Comemorando 30 anos de carreira na cultura amazonense, Arnaldo Barreto se lançou em um de seus maiores desafios nesta trajetória: dirigir o longa-metragem “Entre Nós”. O drama de época foi lançado no fim de 2020 em uma sessão especial em Manaus e deve seguir o caminho dos festivais durante todo ano de 2021. 

Com roteiro escrito também por Arnaldo, “Entre Nós” conta o drama de Amália (Izabel Vega) e Jandira (Dione Maciel), que vivem na Amazônia, nas margens do rio Tapajós. A história acontece quando jovem Amália (Fernanda Marquez) se envolve com os irmãos Ferreira, Renato (Lino Camilo) e Ricardo (Denis Carvalho) causando uma grande tragédia que marca para sempre a sua vida e de todos da Vila Paraíso.  

Arnaldo Barreto conversou com o Cine Set sobre a experiência de realizar o longa, falou sobre o apoio da equipe de “Libertos, o Preço da Vida” para o projeto, incluindo, o ator André Ramiro, de “Tropa de Elite”, e o que o público pode esperar. 

Cine Set – Como surgiu a ideia para fazer o longa? 

Arnaldo Barreto – “Entre Nós” foi roteirizado a partir de uma viagem que fiz para Fordlândia com a equipe do filme “Libertos, o Preço da Vida”, dirigido pelo Jeferson Nali. Antes de viajar, cheguei a pesquisar sobre a região e pensei na possibilidade de fazer um curta documental e performático. Decidi, então, mostrar o roteiro para os atores André Ramiro, Lino Camilo e Fernanda Marques que abraçaram e apoiaram a ideia. 

Dali em diante, comecei a criar a dramaturgia como uma obra de ficção, pesquisando elementos e signos que pudessem colaborar na criação das personagens. Pensei em uma tragédia familiar com o contexto histórico do declínio do período do ciclo da borracha na região. No meu retorno para Manaus, o projeto tomou uma dimensão maior e, além da Fordlândia, decidi também utilizar o Museu do Seringal como cenário. 

Cine Set – O que te guiou e buscou para realizar “Entre Nós”? 

Arnaldo Barreto – Este é o meu primeiro longa como diretor e tinha a intenção de fazer uma obra consistente e comercial. Minha proposta era uma trama em que o passado e futuro são como um pêndulo, indo e voltando, com reflexos no presente dos personagens. Paixão, ódio, amor e traição estão ali com seres humanos diante das suas tragédias cotidianas. “Entre Nós” se passa em 1945, mas, com trechos em 1912. Além da ficção, fizemos um resgate histórico através de signos apresentados na direção de arte, figurinos e trilha sonora com músicas de Francisco Alves.   

Cine Set – Como foi o processo de gravações tanto em Fordlândia quanto no Museu do Seringal? 

Arnaldo Barreto – Em Fordlândia, como estava envolvido em outra produção na função de diretor de arte, tive apenas três dias de folga. Foi o tempo suficiente para realizar as gravações com a equipe e os atores. O André Ramiro foi um parceiro imenso: trocamos muitas ideias nas filmagens!  

Já em Manaus, o processo foi mais longo. Foram meses de gravação, e, com a pandemia, fomos prejudicados na finalização que só aconteceu quando fomos contemplados no Edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), por meio da Lei Aldir Blanc. 

Cine Set – Fala um pouco sobre o teu trabalho na direção de atores, afinal, você também é um ator, inclusive, premiado no Festival Guarnicê pelo trabalho em “Até que a Última Luz se Apague”. 

Arnaldo Barreto – Sempre digo que tive um grande privilégio de ter começado minha carreira nas telas fazendo cinema mudo. Em “Até Que A Última Luz Se Apague”, tive que descobrir a como trabalhar todas as emoções internas da personagem para me comunicar com o espectador. Ao dirigir “O Cacto” com o ator Wallace Abreu, vivi a experiência de trabalhar a minha visão externa e interna da personagem. Foi mais desafiador porque não gosto de atores prontos para executar uma cena. Busco instigá-los, fazê-los entender o roteiro e a proposta da encenação. 

Em “Entre Nós”, tive o grande privilégio de dirigir grandes atores em uma entrega emocional, artística e poética. Isabel Vega, Dione Maciel, Ana Cláudia Motta, Paulo Altllegre, Elves Guedes, Bitta Catão, Antônio do Espírito Santo, Fernanda Marques Carioca, Lino Camilo… Para mim, não existem atores de cinemas; existem artistas para a arte desde que tenham preparo. O longa foi uma desafiante troca de experiência tanto na vida quanto na arte.  

Mike Flanagan: ‘a sequência do baile em Carrie foi a mais complexa da minha carreira’

Ao Cine Set, Mike Flanagan comenta os desafios de atualizar Carrie e explica como procurou construir identidade própria para a nova versão.

Fernanda Salgado fala sobre a animação ‘Ana, En Passant’: “a gente precisa da memória para criar futuros novos”

Cine Set conversou com Fernanda Salgado sobre o processo de criação, questões de ancestralidade e o que vem pela frente para Ana En Passant.

Emmy Rossum detalha preparação para Fúria e trabalho como produtora da série

Emmy Rossum fala sobre seu envolvimento criativo e preparação para Furious, além da atualização de Black Widow e da parceria com a criadora Elizabeth Meriwether.

Grace Passô: “Nosso Segredo é um filme que foi feito para ser arriscado”

Grace Passô fala sobre a transformação de Amores Surdos em Nosso Segredo, a construção da família e da casa como personagens e a vitória do filme no Festival de Gramado.

Gabriel Mascaro: ‘Boi Neon’ ganha novos significados com as transformações do Brasil

Gabriel Mascaro fala sobre a trajetória de Boi Neon, a internacionalização do cinema pernambucano e os desafios da produção regional.

Lírio Ferreira: “O cinema pernambucano tem uma dívida saborosa com o Manguebeat”

Lírio Ferreira relembra a criação de Baile Perfumado, a “brodagem” do cinema pernambucano, a importância dos cineclubes e o impacto decisivo do Manguebeat na formação de uma das cinematografias mais importantes do Brasil.

Marcelo Gomes, ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’ e a força de um cinema que não passa pela Via Dutra

Em entrevista ao Cine Set, Marcelo Gomes fala sobre o que tornou o cinema de Pernambuco tão único e especial.

‘Avatar Aang’: Eric Nam revela como criou a voz do Aang adulto

O Cine Set conversou com a diretora Lauren Montgomery e o ator Eric Nam sobre a animação “Avatar Aang: O Último Mestre do Ar”.

Thaís Sales: o que a legislação exige para uma criança atuar no cinema?

Thaís Sales, da Sales & Medeiros, explica os principais desafios da relação entre o cinema e a proteção à infância.

Diego Medeiros: a assessoria jurídica no cinema brasileiro em filmes como O Último Azul e Feito Pipa

Diego Medeiros fala sobre os bastidores jurídicos de Feito Pipa e a importância desse trabalho para que um filme possa chegar às telas.