Longe das definições estruturais ou formalistas que vários filmes costumam assumir, o cinema experimental tem como natureza ser criação e testemunha de um tipo de fazer criativo excepcional. Antes do Nome figura como uma dessas flexões, e sua verve está nesses detalhes que emanam de muitos lugares pela tela, e somos turistas desse percurso.  

No longa-metragem do mineiro Luiz Pretti, o espectador torna-se observador das emoções, pois a obra presume fazer uma mútua combinação desses sentimentos entre produto-espectador. Nessa consciência, o diretor conduz seu trabalho como algo a ser incutido em nossas mentes, sendo essas cenas uma série de inundação de imagens soltas, porém fixadas de maneira crucial.  

As doses sensoriais de Antes do Nome ganham espaço a quase todo instante, ora, se  porventura, o filme nada atenua sua essência, muito vale das permissões narrativas  interessantes atribuídas em seus 63 minutos de duração, a qual, por exemplo, raios  cortando os céus e luzes incandescentes explodindo preenchem e ocupam a  composição cênica.  

Tendo essa construção, o filme de Pretti se executa na proposta do indivíduo situado  pelo reduto do caos que, entre o campo e cidade, pode coexistir dentro de sua própria  virtude, e a presunção de sua autodeterminação começa antes mesmo de sua  identidade – por isso o título do longa.  

Antes do Nome é jornada de sentidos sobre a identidade do ser enquanto este transita  por territórios nada isentos de caos.