Com uma trajetória conhecida por direções inquietantes e densas em curtas-metragens como Terra Nova, Enterrado no Quintal e Ri, Bola, Diego Bauer encarou assumir um desafio inédito na carreira: estrear no comando de um longa-metragem. Para além da função de diretor, o amazonense também protagoniza e escreve o roteiro de Obeso Mórbido, projeto que expande as linhas narrativas propostas pelo curta de 2018 de nome homônimo. A estreia não poderia ser melhor: a seleção oficial da Mostra Aurora, uma das mais tradicionais da badalada Mostra de Cinema de Tiradentes 2026.
Para o novo Obeso Mórbido, Diego Bauer passou por uma intensa transformação física no decorrer das filmagens. O longa foi gravado em duas partes: a primeira trazia a versão magra do protagonista, enquanto a segunda etapa focava no momento mais gordo do personagem. No intervalo de seis semanas, acompanhado por um nutricionista, o ator precisou ganhar 15 quilos. “Fui flertando com coisas muito perigosas da minha vida, sejam lembranças ou problemas de saúde. A questão da obesidade não é brincadeira; isso é realmente a minha vida”, disse em entrevista ao Cine Set.
Vivenciar tudo isso, entretanto, foi considerado fundamental para para o filme. “Se isso é uma condição vital do filme, não podia questionar. Abaixei a cabeça e fui adiante. Essa mudança física fez muita diferença no filme mesmo que tenha sido um processo duro para mim”. De cunho altamente pessoal, Bauer refletiu que, por tal contexto, precisaria novamente retornar a lugares sensíveis. “Trata-se de um projeto muito particular. Obeso Mórbido é uma ficção, mas sou eu me interpretando com um roteiro que escrevi junto o Ricardo (Manjaro). Todo esse processo de você se reconhecer, se identificar faz com que tivesse que ser eu mesmo ali como ator, roteirista, diretor”.
ESTREIA NA DIREÇÃO
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, Obeso Mórbido marca esta nova etapa na carreira de Bauer comandando longas-metragens. Para o diretor amazonense, a experiência de mais de uma década nos curtas permitiu desfrutar o momento das gravações. “Eu sempre encarei este filme como talvez a minha única oportunidade de fazer um longa. Logo, decidi que iria arriscar tudo o que eu tenho. Esse foi meu estímulo, um combustível para ousar. Sendo bem sincero, estou muito feliz com o resultado”, afirmou.
Para a estreia nos longas, Bauer esteve ao lado de Victor Kaleb na produção executiva e César Nogueira na direção de fotografia, parceiros e sócios da Artrupe, produtora com mais de uma década de atuação no Amazonas e responsável pelo Festival Cinema da Amazônia – Olhar do Norte. Nomes conhecidos do audiovisual de Manaus também integram a equipe de Obeso Mórbido como Heverson ‘Batata’ Batista no som, Francisco Ricardo na direção de arte, Eduardo Resing na montagem, Ítalo Bruce também na produção executiva, além do elenco com Thais Vasconcelos, Isabela Catão, Denis Lopes, Marilta Figueiredo, Karol Medeiros, Wallace Abreu, Nivaldo Mota, Rosa Malagueta, Leonel Worton, Michel Guerrero, Robson Ney, Wilson do Carmo.
“Creio que um processo como esse, de criar o filme sem facilitar as coisas no meio do caminho, só é possível por causa da equipe. É ela que me faz chegar ao lugar necessário. Por isso, foi fundamental que no primeiro longa-metragem mantivéssemos a equipe dos curtas e a mesma energia daquelas obras. Sempre me senti muito motivado a seguir com a mesma equipe de sempre, porque foi com ela que chegamos até aqui. É esse tipo de circunstância que me faz confiar mais no caminho e no resultado final”, disse Bauer.
Não menos importante é a seleção de Obeso Mórbido para a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026. Bauer, que já teve seus curtas-metragens exibidos por três ocasiões no evento mineiro, contou sobre a felicidade de um projeto tão especial exibido nesse espaço. “A Mostra é um lugar que eu amo, porque vive, respira e respeita o cinema. É um espaço interessado em filmes desafiadores, que fogem do óbvio, sem deixar de dialogar com o circuito comercial. Exibir meu filme na Mostra Aurora é a realização de um sonho. Desde que Obeso Mórbido, meu curta, passou por Tiradentes, nasceu esse desejo de ter um trabalho apresentado ali. A Mostra Aurora é uma vitrine incrível para o filme”.













