Depois de marcar uma geração como Fiona Gallagher em Shameless, Emmy Rossum retorna à televisão em Fúria, thriller criado por Elizabeth Meriwether e inspirado livremente no filme Black Widow (1987). Na série, Rossum interpreta Alice Black, uma agente do FBI envolvida em uma perseguição a uma misteriosa assassina em série, vivida por Lola Petticrew. À medida que os caminhos das duas personagens se cruzam, a investigação passa a questionar as fronteiras entre justiça, violência e vingança. Rossum também atua como produtora executiva da produção.

Conhecida principalmente pela comédia de New Girl, Meriwether vem construindo uma trajetória recente marcada por dramas de grande repercussão, como The Dropout e Dying for Sex. Em Furious, a criadora parte da dinâmica de perseguição presente em O Mistério da Viúva Negra, mas amplia a história para investigar as experiências de violência que atravessam suas protagonistas e a complexidade de uma narrativa centrada em mulheres que ocupam posições moralmente ambíguas.

Em entrevista ao Cine Set, Emmy Rossum fala sobre sua participação criativa como produtora, o processo de preparação para interpretar uma agente do FBI e a parceria com Elizabeth Meriwether. A atriz também comenta as mudanças que diferenciam Furious de Black Widow e explica como a série utiliza seu formato mais longo para aprofundar a psicologia e as histórias de suas personagens.

Cine Set – Emmy, além de atriz, você também é produtora da série, o que lhe deu um controle criativo maior sobre o projeto. Qual foi a importância disso para moldar a série da forma como ela chegou ao público?

Emmy Rossum – Adoro aprender. Gosto de mergulhar profundamente em uma história e compreendê-la de dentro para fora. Também gosto de ter tempo para isso, de realmente entender por completo o universo em que estou entrando.

Eu queria trabalhar com agentes do FBI, psicólogos e policiais de Nova York, visitar West Point, aprender a atirar com armas e rifles, lançar granadas e realmente compreender como compartimentar seus sentimentos, entrevistar suspeitos, se aproximar das pessoas e trabalhar disfarçada.

Todas essas coisas exigiram tempo para serem compreendidas e assimiladas. E também é uma alegria ter a oportunidade de participar do processo de escalação do elenco e da contratação de profissionais para a produção, reunindo ao seu redor pessoas que compartilham da mesma visão e estão interessadas em criar algo parecido com aquilo que você quer fazer. É uma experiência realmente muito especial.

Cine Set – Uma das maiores diferenças entre O Mistério da Viúva Negra e Fúria está na motivação do assassino. O que essa mudança diz sobre a forma como a história foi atualizada para o público de hoje?

Emmy Rossum – Embora o filme fosse uma exploração de uma assassina que, no fim das contas, nunca chegávamos realmente a conhecer, acho que, quando observamos as assassinas em série, percebemos que muitas delas também foram vítimas de violência. E foi justamente desse ponto que Liz quis partir.

Além disso, uma série nos dá muito mais tempo para desenvolver essas questões. Podemos nos aprofundar nas histórias de vida e na psicologia dessas personagens, ao mesmo tempo em que acompanhamos essa divertida dinâmica de gato e rato, nos perguntando o que vai acontecer e quais segredos ainda serão revelados.

Cine Set – Liz Meriwether criou duas grandes minisséries, The Dropout e Dying for Sex, enquanto você vem do sucesso de Shameless. Na sua opinião, o que funcionou melhor nessa parceria?

Emmy Rossum – Liz também comandou New Girl por muitos anos, vem da comédia e é uma pessoa brilhante, muito engraçada e com um lado bastante sombrio. Nós duas somos completamente obcecadas pelo nosso trabalho e realmente vivemos aquilo que fazemos, então foi uma combinação muito boa. E me sinto muito sortuda por ela ter querido embarcar nesse projeto.