Existe uma frase muito usada aqui em Manaus que muito aprecio para manifestar descontentamento: “sinceramente, olha!”. E é esse o espírito depois da prova de fogo de pouco mais de 100 minutos que é Nas Terras Perdidas, novo filme de Paul W.S. Anderson (da franquia Resident Evil) em parceria com Constantin Werner, que assina o roteiro e é um dos produtores.
Baseado no conto homônimo de George R. R. Martin (a mente responsável por Game of Thrones), o filme é uma atrocidade sem precedentes. Sendo bem direto como os manauaras, é ruim de doer.
À vista grossa, penso que o roteiro até foi bem-intencionado ao fazer um paralelo em um mundo medieval pós-apocalíptico, onde a humanidade se isola em uma fortaleza comandada por um supremo de mãos dadas com uma igreja católica miliciana — as vilãs da Disney dão mais arrepios, diga-se — e como uma bruxa, isto é, uma herege, torna-se a porta-voz dos oprimidos. Espere frases de efeito como “a bruxa que não será enforcada”, além de monstros e cenários fantasmagóricos.
Nesse sentido, a história é tão batida e cansativa que nem merece uma breve síntese aqui. Resta apenas nos apegar às questões técnicas, que são demasiadamente pavorosas: o CGI datado, aliado ao pensamento de grandeza de praxe de Anderson, são vexaminosos. O design e a fotografia medieval western-apocalípticos lembram Mad Max (1979) e 300 (2006), e até mesmo alguns trabalhos anteriores de W.S., mas sem o mínimo de cuidado. Um amadorismo imperdoável até para ele, que tem uns bons anos de carreira.
O elenco, encabeçado por Milla Jovovich e Dave Bautista, dá um show… de apatia, tentando extrair o mínimo de um texto de origem duvidosa. Resta para Bautista dar o mínimo de dignidade a um tipo com o qual ele já está bem familiarizado.
Para não dizer que não falei das flores, há uma cena interessante em que a bruxa Gray Alys (Jovovich) e Boyce (Bautista) enfrentam o exército da igreja, liderado por Ash (Arly Jover). E para por aí.
Nas Terras Perdidas foi filmado em 2022 e permaneceu todo esse tempo em pós-produção, esperando uma boa distribuição — chegando somente agora, em 2025, depois de ser adiado algumas vezes. O veredito? Era melhor nem ter sido lançado. Um desperdício de 55 milhões de dólares. Mas há quem goste, não? Sinceramente, olha…!













Nossa, outro filme do Paul e da Milla, caraca!
filme muito ruim,medíocre