Convidados especiais não são uma novidade em Only Murders in the Building. A série disponível na Disney+ liderada por Martin Short, Steve Martin e Selena Gomez sempre foi reconhecida por trazer grandes estrelas em participações de destaque ao longo dos quatro anos anteriores, incluindo, a lendária Meryl Streep.

A quinta temporada, entretanto, dobrou a aposta com uma constelação de estrelas ao longo dos 10 episódios. Quer ganhador de Oscar? Pode ficar com Dianne Weist, Christoph Waltz e Renée Zellweger, cada um deles com duas estatuetas douradas na estante. Talento da nova geração? Logan Lerman e Beanie Feldstein são ótimas opções. Veteranos da indústria? Fique com Téa Leoni, Bobby Cannavale e Keegan-Michael Key.

Toda esta turma para resolver o mistério sobre a morte do simpático porteiro do Arconia, Lester, vivido por Teddy Coluca. O crime ocorreu após o casamento de Oliver (Short) e Loretta (Streep) e guia toda a temporada marcada por leves cutucadas em bilionários todos poderosos e no mercado de trabalho cada vez mais automatizado.

Caio Pimenta, editor-chefe do Cine Set, participou de uma coletiva de imprensa mundial com o trio de protagonistas e traz os melhores momentos da espirituosa conversa sobre Only Murders in the Building.

CINE SET – Nesta temporada, vocês abordam temas muito atuais, como bilionários que são donos de tudo e robôs que tiram o emprego das pessoas — mas tudo isso de uma forma leve e divertida. Como vocês veem Only Murders in the Building conseguindo tratar desses assuntos sem soar moralista ou entediante?

Martin Short: Acho que isso se baseia em algo como fazer um suflê — é uma questão de dosagem: quanto de pimenta você coloca, quanto de sal você coloca. Acho que é isso. As pessoas que estão por trás das decisões finais de edição e montagem têm um ótimo senso de gosto e sabem equilibrar esses temas sem deixar que se tornem pesados demais.

Selena Gomez: Nós temos ótimos roteiristas e uma equipe incrível que ajuda o nosso show a continuar sempre muito bom.

Steve Martin: E também tivemos uma coincidência de sorte, porque o tema desta temporada é um cassino em Nova York — e isso acabou aparecendo nas notícias. Houve um cassino que foi rejeitado, se não me engano, em Nova York.

PERGUNTA – O que as participações especiais desta temporada trouxeram de novo e surpreendente para vocês?

Steve Martin: Bem, cada convidado é escolhido de acordo com o papel, não é simplesmente “vamos chamar a Meryl Streep” ou “vamos chamar o Paul Rudd”. Eles são escalados porque se encaixam perfeitamente nos personagens. Então não aparecem como simples cameos de celebridades, mas como figuras necessárias à história — e isso é um prazer, ver que realmente acrescentam à trama.

Selena Gomez: Também foi incrível observar como cada um encarou seu personagem. Ter o Christoph Waltz, o Logan Lerman e a Renée como nossos “opositores” foi muito divertido, porque cada um trouxe sua própria personalidade para o papel. Fiquei impressionada com o resultado.

Martin Short: E é impressionante — em certo momento eu vi todos eles juntos, esperando para gravar, e comecei a contar os Oscars: Meryl, três; Christoph, dois; Renée, dois; Steve, um; Da’Vine Joy, um; Dianne Wiest, dois. É espantoso!

Steve Martin: E quantos você tem, Marty? Só para lembrar.

Martin Short: Nenhum, mas eu tenho um prêmio ACE, e acho que Dianne Wiest não tem um ACE.

Steve Martin: (rindo) Nem existe mais esse prêmio.

Martin Short: Pois é, mas eu tenho!

PERGUNTA – Qual foi o grande destaque dessa jornada até aqui? Olhando adiante, o que vocês já podem contar — ou ao menos insinuar — sobre a sexta temporada? E sobre os rumores de Londres?

