Estamos chegando perto do fim da temporada final de The Boys e a busca pelo composto V1 chega à sua definição neste sexto capítulo, intitulado “Apesar de o céu Cair”. E de minha parte, estou feliz que acabou: essa subtrama da série, a principal da temporada até o momento, teve um inegável componente de enrolação, passando a sensação em vários momentos que este ano parecia ter muito episódio para pouca trama.
Por causa da corrida pelo V1, que pode tornar o Capitão Pátria imortal ou acabar com os supers de uma vez por todas, esse episódio tem um gás que faltou em alguns segmentos anteriores. E claro, ajuda bastante a presença do sempre divertido ator Paul Reiser retornando como A Lenda, para colocar os Boys no caminho definitivo do V1. Reiser é novamente um barato de se assistir, e até tem uma forte cena com Antony Starr que é um dos pontos altos do episódio.
O cerne do episódio envolve o sequestro, pelos Boys, da antiga amante do super-herói Bombástico, o único que ainda possui o composto V1. Nesse sentido, a maior parte funciona: as cenas com A Lenda, a intervenção – nem tão surpreendente, mas ainda assim satisfatória – da Mana Sábia, e (mais uma) bizarra cena de luta, agora numa casa de repouso para velhos heróis.
No entanto, o roteiro depende de um elemento crucial para funcionar: o Soldier Boy. Jensen Ackles é divertido no papel e até usa um pouco de canastrice para dar sabor ao personagem. Mas não há como dourar a pílula aqui: ele parece estar cada vez mais à mercê da vontade dos roteiristas, que usam o personagem para fazer a trama funcionar nos seus termos. O Soldier Boy já tentou matar o Capitão Pátria na terceira temporada, e bem, tentou de novo há uns dois episódios. Depois o salvou, e agora o ajuda de novo, mesmo depois de descobrir, neste aqui, o que aconteceu com a Tempesta. Há um problema de caracterização aqui, um personagem central para a série fica mudando de objetivo dependendo da semana, e isso já está tornando o Soldier Boy uma figura muito frustrante de se assistir.
Então, a sensação que fica nos minutos finais do episódio é a de uma mera reviravolta de roteiro, uma que nem faz muito sentido. E é uma pena porque já sabemos que os produtores vão fazer uma série prequel que vai mostrar a história do Soldier Boy e Tempesta com a Vought. Apostar muitas fichas numa série que ainda nem existe, na reta final de uma já consolidada, e tentar dedicar tempo e estofo dramático a isso acaba roubando parte da urgência e desenvolvimento que os personagens principais de The Boys deveriam estar recebendo.
Enfim… “Apesar de o Céu Cair” também inclui um momento de suspense para Hughie e Annie frente a frente com o Divino, que só vai se resolver no próximo episódio – apesar de um momento fofo entre os dois que ajuda o espectador a voltar a se importar com o relacionamento deles – e o fim do Black Noir, que é morto pelo Profundo. O episódio anterior preparou o terreno para este aqui, mas a morte do Black Noir não deixa de ser um pouco anticlimática. Mesmo assim, há uma tragédia aí, a do cara legal que se contaminou pelo mal à sua volta, e acabou ele mesmo se tornando um homem mau capaz de causar um desastre ecológico para se vingar.
A trama, no entanto, ainda permite a Chace Crawford mais um momento para brilhar – o cara já teve muitos momentos engraçados na série, e sua tentativa de reanimar um peixe também se encaixa no rol de momentos ridículos do Profundo.
Apesar dos pesares, ainda há motivo para um pouco de empolgação para os episódios finais. Por causa do Soldier Boy, uma coisa terrível aconteceu, e os roteiristas ainda podem salvar a caracterização dele, e esperamos que o façam. Veremos… Entre mortos e feridos, “Apesar de o Céu Cair” é mais um episódio com muitos pontos negativos, mas ainda assim capaz de contar com alguns positivos para nos manter assistindo. Agora, é fazer como diz o Bruto, e “correr” para os episódios finais.














