Adoro esse ofício de “crítico”, coloco em aspas porque me parece algo muito pomposo, quase elitista e não gosto de estar nesta posição. Encaro como um trabalho prazeroso, apesar das bombas que somos obrigados a ver e tentar elaborar algo que se aproveite.

Em alguns casos, confesso, já fico na “má vontade”. Nessa hora só me vem à cabeça a Isabela Boscov falando indignadíssima “isso só pode ser dívida de jogo”. Eis o que aconteceu comigo quando tive que assistir a nova aposta romcom da Netflix “Tudo em Família”. 

Premissa básica: a jovem Zara (Joey King) é a assistente do astro do momento de Hollywood, Chris Cole (Zac Efron) e surta quando ele inicia um romance com a mãe, a famosa escritora Brooke Harwood (Nicole Kidman). Ou seja, espere algumas situações constrangedoras e forçação de barra.

Mas por qual motivo eu estou gostando disso, gente?

Ok, gostar é uma palavra muito forte, vamos com calma.

O filme não é a sétima maravilha do mundo e nem vai acrescentar em nada na carreira de uma atriz do quilate de Kidman, ela mesma está ligadíssima no automático. E isso é interessante de se acompanhar ao longo dos seus intermináveis 120 minutos. Todos ali destoam um pouco uns dos outros: enquanto Kidman está completamente básica, Efron incomoda por sua canastrice que somadas às diversas intervenções estéticas, está completamente inexpressivo. Já Joey King atua como se fosse o filme da carreira. A única que se salva é a Kathy Bates, sempre natural em cena. E o mais curioso disso é que em uma comédia romântica hétero-branco-rico, a química aqui funcione exatamente entre duas mulheres, Kidman e Bates.

Mesmo um uma crítica à Hollywood e suas diversas sequências desesperadas pelo lucro que não extrai nada de bom dos atores senão, olha só… a canastrice, e estes, por sua vez, se mostram mimados e egocêntricos, “Tudo em Família” é ruim, mas é bom. Um meio termo entre a indigestão completa e um (regular) passatempo esquecível.