Steve Martin: (rindo) Acho que não podemos confessar todos os nossos planos futuros. Já ouvimos o rumor sobre Londres, mas, como você sabe, em Hollywood nada está certo até o momento em que você embarca no avião. O que mais nos deixa felizes com essa série é a quantidade de amigos que fizemos. Não só entre nós três, mas também com os atores convidados, a equipe, os diretores e o showrunner John Hoffman. São trabalhos difíceis, mas todos têm estado no seu melhor — com exceção do Marty, claro.

Martin Short: (rindo) Acho que você é naturalmente atraído por pessoas talentosas. O John Hoffman, o Dan Fogelman e o Steve reuniram os melhores diretores de fotografia, os melhores diretores e o elenco mais incrível. E quando você descobre que essas pessoas que admira também são gentis, divertidas e ótimas companhias, é o verdadeiro home run.

PERGUNTA: O que mantém vocês inspirados e animados para voltar a cada ano?

Selena Gomez: Ah, esses dois caras aqui me fazem querer voltar.

Martin Short: (rindo) Acho que experiências criativas realmente bem-sucedidas são raras. E, quando você combina isso com o melhor ambiente de gravação possível — com risadas, alegria e o John Hoffman, nosso showrunner, sempre de bom humor —, isso contagia todo o set. É um prazer ir trabalhar todas as manhãs.

Steve Martin: Na arte existem dois tipos de criação: a dolorosa e a divertida. E as duas funcionam. Você pode passar por sofrimento e criar uma obra-prima, ou pode estar cercado de pessoas incríveis que alimentam o que fazemos de melhor — no nosso caso, pensar, preencher os detalhes dos personagens e nos relacionar de formas cada vez mais engraçadas. Agora, chegando ao fim da quinta temporada, encontramos novos jeitos de ajustar essas relações. Podemos ter pequenas discussões, desentendimentos, mas também expressar o carinho que sentimos uns pelos outros.

Selena Gomez: Tenho muita sorte em poder chamar Only Murders de um lar. É um privilégio trabalhar com lendas e ícones, com tantas pessoas talentosas. Sou só uma garota do Texas, e estar aqui é empolgante. Voltar a cada temporada é um presente — e é um presente que continua a ser dado.

PERGUNTA: Como a dinâmica entre vocês evoluiu ao longo das temporadas e que novos aprendizados vocês tiveram uns sobre os outros com o passar do tempo?

Martin Short: (pensando) Ah… eu diria: nenhum. Zero. (risos) Eu já conhecia todo mundo. Já estou completamente saturado deles. Eu conheço os personagens, mas não tenho muita objetividade sobre a dinâmica do meu próprio personagem. E quanto ao que aprendi sobre o Steve e a Selena… acho que nada de novo.

Steve Martin: (rindo) Eu sinto que, com o passar dos anos, nos tornamos mais à vontade em cena, pensamos menos — e isso melhora nossa atuação. Porque estamos confortáveis uns com os outros. E, com o tempo, descobrimos pequenos segredos sobre nossos personagens, sobre como eles se relacionam entre si. Mas são coisas de ator, difíceis de definir.

Selena Gomez: No geral, acho que o que mais gosto é poder trabalhar com esses caras. Não sei se há muito mais que eu possa aprender com eles, mas sempre estarei aberta — e, sinceramente, eles ainda conseguem me surpreender.

PERGUNTA: Selena, Steve Martin e Martin Short têm mais ou menos a idade do seu avô, o que representa uma diferença geracional significativa. O que você aprendeu com eles que considera mais valioso para você como atriz e produtora?

Selena Gomez: Acho que, provavelmente, a não me levar tão a sério. (sorri) Eles me ensinaram a acreditar em uma piada e trabalhar nela até que funcione — ou não — e, se não funcionar, seguir em frente. Aprendo com o Steve e o Marty todos os dias. Estou me divertindo muito. Eles já passaram por tanta coisa, então é ótimo poder aprender com essa experiência.

Steve Martin: E nós aprendemos com a Selena que a geração mais jovem não é de todo ruim. (risos)