Ganhador do Oscar por “Oppenheimer”, Cillian Murphy encabeça “Steve”, novo drama lançado pela Netflix. Adaptação do livro Shy de Max Porter, em 2023, o longa traz à luz o tema da saúde mental, aliando bem refinamento técnico e uma narrativa densa que ressalta a importância dos profissionais educacionais em dar suporte aos jovens com adversidades sociais.
Dada a força do tema proposto, o filme busca enaltecer uma narrativa que divide a perspectiva tanto dos jovens alunos como dos profissionais de ensino e a relação de codependência entre eles. Existe um mergulho nos dramas internos e nas personalidades de cada um dentro da trama, embora não haja um desenvolvimento mais acentuado ou caprichado. Mesmo apresentando essas duas frentes, o roteiro acaba não indo mais a fundo nesses conceitos, deixando tudo na superfície, não se permitindo cutucar mais na ferida e explorar mais os impactos na vida dos professores. Atrelado a isso, o protagonista, que dá o nome ao filme, acaba ficando em segundo plano, perdendo um pouco o foco.
Ambientado ao longo de um dia e com tempo sendo cronometrado na tela, a tensão fica palatável criando uma atmosfera caótica e uma angústia gradativa. A urgência é sentida e a direção de Tim Mielants constrói muito bem essa linguagem, com uma câmera inquieta, que acompanha os personagens. O cineasta ainda joga com planos se invertendo para causar uma sensação de desorientação e falta de controle. Outro artifício que Tim promove é um tom próximo ao documentário, com a inserção de equipe de filmagem como elemento da trama. Essa proposta acarreta em um realismo mais cru para a narrativa contada.
Cillian Murphy sabe muito bem trazer toda a desesperança, insegurança e temor de seu personagem. Apesar de internalizar bem os sentimentos, ele consegue com sutileza ter momentos mais humanos e genuínos. Ele carrega o peso da sua responsabilidade de uma forma bem intimista e melancólica, onde seu sofrimento é mais contido e sinuoso.
A escolha de um final mais aberto deixa “Steve” mais ambíguo e sujeito a reflexões. O problema é que ele escorrega em um melodrama exagerado e desnecessário, que só tem a intenção de terminar o filme de forma bonitinha e acolhedora, porém, essa escolha acaba tirando a força da conclusão. A obra não atinge a excelência que poderia por não ousar em desenvolver mais a sua temática e seguir muito saídas fáceis de um drama convencional. Ainda assim é um drama bem conciso, muito bem dirigido e com Cillian Murphy contribuindo para conceder mais qualidade ao projeto.











