Inicio a crítica de Velhos Bandidos dizendo que queria muito ter apreciado o filme dirigido por Cláudio Torres. Afinal reunir um elenco estelar de gerações não é para qualquer um. Isso vai desde a trupe veteraníssima formada por Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Reginaldo Farias, Vera Fischer e Tony Tornado, passando pelos “semis veteranos” como Lázaro Ramos e Vladimir Brichta até chegar a nova geração encabeçada por Bruna Marquezine. É um casting de encher os olhos.
E a ideia de juntá-los em uma comédia despretensiosa, uma sátira aos filmes policiais de assalto – com referências a Onze Homens e Um Segredo (2001) e Os Safados (1988) – também se revelava promissora em gerar bons risos. Está aí O Roubo da Taça (2016), de Caíto Ortiz, a prova viva de como fazer uma produção cômica nacional nesses moldes com muita qualidade e diversão de sobra para nos gargalhar.
Infelizmente, todos esses ingredientes para fazer um bolo de chocolate delicioso não deram liga e o resultado de Velhos Bandidos é que um roteiro ruim de doer pode arruinar um trabalho cheio de boas intenções.
O objetivo do roteiro escrito pelo próprio Torres – diretor de O Homem do Futuro e Redentor, duas obras que simpatizo bastante – é mostrar o casal de aposentados Rodolfo (Fontoura) e Marta (Montenegro) que planejam um assalto para recuperar o dinheiro que eles acreditam que um banco lhes deve para ter, assim, no fim de suas vidas um merecido descanso. Eles se juntam a Sid (Brichta) e Nancy (Marquezine) uma dupla de bandidos que pretendem subir na vida o bastante para se estabelecerem. Completa o time Oswaldo (Ramos), um policial obstinado a prender a “quadrilha de criminosos”.
A partir dessa premissa é que começam os problemas da produção. Ela parece uma coleção de vinhetas de fim de ano de um programa humorístico qualquer. Por mais que Torres utilize o timing espirituoso do seu elenco de estrelas para as situações e os eventos, ele vem carregado por piadas autoexplicadas de um jeito didático. A própria paródia ao filme de roubo é municiada por um humor que pouco demonstra intimidade em provocar o riso no espectador.
A impressão de que até mesmo o humor ingênuo sobre o qual o texto se sustenta ao longo de grande parte da metragem é carregada por uma inocência que também não consegue ser orgânica, ao soar até genérica. Isso atrapalha consideravelmente o nosso envolvimento com o próprio crime praticado pela gangue atrapalhada de assaltantes. É como se Velhos Bandidos fosse incapaz de incomodar naquilo que deseja satirizar e que se torna uma problemática acentuada pela comédia sem ritmo ou impacto nas piadas, questão que faz muita falta para algo assim no gênero.
No meio de tudo isso, a direção de Torres desperdiça até mesmo as críticas que o roteiro busca promover na sua história: a cultura da ganância que dita nossa sociedade capitalista; a diferença de mentalidade e pensamento entre gerações e, principalmente, o cenário de envelhecimento no Brasil, elemento trabalhado também em Vitória, outro longa em que Fernanda esteve ano passado.
Acaba que Velhos Bandidos sobrevive – e muito bem amparado – em seu chamariz principal, o elenco carismático. Fernanda e Ary (esse principalmente) são responsáveis pelos poucos momentos de diversão ao lado de Lázaro. Se Bruna e Vladimir se perdem na caracterização histriônica individual dos personagens, pelo menos, acabam tendo uma ótima química com o casal veterano.
A impressão é que todo o elenco está se divertindo horrores e, talvez, o making off consiga expressar mais esse lado descontraído do que o próprio filme. A se lamentar neste quesito apenas o desperdício de atores do naipe de Farias, Fischer e Tornado em pontas tão esdrúxulas quanto caricatas.
No fundo, o saldo de Velhos Bandidos não atinge a meta na dimensão dos ídolos que procura homenagear. É a possível última atuação de Fernanda? Possivelmente, sim. Não é uma despedida digna do seu talento, mas nota-se que isso não é a sua preocupação principal já o que se vê em tela é a sua emoção genuína em trabalhar com amigos da sua geração ao lado da nova.
A questão em si é a indecisão do filme entre ser uma comédia de verdade e uma paródia de comédia, não acertando em nenhum deles. Sobra simpatia, mas falta talento no humor textual.















Perfeita a crítica. Fui tambem para gostar, tinha boa sinopse e um elenco empolgante. Mas tudo no filme é pessimo… o roteiro pessimo, os personagens não tem estofo, os conflitos não prendem, os dialogos horrorosos, as piadas fracas, a atuacao nao sabe se vai pelo caminho do pastelao ou da comedia comum.. nao é uma coisa nem outra.. a fotografia é pedante cheia de recursos e com muitos elementos desnecessarios, cheia de sombra, escura, pesada, não é uma imagem de comedia.. parece ficção cientifica e definitivamente não tem uma identidade brasileira nem na fotografia nem na direcao de arte… tentaram fazer algo gringo meio netflix meio hollywood.. não vemos Brasil na tela! A trilha sonora forçando a barra entrando toda hora tentando induzir emoção porque no roteiro mesmo não tem, ficou amador. Olha… que cagada. Que pena! Uma pena ser o ultimo filme da Fernanda Montenegro… fechando com chave de bijú. Ela não merecia isso.