Como é bom ser pego de surpresa, não é mesmo? Foi assim que me senti ao assistir à animação Flow, candidata da Letônia nas premiações de Animação e Filme Internacional no Oscar 2025, com passagens celebradas em Cannes e outros festivais.

Em pouco mais de 80 minutos, o filme toca em temas sensíveis como comunidade, união, a importância de colocar as diferenças de lado em prol da sobrevivência e a tentativa de permanecer vivo em uma inundação que só piora, tudo isso através do olhar de um gatinho preto expressivo e sem diálogos.

A grande sacada do filme é acompanhar a jornada desse gatinho até se encontrar em amizades improváveis com outras espécies de animais: um cachorro, uma capivara, um lêmure acumulador e uma ave gigante, todos com características bem delineadas que, juntos, se completam nesta deslumbrante experiência visual.

E os humanos? Bem, não sabemos, mas há resquícios de sua existência nos objetos, nas casas e construções, pontes e estátuas. E isso é o máximo que a direção nos entrega, pois ela canaliza a narrativa na sobrevivência para além do apocalipse, mas também no sentido da coletividade.

Flow é um belíssimo filme que só cresce a cada vez que penso nele e abre margem para diversos debates, como a natureza se rebelando contra sua exploração e o risco de que, quando ela cobrar, pode ser tarde demais, além de outras questões urgentes no centro da discussão sobre as mudanças climáticas.