Nova série da Netflix, Desobedientes conta com uma série de temas fortes – saúde mental dos jovens, relacionamento conturbado com os pais, métodos de reabilitação, ambiente familiar disfuncional, drogas, cultos. Apesar de boas ideias e temas relevantes, o roteiro não corresponde as expectativas, entregando um suspense psicológico que carece de bom desenvolvimento em tópicos primordiais da narrativa. Além disso, se atrapalha desnecessariamente buscando resoluções dúbias ou rebuscadas, que deixam a história com uma conclusão vaga e insatisfatória.
A minissérie é baseada nas experiências pessoais da comediante Mae Martin e de sua amiga Nicole. Além disso, houve todo um trabalho de pesquisa sobre o movimento religioso Synanon, fundado em 1958 por Charles Dederich. Desobedientes gira em torno das protagonistas adolescentes Leila (Alyvia Alyn Lind) e Abbie (Sydney Topliffe). Uma delas acaba sendo enviada ao Instituto Tall Pines Academy, um lugar destinado a adolescentes problemáticos, comandado pela enigmática Evelyn (Toni Collette). A história também acompanha o policial Alex (Mae Martin) e a esposa grávida Laura (Sarah Gadon), que se mudam para a cidade de Tall Pines. Aos poucos, ele percebe que a instituição e o local não são o que aparentam ser.
A falta de coesão para estruturar bem cada uma das delicadas situações marca o principal problema de Desobedientes. Todo o desenvolvimento sobre o Instituto Tall Pines Academy, inclusive a relação com a própria cidade, fica pelo caminho. Outra oportunidade que o roteiro perde é em não explorar as duas linhas paralelas que cria: a primeira sobre jovens dentro da instituição e a outra são as pessoas que saíram de lá. Por melhores que sejam a trilha sonora tensa e inquietante, a bela fotografia, ora reforçando o clima aconchegante de cidade pequena ora adotando uma linha claustrofóbica dentro da instituição, e a direção inventiva em certas sequências, as falhas do roteiro deixam o público a questionar a verossimilhança de certas situações.
O grande chamariz da produção é o elenco: Toni Collette é o maior destaque ao explorar a dubiedade das intenções de Evelyn. Ela tem seu lado leve, acolhedor e carismático assim como seu lado mais sombrio e estranho. Pena que a personagem não tem um desenvolvimento mais satisfatório que pudesse acompanhar o excepcional trabalho da atriz. Alyvia Alyn Lind e Sydney Topliffe tem uma boa química em cena, além de segurarem com competência os respectivos momentos dramáticos. Mae Martin tem uma presença mais tímida, porém transmite bem um tom mais desconfiado e investigativo com uma persona mais acolhedora. Sarah Gadon não vai muito além das limitações da sua personagem, enquanto John Daniel traz um humor mais sutil e uma leveza ao elenco.
Com todos estes percalços, não havia como o episódio final derrapar muito ao oferecer uma conclusão anticlimática, sem peso, inconsistente e repleta de pontas soltas em relação a narrativa e ao arco de certos personagens. A tentativa era criar um final impactante, imprevisível, mas a execução dá a impressão de um final sem cara de final. Infelizmente, Desobedientes não soube aproveitar as boas ideias e a premissa promissora que apresentou. O esforço do elenco não segura as decisões narrativas questionáveis e a falta de um aprofundamento mais coeso, resultando em um produto audiovisual raso e aquém do que poderia ter sido.















A maioria das suas críticas são negativas. Há de se questionar se suas críticas que podem ser rasas, apenas cheias de palavras intelectualizadas. Dá um tempo cara, a gente só quer passar o tempo, qdo vê filmes e séries. Relaxa aí.
Acabei de ver a série completa e me deparei com a sua crítica, minha opinião não solicitada é a de que talvez não tenha sido bem compreendido pela sua leitura da série qual o ritmo da narrativa da série em questão. Não vejo a série como supercial e cheia de pontas soltas, muito pelo contrário, acredito que intenção da narrativa é justamente colocar o espectador nesse lugar de dúvida, pois vemos ao longo da série os fatos vão ganhando um caráter dúbio, fazendo-nos questionar se as intenções da Evelyn são realmente justificáveis ou não, e o mesmo ocorre com os alunos, com a comunidade de Tall Pines, enfim, a série nos leva a refletir sobre esse papel de piscopompo que um terapeuta se investe à fim de atravessar de um ponto ao outro um padrão de comportamento, e no caso em questão, os métodos usados pela Evelyn eram justificáveis mediante o padrão dos alunos?
Cirúrgico! A minha impressão é que a série deveria ser mais longa para poder “dar conta” de toda a complexidade apresentada.
Cara, queria ter lido sua crítica antes de assistir. Sensação de tempo perdido. Rs
Como tem a Toni Colette eu tinha expectativa de ser boa mas realmente muito rasa e pouco verosímil. Nem o ritual de lavagem cerebral consegue ser convincente. Quem fica perturbado com aquela gravação e uma porta na frente? Rs.
Enfim, muitas pontas soltas, arcos mal desenvolvidos…bem adolescente.
Não concordo com a maior partes das críticas. Algumas portas ficaram abertas sim, mas de maneira geral, acho satisfatório a relação entre o instituto e a cidade mostrada na série. Mostra que o instituto é um ditador silencioso e amado. Achei a série boa, e ainda bem que só li a crítica depois de assistir, senão perderia uma baita produção que consumi em um dia.