Realizando a estreia na direção de um longa-metragem de ficção, Sean Wang, que já possui no currículo uma indicação ao Oscar pelo curta “Nǎi Nai & Wài Pó”, apresenta “Dìdi”, história de um menino taiwanês-americano de 13 anos em transição para a adolescência, lidando com conflitos familiares, amorosos e de amizades. Uma clássica definição de um filme coming-of-age, mas que nos revela outros pontos de vista que vão além do protagonista.

“Dìdi” consegue se sobressair da média do gênero por discutir sobre relações familiares de forma muito honesta, sincera e, como mesmo em momentos de dificuldades, todos conseguem se ajudar de alguma maneira. Isso traz mais uma potência para o filme, ainda mais quando lembramos que são pessoas asiáticas vivendo em uma cidade americana, e que precisam lidar com o preconceito xenofóbico da população em vários instantes.

O protagonista, por exemplo, não se sente confortável em ter sua ascendência asiática até por perceber que algumas pessoas estranham sua origem. Em um dado momento, ele até tenta negar que não é completamente taiwanês, como forma de se sentir mais validado, mas logo depois é revelado que tanto sua mãe quanto seu pai são do país asiático.

Os temores, entretanto, vão além da adolescência: a mãe de Dìdi, Chungsing Wang, interpretada pela atriz veterana Joan Chen, passa longe de ser reduzida ao papel de matriarca. O roteiro se preocupa em contextualizá-la como uma pintora que pausou a carreira em prol do cuidado dos filhos, mas, que tenta ainda buscar suas conquistas como profissional. E isso se repete com os demais personagens, seja com a insegurança da irmã em deixar a família para ir à faculdade ou com a ranzinza avó que revela uma persona mais zelosa nos momentos mais delicados.

E tudo isso feito de forma divertida: com pitadas de “Anos 90” e “Oitava Série”, filmes recentes bem-sucedidos sobre a mesma temática, “Dìdi” ressoa para quem viveu a adolescência no final dos anos 2000: a banda “Paramore”, apesar de não ter nenhuma música tocada na trilha sonora do longa, aparece visivelmente referenciada em diálogos e com pôsteres do álbum “Riot” em algumas cenas, como símbolo musical dessa geração. As experiências comuns a todo adolescente – a tentativa de se encaixar com os amigos, flertar com a crush – estão lá assim como traços particulares do época como as mensagens nos chats, cheias de gírias e caracteres que definiam emojis, algo inexistente até então.

Independente da idade, “Dìdi” desperta reflexão em qualquer espectador por mostrar que não é só na adolescência que podemos passar por problemas e inseguranças, e sim, em qualquer momento da vida. E como a nossa família e amigos, muitas vezes, servem de apoio psicológico e tem papel fundamental como rede de apoio em nossa vida. É um longa tocante, que te prende do início ao fim e que aos poucos vai demonstrando outras camadas dos personagens. Um filme imperdível para qualquer faixa etária.