Série original Netflix, Homem em Chamas foi um dos principais destaques do streaming neste primeiro semestre. Ambientada no Rio de Janeiro, a produção conta com rostos conhecidos do planeta inteiro com larga trajetória como Yahya Abdul-Mateen II, Alice Braga e Bobby Cannavale, além de novos nomes em ascensão como Billie Boullet. No meio de tudo isso, a jovem atriz brasileira Pâmela Germano.
A paulistana traz na carreira sucessos como a minissérie “Dois Tempos” os curtas “O Mistério da Carne” e “Casa de Praia”, além do ótimo “A Batalha da Rua Maria Antônia“. Em entrevista ao Cine Set, Pâmela conta como surgiu o convite para “Homem em Chamas” e a repercussão da série da Netflix.
Cine Set – Como foi o convite para participar de “Homem em Chamas”?
Pâmela Germano – Eu já conhecia a produção, mas, naquela época, a história era outra e o roteiro ainda estava sendo desenvolvido. Como conheço os produtores de elenco, entrei em contato demonstrando interesse, até porque estava buscando oportunidades em produções internacionais. Quando a Alice Braga entrou no projeto, voltaram a falar comigo e pediram um teste em vídeo. Existia uma semelhança física que fazia sentido para o contexto da personagem. O teste foi incrível, muito divertido. Quando recebi a notícia, mal consegui acreditar.
Cine Set – Como foi “ser a filha” de Alice Braga?
Pâmela Germano – Ela é maravilhosa. Fiquei muito emocionada por trabalhar com ela e construir essa relação de mãe e filha. A Alice é uma referência do cinema brasileiro, não apenas como atriz, mas também como realizadora. Ela construiu uma carreira internacional com muita excelência. É uma pessoa extremamente inteligente e tem uma atenção impressionante no set. Aprendi muito observando seu trabalho. Espero que o destino nos dê outras oportunidades de atuar juntas.
Cine Set – Você interpreta Marina Melo, uma jovem que se vê envolvida em uma situação completamente inesperada com a chegada do protagonista à vida da personagem de Alice Braga. Como foi a preparação?
Pâmela Germano – Você captou bem o centro emocional da personagem, que é justamente ser arrastada para um contexto de violência e imprevisibilidade. Marina carrega o trauma da perda do pai, e foi a partir dessa dor que construí a personagem.
Também desenvolvemos bastante a relação entre mãe e filha. A Valéria, personagem da Alice, e a Marina representam um núcleo mais afetivo dentro de uma série marcada pela ação e pela presença de um protagonista tão frio e calculista como John Creasy. Buscamos criar uma dinâmica mais horizontal entre elas.
Cine Set – Essa foi sua primeira produção internacional?
Pâmela Germano – Mais ou menos. Em 2023, fui para Nova York gravar um curta-metragem de uma amiga chamado “Saudade Sua”, mas era um projeto mais íntimo e de menor escala, no qual eu falava apenas português. Já “Homem em Chamas” marca minha estreia em uma produção desse porte, especialmente com a Netflix dos Estados Unidos.
Foi muito gratificante estar em um set falando inglês e convivendo com pessoas de diferentes culturas e idiomas. Havia até atores russos no elenco.
Cine Set – Você já falava inglês ou precisou se preparar especificamente para a série?
Pâmela Germano – Sou formada em inglês. Quando fui aprovada, chorei agradecendo aos meus pais pelo esforço que fizeram para me proporcionar essa formação.
Mesmo assim, para o teste, busquei aulas com uma professora maravilhosa e trabalhei cenas de outros roteiros, como “História de um Casamento”, para me preparar para esse novo contexto. Curiosamente, só tive uma cena gravada no Rio de Janeiro; todas as outras aconteceram no México.
Cine Set – Que diferenças você percebeu entre esse projeto e os demais dos quais participou?
Pâmela Germano – As condições de trabalho e a estrutura são muito diferentes. Gravávamos com duas ou três câmeras simultaneamente, algo que eu nunca tinha feito. Existe um ritmo industrial muito evidente.
Embora eu já tenha participado de produções maiores, como um filme da Paris Filmes que ainda será lançado e uma série do Disney+, a dimensão de “Homem em Chamas” impressiona. Era uma quantidade enorme de pessoas trabalhando ao mesmo tempo. Também foi minha primeira experiência gravando em estúdio. Chegaram a reconstruir uma favela inteira para as filmagens.
Cine Set – Você tem acompanhado a repercussão da série?
Pâmela Germano – Sim. A série chegou ao Top 1 da Netflix em países como Estados Unidos, França e Brasil. É impressionante.
Nós, do elenco brasileiro, comentávamos entre nós que estávamos participando de algo histórico: uma produção internacional com uma presença tão forte de artistas brasileiros. Vejo isso como mais um capítulo desse processo de internacionalização do audiovisual brasileiro, que ganhou força com “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. O mundo tem olhado para o Brasil com mais atenção.
Além disso, havia uma diversidade muito grande no elenco: pessoas negras, mulheres, atores do Ceará, do Rio de Janeiro, eu de Brasília, além da variedade de sotaques representados na favela retratada pela série. Tenho recebido muitas mensagens, inclusive de pessoas que não conheço, celebrando essa conquista.
Cine Set – Que perspectivas esse trabalho abre para sua carreira?
Pâmela Germano – Sonhar é de graça (risos). Quero continuar ampliando minhas possibilidades de trabalho e me aproximando de pessoas com quem compartilho interesses artísticos.
Meu sonho é viajar o mundo trabalhando, mas principalmente pela oportunidade de troca e colaboração. Espero estar em muitos sets, inclusive trilíngues. Adorei a experiência de participar de uma produção blockbuster e mais mainstream. Quero seguir fazendo projetos que me movam e façam sentido para mim. Só a perspectiva de continuar trabalhando já é algo muito especial.














