De “Coringa: Delírio a Dois” até “The Room Next Door”, Caio Pimenta lista 10 filmes para ficar atento durante o Festival de Veneza 2024.

BRASIL EM VENEZA

O Brasil estará com dois grandes candidatos em Veneza: “Ainda Estou Aqui” participa da disputa principal pelo Leão de Ouro, corrida que o país não participa desde 2001 com “Abril Despedaçado”, do próprio Walter Salles. Já falei bastante sobre todo o potencial do filme aqui no canal. 

Outro candidato brasileiro é “Apocalipse nos Trópicos”, concorrente na disputa de documentários em longas-metragens. A produção é o novo filme da Petra Costa, consagrada por “Democracia em Vertigem”, e trata sobre a ascensão do movimento neopentecostal no Brasil até a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência com todos os riscos que isso traz. O longa também está confirmado no Festival de Nova York e, se sair bem em ambos, deve atrair alguma distribuidora forte para ganhar tração rumo ao Oscar. Vamos torcer. 

DE MICHAEL KEATON A DANIEL CRAIG

“Os Fantasmas Ainda se Divertem” será o filme de abertura de Veneza. Se é difícil acreditar muito no Tim Burton após uma série de produções poucos interessantes nos últimos anos, sempre é possível confiar no Michael Keaton. Para além da expectativa natural de sabermos se a continuação é boa ou não, mirando o Oscar, vejo mais possibilidades mesmo nas categorias técnicas, especialmente, Figurino, Direção de Arte e Efeitos Visuais. 

Depois de mudanças profundas no elenco por conta da pandemia, “The Brutalist” será lançado na corrida principal de Veneza. O épico de 3h30 mostra a vida de um casal fugindo da Europa no pós-guerra rumo aos EUA. O sonho do american way of life, entretanto, muda quando conhecem um milionário. Adrien Brody, Felicity Jones, Guy Pearce, Alessandro Nivola e Stacy Martin estão no elenco. A obra é o novo filme do Brady Corbet, um ator que migrou da atuação para a direção, mas, que provocou reações mistas com “Vox Lux”. Oir ussim “The Brutalist” chega com a expectativa de ser a prova dos nove para ele. 

Já “Queer” chegará a Veneza com dois grandes intuitos: o primeiro é comprovar o grande ano do Luca Guadagnino. O cineasta italiano já lançou “Rivais”, um dos poucos filmes que conseguiram uma boa repercussão no primeiro semestre de 2024. O segundo é o Daniel Craig: o astro busca deixar de lado a sombra de James Bond e se firmar como “ator sério” – seja lá o que isso queira significar – a ponto de concorrer ao Oscar. Para tanto, ele encarna William Lee, alter-ego do escritor William S. Burroughs, na Cidade do México nos anos 1950. A entrega do ator nas cenas de sexo e a coragem de se jogar no personagem foram bastante elogiadas pelo diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera. Se tudo der certo, Craig deve se colocar como um dos nomes certos para Melhor Ator. 

DISPUTA PESADA EM MELHOR ATRIZ

Na corrida por Melhor Atriz, a disputa pelo Leão de Ouro apresenta grandes alternativas. “Maria” chega com a missão de consagrar a Angelina Jolie. O diretor chileno Pablo Larraín lançou na Itália duas obras que levaram suas protagonistas à corrida do Oscar: “Jackie” com a Natalie Portman e “Spencer” com a Kristen Stewart. A cinebiografia da Maria Callas, a lendária cantora de ópera, é o típico filme ideal para tal missão. 

“The Room Next Door” é a esperada estreia do Pedro Almodóvar em filmes de língua inglesa. Para tanto, ele estará ao lado de Julianne Moore e Tilda Swinton, apenas duas das maiores atrizes norte-americanas da atualidade. Se tudo der certo, a produção deve colocá-las no radar dos prêmios de fim de ano e, claro, no Oscar 2025 assim como o espanhol. Vale lembrar que a última vez que o Almodóvar esteve em Veneza foi lançando “Mães Paralelas”, pelo qual a Penélope Cruz foi indicada a Melhor Atriz.  

POUCAS EXPECTATIVAS

Será que agora vai? Esta é a pergunta para o Justin Kurzel, diretor de filmes que ficaram no quase como “Macbeth”, “Assassin´s Creed” e “A Verdadeira História de Ned Kelly”. Ele chegará na corrida pelo Leão de Ouro com “The Order”. O policial mostra a investigação de um solitário agente do FBI para provar que terroristas domésticos eram responsáveis por uma série de assaltos a bancos. Jude Law, Tye Sheridan e Nicholas Hoult estão no elenco.  

“Wolfs” também é outro filme que não inspira muito confiança. O projeto da Apple sobre dois sujeitos solitários dividindo um trabalho traz o Brad Pitt e George Clooney no elenco. Apesar da dupla remeter ao ótimo “Onze Homens e um Segredo”, a má fase do segundo impede qualquer expectativa mais alta. Ser um filme dirigido e roteirizado pelo Jon Watts, responsável pelo três últimos Homem-Aranha, dá soninho. A torcida é para que seja uma surpresa entre os filmes fora de competição. 

Se Cannes prestigia o cinema francês, naturalmente, Veneza joga luz sobre a produção italiana. A mais interessante é “Sicilian Letters”: o novo longa de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, diretores do excelente “Salvo”, se passa durante três décadas do comando de Matteo Messina à frente da Cosa Nostra. O Toni Servillo, claro, está no elenco do projeto. 

O MAIS AGUARDADO

Por fim, “Coringa 2” tenta fazer história como a primeira continuação a levar o Leão de Ouro. A superprodução do Todd Philips terá os maiores holofotes de todo o festival já que será a primeira exibição pública. Para o Oscar, será a vez de confirmar as chances do longa nas categorias principais, incluindo, Melhor Filme, Direção, Ator, Roteiro Adaptado e, claro, para a Lady Gaga, iniciando um debate se ela irá para atriz ou atriz coadjuvante. 

Veneza abriu as portas para o cinemão americano desde 2017 com “A Forma da Água”, estabelecendo-se como um chamariz para possíveis candidatos ao Oscar. Logo, não acho impossível “Coringa 2” sair ganhador novamente. Tudo dependerá do júri liderado pela Isabelle Huppert e que conta com as presenças do James Gray e do brasileiro Kleber Mendonça Filho.