Cada ser contém uma raiz dentro de si. As noções de consciência ganham aspectos materiais desde o germinar, mas não só isso: plenitude. A animação Papaya transmite beleza lúdica junto de uma história carregada de reflexão e cores. 

Da cineasta Priscilla Kellen, contado sob o ponto de vista de uma sementinha de mamão que, assim como dezenas de outras, se desprendeu do fruto, se vê ao redor com inúmeras informações desse vasto mundo, onde, pelas tantas, passará por uma jornada de descobertas, sobrevivência e aceitação. 

O senso estético pretendido é um deleite e assume, desde o primeiro bater de olhos, a personalidade da obra. A animação mescla traços simples com o uso de colagens e um multicolor interminável, o que resulta em contornos interessantes e se adequam às linhas sensoriais de Papaya. 

O inerente tom poético da produção, seja nas cores pulsantes, seja nas escolhas narrativas, faz de Papaya um objeto que transfigura sua própria jornada, pois não se reduz a mostrar o que facilmente nos contentaria e arremessa sua personagem em uma viagem curiosa e cheia de riscos – sem que saia de modo algum de sua temática principal. Nesse exercício, a animação avança por lugares que permitem um olhar mais expansivo sobre temas ambientais e até biológicos sobre o uso de produtos químicos em frutas e alimentos naturais. Ao percorrer por certas instâncias, o filme potencializa seu valor de produção. 

Para tanto, Papaya é uma ótima animação que impõe apaixonadamente seus recursos estéticos e oferece uma bonita história sobre pertencimento e liberdade.