As tensões internacionais estavam altas no início das Olimpíadas de 1972, em Munique. Velhos traumas de guerra ainda estavam frescos entre alemães e franceses. Os judeus americanos da ABC, encarregados de transmitir os Jogos, viam os seus anfitriões com desconfiança. Para alguns israelenses, era a primeira vez que pisavam na Alemanha desde o trauma do Holocausto.
E isso tudo antes da delegação de seu país ser sequestrada.
“5 de Setembro” é a história do improvável grupo escolhido pelo destino para transmitir a notícia em primeira mão ao mundo: a equipe de Esportes da ABC, que tomou o lide dos seus primos engravatados do Jornalismo pelo simples fato de que eram eles que estavam lá, bem ao lado da Vila Olímpica. Durante toda a duração do filme, estaremos confinados aos estúdios da ABC enquanto a equipe se desdobra para averiguar os fatos e chegar à notícia.
O que o longa está fazendo, então, é colocar a plateia em contato com uma ideia de urgência que é muito diferente da nossa. O “aqui e agora” de um mundo sem Internet e sem celulares envolve uma série de desafios técnicos e logísticos: locomoção das pesadas câmeras de transmissão, disponibilidade de satélites, lentes teleobjetivas.
Quem coordena tudo isso é Geoff (John Magaro), que tem o peso do mundo nas costas enquanto decide qual câmera colocar no ar. Afinal de contas, o que acontece se os terroristas também estão assistindo a sua transmissão? Estamos comprometidos com a informação a qualquer custo, mesmo que isso coloque em risco a vida dos atletas?
Não há respostas fáceis, e, de forma um pouco decepcionante, “5 de Setembro” não opta por nenhum caminho. Mas é também impossível deixar de lembrar durante a projeção do último capítulo do conflito entre Israel e Palestina, a saber, o genocídio em Gaza. Claro que, em se tratando de uma história dos anos 1970, o filme não poderia comentar acontecimentos futuros. O problema é que sequer a motivação do sequestro em Munique é esmiuçada. Os palestinos nada mais são do que imagens borradas numa tela.
Essa abordagem “apartidária” em prol da “objetividade” do diretor Tim Fehlbaum tem dois efeitos. Primeiro, ao focar majoritariamente nos embates técnicos da sala de controle, “5 de Setembro” suscita, sim, interesse pelos bastidores da notícia, os aparatos tecnológicos utilizados, as trucagens e artimanhas antes de entrar no ar. Ao mesmo tempo, dá um certo ar distante ao filme, frio, apático, mesmo com a câmera na mão e a imagem granulada em alto contraste.
O que não significa que “5 de Setembro” não seja sólido. Mais do que isso, é fascinante e, por vezes, até mesmo tenso. O que fica faltando, talvez, seja um ponto de vista mais bem definido, enfático, para torná-lo realmente memorável.











