Quase duas décadas depois de conquistar uma geração de fãs, “Avatar: A Lenda de Aang” ganha uma nova história com seu protagonista já adulto. Em “Avatar Aang: O Último Mestre do Ar”, Aang retorna cerca de 12 anos após os acontecimentos da animação original para enfrentar uma nova ameaça e lidar com questões que ficaram do passado.
Na trama, o Avatar descobre a existência de um antigo poder capaz de impedir a extinção dos Nômades do Ar. Ao lado de seus companheiros, ele parte em uma jornada para encontrá-lo antes que caia em mãos erradas e coloque em risco a paz conquistada após tantos anos de conflitos.
A produção também marca uma mudança importante para a franquia: pela primeira vez, o público acompanha Aang em uma fase adulta de sua vida, permitindo explorar como o personagem amadureceu e como passou a lidar com o peso de ser o Avatar.
Para falar sobre essa nova etapa, o Cine Set conversou com Lauren Montgomery, uma das diretoras do longa e profissional que também trabalhou na animação original, e Eric Nam, cantor e ator que empresta sua voz ao Aang adulto. Na entrevista, os dois falam sobre a relação com a série original, a construção de um Aang mais maduro, seus traumas, a importância da amizade e da esperança e o desafio de apresentar uma nova fase de um personagem tão querido pelos fãs.
Cine Set (Pâmela Eurídice) — Lauren e Eric, vocês já tinham alguma relação com a série Avatar? Como ela influenciou este novo projeto?
Lauren Montgomery – Sim. Curiosamente, eu trabalhei na série original, mas comecei como fã. Só comecei a trabalhar nela na terceira temporada, mas já acompanhava a série quando ela estava sendo exibida pela primeira vez e fiquei realmente impressionada. Essa é a minha conexão profissional com a série. Mas continuo sendo tão fã quanto era naquela época em que trabalhava nela. Foi realmente um feito incrível: uma série tão inovadora, que rompia com os padrões do que era a animação ocidental naquela época. E acho que grande parte disso — essa narrativa incrível, com personagens que evoluíram ao longo de uma jornada tão longa — realmente ficou marcada em tantos fãs.
Eric Nam – Para mim, entrei no universo de Avatar um pouco mais tarde. Eu cresci sem ter acesso para assistir a Avatar. Meu irmão mais novo, que é bem mais jovem do que eu, cresceu com a série. Era como se fosse o programa da infância dele. Eu já estava, acho, na Coreia, e isso foi antes do streaming, antes de qualquer tipo de acesso fácil. Então foi durante as audições e a preparação para o papel de Aang que realmente mergulhei em Avatar.
E eu pensei: “Meu Deus, não acredito que passei a vida inteira sem conhecer isso”. Então finalmente entendi por que todo mundo era tão empolgado e por que havia tanta paixão pela série. Foi algo que entrou mais tarde na minha vida, mas eu absolutamente amo esse universo.
Cine Set (Pâmela Eurídice) — Aang já tem muitas características que o público conhece e ama. Como vocês quiseram trazer algo novo ao personagem?
Eric Nam – Quando conhecemos Aang na série, ele é uma criança, é muito jovem. Então, vê-lo 10 ou 15 anos depois — pelo que ouvi e vi, tecnicamente ele está com cerca de 24 anos neste filme — significa que você quer dar a ele uma certa maturidade. Ao mesmo tempo, acho que o que torna Aang tão especial é que ele continua sendo muito gentil, otimista e positivo.
Ele sempre quer acreditar que as pessoas são capazes de fazer o bem e que têm boas intenções, mesmo tendo sido decepcionado com isso repetidamente. E, alerta de spoiler, talvez vocês vejam isso acontecer neste filme. Para mim, foi simplesmente uma questão de dar a ele o peso necessário quando precisa ser sério, porque ele aceitou que é o Avatar. Ele domina muito bem o Estado Avatar. É muito responsável. Construiu algo incrível com a Cidade República, com seus amigos e tudo mais.
Mas sem perder aquele senso de admiração, encantamento, felicidade, alegria e otimismo que, muitas vezes, nós adultos acabamos perdendo à medida que amadurecemos.
Cine Set (Pâmela Eurídice) — O filme explora a busca de Aang por um sentimento de pertencimento. Como você enxerga a conexão da equipe com a esperança, um dos elementos centrais do universo de Avatar?
Lauren Montgomery – Acho que, obviamente, essa equipe sempre representou a esperança e sempre foi a família que Aang encontrou para si. E esta história é, em grande parte, sobre Aang redescobrindo isso. Ele está lidando com um trauma do passado que voltou à tona e, no fim, precisa enfrentá-lo e lidar com ele de uma maneira mais saudável.
E, como ele sempre tem essa equipe incrível à qual pode recorrer, é impossível não enxergar a esperança nisso. Esses personagens conseguem se unir mesmo vindo de diferentes lugares e experiências de vida. Embora Aang não tenha outro dobrador de ar com quem possa se sentir exatamente conectado, ele sabe que tem uma comunidade disposta a ouvi-lo e que valoriza quem ele é.
Acho que temos um final que mostra muito bem como Aang encontra esperança no futuro ao transmitir aquilo que é importante para ele a pessoas que vão amar, apoiar e manter esses valores vivos. Então, sim, tudo neste universo está sempre tentando nos levar a esse ponto de esperança.
Faça o melhor futuro que puder. Se você não o vê acontecendo por conta própria, trabalhe para fazê-lo acontecer. E, sim, Avatar sempre foi uma série muito esperançosa, e nós simplesmente queríamos manter esse espírito.











