O ano é 1932. Sydney Sweeney, com um sotaque alemão bobo, está acompanhada do marido otimista (Daniel Brühl) e seu enteado moribundo em uma viagem para Galápagos. Com o caos econômico e a ascensão do nazifascismo, a Europa não anda bem das pernas. A família busca um recomeço. 

Na verdade, eles estão seguindo a pista de um certo Dr. Ritter (Jude Law) que, ao lado da companheira (Vanessa Kirby), tem vivido como um eremita no arquipélago equatoriano. As cartas de Ritter à civilização, pregando um tipo nietzschiano e fatalista de nova filosofia, têm causado comoção em sua Alemanha natal. O sujeito é, em suma, um chatonildo.

Os Ritters não só são de pouca ajuda, como, no sentido mais puro da palavra, são uns escrotos. Sendo assim, não ficam nem um pouco contentes com a chegada de Ana de Armas ao lugar, uma dondoca igualmente escrota procurando um lugar para construir sua hacienda. Daí em diante, é vizinho contra vizinho, todos disputando um pedaço de paraíso.

Assim, o Novo Mundo, ao contrário do que o título do filme poderia indicar, é brutal: pestes e mais pestes, falta de água, uma aura mortífera em torno de cada ser vivo, paranoia generalizada. Em teoria, é essa a explicação por trás da escolha do veterano Ron Howard por filmar tudo com um verniz cinzento, supostamente realista e dolorosamente digital. Mas a teoria não torna a escolha mais aprazível aos olhos.

Howard mantém as coisas em movimento com sua montagem acelerada, criando paralelismos como o da caçada de Brühl a uma vaca e o infortúnio de Law com um porco. Mas, mesmo com 130 minutos, é tudo apressado demais. As situações se empilham sem surtir qualquer efeito a não ser contribuir para a cansada tese de que “o homem é o lobo do homem”.

Sweeney, que em dado momento precisa lutar contra uma horda de cães selvagens enquanto está em vias de parir um bebê, faz o melhor que pode diante do ridículo do material. Já Ana de Armas opera no modo vilã de telenovela enquanto Jude Law aparece em nu frontal — belíssimo, por sinal. Parece que o eco das glórias passadas de Ron Howard é o bastante para atrair estrelas tão laureadas a um projeto tão simplório, de roteiro tão pobre.

No fim das contas, todos estão a serviço de um nada de filme. Em termos de sobrevivência na selva, você está melhor servido assistindo a um episódio qualquer de “Largados e Pelados”.