A dupla Phil Lord e Christopher Miller consolidou seu nome em Hollywood ao equilibrar inventividade e apelo popular em projetos como Uma Aventura LEGO, Anjos da Lei e, principalmente, Homem-Aranha no Aranhaverso, vencedor do Oscar de Melhor Animação. Com uma marca autoral que mistura humor, emoção e metalinguagem, a dupla se tornou referência em narrativas que rompem fórmulas tradicionais.
Agora, eles retornam com Devoradores de Estrelas, adaptação do best-seller de Andy Weir, estrelada por Ryan Gosling. O longa já desponta como um dos grandes sucessos recentes de bilheteria, reforçando a força da parceria entre os diretores e o ator, que também atua como produtor. Apostando em uma ficção científica com forte carga emocional, o filme amplia o alcance da dupla junto ao grande público.
Em entrevista ao Cine Set, Lord e Miller falam sobre o processo criativo, a construção de um filme que foge de gêneros tradicionais e o equilíbrio entre humor e drama. A conversa também revela os bastidores da colaboração com Gosling e a busca por uma narrativa universal, capaz de conectar plateias ao redor do mundo por meio de emoções compartilhadas.
Cine Set – Ryan Gosling é conhecido por sua versatilidade, transitando com facilidade entre a comédia e o drama. O que mais te surpreendeu ao trabalhar com ele em Project Hail Mary?
Phil Lord – Acho que foi justamente o nível de cuidado. É difícil pensar em algo que seja uma surpresa no sentido tradicional, porque tudo nele é muito pensado. Mas, ao mesmo tempo, é impressionante ver o quanto Ryan se dedica a cada detalhe. Foi um privilégio ser beneficiado por alguém que pensa de forma tão profunda e criativa sobre todos os aspectos do filme.
Christopher Miller – E isso fica muito claro no resultado. Acho que a grande “surpresa” é perceber que o motivo dele ser tão bom é justamente esse: ele trabalha muito e pensa muito. Não é só alguém que aparece e naturalmente é engraçado ou emocionante. Ele reflete profundamente sobre o personagem, desde o figurino até a dinâmica das cenas, e constrói tudo com muita intenção.
Phil Lord – Total. Existe um desenho muito claro na performance dele. Nada é por acaso. Ele entende o personagem em profundidade e consegue incorporar isso de uma forma que é realmente incrível de assistir.
Cine Set – Como diretores, vocês vêm de projetos de comédia muito fortes, como Anjos da Lei e Uma Aventura LEGO. Em Devoradores de Estrelas, o humor ainda está presente, mas caminha lado a lado com o drama. O que vocês mais gostaram de explorar nesse lado mais dramático?
Phil Lord – A gente sempre acredita que toda grande comédia faz você chorar e todo grande drama faz você rir. Essas coisas acabam se reforçando. Queríamos fazer um filme sobre aquilo que temos em comum — não só entre nós aqui na Terra, mas até com pessoas de outros planetas. E uma das formas de sentir isso é dentro de uma sala de cinema, onde todo mundo ri e chora nas mesmas situações, independentemente da língua ou de onde veio. A gente exibiu o filme ao redor do mundo e viu isso acontecer. Também queríamos que os conflitos fossem grandes e reais o tempo todo, sem diluir em várias pequenas tensões.
Christopher Miller – E isso vem muito da própria vida. Nos momentos mais dramáticos, muitas vezes também existe humor. Isso acontece comigo o tempo todo. Essa mistura não é artificial — ela faz parte da condição humana. Quando você traz isso para a narrativa, tudo fica mais verdadeiro e mais próximo do público.
Cine Set – Recentemente, vimos um filme de ficção científica ganhar o Oscar de Melhor Filme, e este ano um filme de terror pode fazer o mesmo. Você acha que as premiações e a crítica estão mudando sua visão sobre esses gêneros ou é apenas um caso isolado?
Phil Lord – No fim das contas, essas decisões passam muito pelo que nos inspira. A gente sempre se conecta com filmes que têm vozes únicas, que não estão presos a um gênero específico. São obras muito autorais, bem realizadas, com um ponto de vista claro. E, de certa forma, queríamos que esse filme seguisse esse caminho também.
Christopher Miller – Sim, a ideia era justamente não encaixar o filme em uma caixa. A gente gosta de pensar nele como algo fora de gênero, porque ele realmente não parece pertencer a um formato tradicional. E acho que isso é parte do que o torna especial — ele não soa como “mais do mesmo”.














