Filmes não faltam sobre a arrogância humana de querer dominar comportamentos dos outros ou na reflexão da solidão daqueles em busca do amor. Love Me, disponível no Prime Vídeo, busca imprimir parte dessa questão com romance, existencialismo e ficção científica.
A produção apresenta a história da boia Eu (Kristen Stewart) que acorda em um planeta em estado inóspito e é recepcionada pelo satélite Eu Sou (Steven Yeun), que circula pela atmosfera daquele local. A relação de ambas apoiada somente nas interações das duas inteligências em descobrirem demais aspectos da Terra passada cria um contexto de simulação de realidades a resultar em um elo profundo e intenso dos dois personagens.
Com esse panorama, fica difícil não relacionar os acontecimentos com a animação clássica da Pixar Wall-E ao trazer terras despovoadas e robôs solitários interagindo. O grande ponto a diferenciar Love Me é a maneira com que ousa praticar um pensamento existencialista e sociológico, da qual, no entanto, se perde em não saber dosar essas peças à história de amor. Desse modo, uma jornada por conexões se torna o principal motor do sci-fi romântico dos diretores e roteiristas estreantes Sam e Andy Zuchero, pois, essa consciência de isolamento provocada por um lugar abandonado propicia até mesmo duas criaturas tecnológicas a se interligarem.
O trabalho de direção busca cimentar um universo de uma Terra fadada, destruída em sua paisagem e vida, conseguindo de fato transmitir um sentimento de uma imensidão inabitada e cercada de mistérios. A criação deste universo é forte e instigante: a fotografia de German McMicking intercala entre cores quentes de um mundo pós-apocalíptico e as mais amenas com as cenas íntimas dos personagens.
Desde o primeiro contato, as ações são interligadas pelo relacionamento dos protagonistas de Love Me – aliás, os únicos personagens do filme inteiro. De início, a produção até começa bem, mas perde o fôlego pelas repetições e tentativas de emular conceitos sociais da humanidade atual, por exemplo, o uso das redes sociais e a artificialidade da necessidade de “postar tudo”. Falta ao longa saber conduzir reflexões mais pertinentes, como a própria presença da tecnologia e as consequências desta para o entendimento das relações modernas da sociedade.
Kristen Stewart e Steven Yeun estão bem e compreendem bastante o teor dos seres, sendo exercidas em trabalho de voz ou mesmo em presença física. Ambos traduzem um pouco de como seriam duas criaturas existindo no mesmo espaço sem fagulhas de vida, ao mesmo tempo em que buscam sentido para a existência por meio das relações de importância e amor.
Ao propor tudo isso, Love Me é um experimento curioso sobre a fragilidade das relações contemporâneas e um pensamento sobre os sentidos da própria extensão humana atrelado a uma história de amor diferente. O filme se declara demais em ser reflexivo, porém não alcança o necessário, nem estimula nada que já não tenha se permitido contar um dia.














