Leitor, qual foi o último filme bom com a Jessica Chastain? Faz tempo, hein… Até o filme pelo qual ela ganhou o Oscar de melhor atriz, Os Olhos de Tammy Faye (2021), já caiu no esquecimento. É uma ótima atriz, mas que nos últimos anos vem revelando um péssimo gosto na escolha de projetos. E este terror Outra Mamãe não reverte a má fase, só nos faz lamentar que a atriz não consiga projetos melhores.
Esta produção da Blumhouse e da Atomic Monster, companhia do cineasta James Wan, traz a garotinha Isabela (a ótima Arabella Olivia Clark, uma das poucas coisas boas do filme), que vive feliz com a mãe, Ursula (Chastain) e o pai, Russell (Jay Duplass). Porém, há outro habitante na casa da família, uma mulher que só a garotinha vê e a quem ela chama de “outra mamãe”, porque ela parece igual à Ursula. A Outra Mamãe é na verdade uma presença demoníaca, que vai ficando cada vez mais forte no seu desejo de tomar Isabela para si, trazendo terror para a família.
O filme do diretor Rob Savage, o mesmo do terror Host (2020), aquele da sessão de Zoom amaldiçoada, curiosamente flerta com o surreal em algumas passagens, mas de resto é a velha coleção de sustos amarrada por uma trama com clichês e conveniências duras de aguentar – a avó de Isabela calha de ser uma médium (que conveniente!), que traz a tiracolo uma equipe sem o charme dos caça-fantasmas da franquia Sobrenatural – ao menos a vovó é feita pela sempre interessante Karen Allen. E no meio do caos do desfecho, mãe e filha acham tempo para uma DR salvadora. Difícil…
É o tipo de filme que poderia ser divertido caso se entregasse mais ao absurdo, ao exagero da situação, e se Chastain aumentasse a intensidade da sua performance. Infelizmente, como a mãe responsável, ela leva o filme a sério demais e vive uma heroína estereotipada. E como a Outra Mamãe, ela se limita a se deixar ser picada pelo bichinho do filme Sorria (2022). A elasticidade do rosto da atriz – ajudada em alguns momentos por computação gráfica – não chega a ser enervante como deveria ser, mas pelo menos foi parar no pôster da produção.
Para ser justo, a primeira aparição da entidade no início do filme é uma sequência realmente efetiva, e uma cena no meio envolvendo uma piscina de bolinhas também funciona, demonstrando que se o longa tivesse abraçado mais uma pegada fantasiosa e surreal, talvez resultasse em algo mais interessante. Mas de resto, são 90 minutos de uma viagem num trem fantasma pouco assustador, repleto de computação gráfica – que quase sempre se mostra inimiga do verdadeiro terror – e com uma conclusão onde tudo é telegrafado e mastigado para o espectador.
Por isso mesmo, é uma pena nos lembrarmos do início da carreira de Jessica Chastain, quando ela fez outro terror com tema maternal, Mama (2013), que não chegava a ser uma obra-prima, mas era mais divertido e marcante do que este aqui. Nem a presença dela consegue salvar este Outra Mamãe, que poderia até ser relevado se fosse um caso isolado. Porém, quando analisado junto com os outros filmes nos quais a atriz tem aparecido, fica claro que talvez seja melhor para Jessica trocar de agente.













