Quando a sessão de “Foi Apenas um Acidente” chegar ao fim por volta das 22h deste domingo (1/2), a primeira sala do Centro Cultural Casarão de Ideias fechará as portas. A última sessão de cinema marca a despedida do espaço localizado no casarão rosa, localizado na Rua Barroso, número 279; a propriedade retorna ao antigo dono a partir de segunda-feira.
A sala possui uma grande importância histórica para o setor cultural de Manaus, afinal, foi a responsável por marcar o retorno dos cinemas de rua no Centro de Manaus após mais de duas décadas. A inauguração aconteceu em 2017 com a exibição de Divinas Divas com a presença da diretora Leandra Leal. Ao longo de oito anos, o espaço contribuiu para consolidar o Casarão de Ideias como um local fundamental para a chegada à capital amazonense de filmes brasileiros do circuito independente e ainda de obras da América Latina, Europa, Ásia e África, quase sempre preteridos do então predomínio do circuito de shoppings centers.
O reconhecimento nacional veio com a homenagem ao centro cultural manauara na edição da Expocine 2023, principal convenção da América Latina dedicada ao mercado cinematográfico. O local também abrigou iniciativas do cinema amazonense: o Cine Set, por exemplo, promoveu duas edições da Retrospectiva do Cinema Amazonense, trazendo destaques da produção de Manaus e do interior do Estado. O Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte também exibiu curtas-metragens na Sala 1 do Casarão de Ideias.
João Fernandes, proprietário do Casarão de Ideias, considera que o cinema dentro do centro cultural passou por etapas importantes de consolidação. “A primeira aconteceu quando passamos de duas para 10 distribuidoras parceiras. Atualmente, temos 30 empresas do setor trabalhando conosco, incluindo, companhias internacionais como a Warner. Isso permite com que possamos competir com os cinemas de shopping, oferecendo serviço, qualidade e preço diferenciado. Com isso, ganhamos também um novo público”, declarou.
novo momento na saldanha marinho
O fechamento de uma sala de cinema nunca será algo bom visto tudo o que aconteceu com os espaços antes ocupados pelo Cine Chaplin, Renato Aragão, Avenida, Éden e tantos outros que hoje estão abandonados pelo Centro de Manaus. O caso do Casarão de Ideias, entretanto, traz um alento: a sala localizada na Barroso 279 irá migrar para o novo complexo do centro cultural na Rua Saldanha Marinho. “Será uma sala mais espaçosa com altura maior de uma fileira para a outra. Os serviços também serão mais horizontais, ou seja, será mais fácil ir do cinema para o café e vice-versa”, declarou João.
O complexo da Saldanha Marinho ainda terá uma livraria, duas lojas colaborativas de parceiros, café, sala multiuso e galerias. Já a unidade da Rua Barroso, no casarão amarelo de número 273, fecha por duas semanas, reabrindo no dia 18 de fevereiro. No local, haverá a sala de cinema, a loja Reciprolab, um ateliê, café e uma sala de aula voltada para cursos profissionalizantes em parceria com o Conselho de Educação do Estado do Amazonas nas áreas de cultura, gestão, comércio e hotelaria.
Para os cinéfilos, João promete uma novidade: “o nosso intuito é criar um corredor cultural entre a Saldanha Marinho e a Barroso. Com isso, os filmes vão se alternar entre as duas salas, ou seja, em um dia, será exibida na Saldanha e no outro na Barroso”. Com o projetor importado a caminho de Manaus, a expectativa é que o Casarão de Ideias inaugure o novo cinema no dia 4 de abril, data de aniversário do centro cultural.
Até lá, resta a despedida neste domingo com o filmaço de Jafar Panahi…












