivido pelo Steve Carell. Não chega a ser uma atuação ruim, serve, inclusive, para ser uma ponta de lucidez diante da loucura apresentada. Ainda assim, é o elo mais fraco do trio de protagonistas. 

Na minha visão, a indicação deveria ter ido para o Channing Tatum e não para o Ruffalo. Infelizmente, o galã ainda sofria com o estigma de não ser levado à sério. Com isso, a Academia preferiu ficar com o nome mais conhecido. Em 2015, não havia nenhuma chance dele vencer: o J.K Simmons, por “Whiplash”, ganhou com sobras. 

3. MINHAS MÃES E MEU PAI

A primeira aparição do Ruffalo no Oscar fica com a medalha de bronze. Em “Minhas Mães e Meu Pai”, o ator traz leveza, mas também insegurança como aquele sujeito aprendendo a ser pai quase de paraquedas. Longe da figura paterna tão celebrada historicamente, o personagem aumenta a riqueza de um universo já rico em uma ótima dobradinha com Julianne Moore e Annette Bening. 

Melhor Ator Coadjuvante em 2011 era uma corrida bastante equilibrada do ponto de vista de qualidade dos indicados. Apenas Jeremy Renner, de “Atração Perigosa”, fazia algo realmente diferente. O Oscar de Christian Bale, por “O Vencedor”, não chega a ser injusto, mas passa longe de ser incontestável. Neste cenário, se Ruffalo tivesse vencido, não seria absurdo. 

2. POBRES CRIATURAS

Em 2024, Mark Ruffalo voltou ao Oscar após oito anos com “Pobres Criaturas”. A indicação veio apostando no humor cínico de um hétero da pior espécie, tentando dominar a protagonista vivida por Emma Stone com as piores armas. O astro se diverte e faz um personagem desprezível, mas com um toque de humor para escancarar a mediocridade dele. 

Curiosamente igual ocorreu com “Foxcatcher”, a Academia escolheu errado: por melhor que Ruffalo esteja, se era para indicar um coadjuvante masculino em “Pobres Criaturas”, que fosse o Willem Dafoe. De qualquer maneira, está longe de ser um absurdo. Naquela temporada, Robert Downey Jr, de “Oppenheimer”, dominou de ponta a ponta, mas meu favorito era o Ryan Gosling, por “Barbie”. 

1. SPOTLIGHT

“Spotlight” é a melhor atuação do Mark Ruffalo indicada ao Oscar. Em um filme que busca ser objetivo e direto como uma boa reportagem, cabe ao ator trazer a indignação com as descobertas dos abusos sexuais cometidos por padres.  

No numeroso elenco de “Spotlight”, apenas Ruffalo e Rachel McAdams, ambos em coadjuvantes, foram indicados. No Oscar 2015, Mark Rylance, de “Ponte de Espiões”, levou a categoria. Apesar de gostar muito dele, meu favorito ao prêmio era o Sylvester Stallone por tudo o que representaria consagrar o astro por voltar a viver Rocky Balboa. 

MAIOR ESNOBADA – ‘ZODÍACO’

A maior esnobada da carreira do Mark Ruffalo foi por “Zodíaco”. O astro interpreta um dos policiais obstinados na caçada ao serial killer que aterroriza os EUA na virada dos anos 1960 para 1970. Infelizmente, o suspense do David Fincher foi completamente esnobado no Oscar de 2009, simbolizando muito bem uma temporada desastrosa do prêmio. 

Para ser justo com a Academia, o Ruffalo disputava vaga na única categoria que realmente o Oscar 2009 se salvou. Heath Ledger como o Coringa de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” se sagrou o vencedor naquele ano em uma corrida que ainda trazia o Philip Seymour Hoffman, por “Dúvida”, Robert Downey Jr, por “Trovão Tropical” e Michael Shannon, de “Foi Apenas um Sonho”. 

Caso fosse para inserir o Mark Ruffalo em Ator Coadjuvante, minha troca seria com Josh Brolin, de “Milk”. Sai Thanos para a entrada do Hulk.