Se um minuto é uma eternidade para quem está sofrendo, 75 minutos são o quê? Algo próximo a um crime de guerra. O que aquele longa de Flávio Rogério e Wesley Pereira de Castro tem de humano, este “Nem Deus É Tão Justo Quanto Seu Jeans” tem de afetado.
De fato, as semelhanças entre as duas obras são meramente superficiais — a saber, os títulos rocambolescos e a mesma palavra-chave: depressão. Agora, uma diferença que parece esclarecedora: “Um Minuto” foi rodado no casebre escuro de seu protagonista, enquanto aqui estamos em uma casa relativamente ampla e arejada de classe média — se bem que simples, é verdade. É a pista inicial para entendermos que o que temos neste filme é uma certa deprê de grife, bem cool.
É preciso voltar ao filme de Rogério e Castro (quando reféns de uma chatice qualquer, a nossa mente vagueia para lugares mais felizes): ali, não há subterfúgio algum, ou seja, não há redes de segurança. O protagonista precisa reinventar o próprio mundo constantemente ou então cair no abismo. Já neste longa de Sérgio Dias, tudo que há são poses, artifícios, uma distância cada vez maior. Até mesmo a imagem granulada serve de cortina.
Eis então nosso protagonista, Marcos, bonito e gélido, cujo laudo médico supostamente justifica seu ar blasé. Seu grande drama é cuidar do cachorro da irmã por algumas semanas, enquanto é assombrado pelo fantasma (literalmente) do seu ex-namorado e mantém uma distância segura do parceiro atual. Ao longo do percurso, teremos uma pletora de platitudes proferidas por esse slacker maconheiro (nada contra) chatonildo emocionalmente atrofiado de olhos perpetuamente semicerrados.
Suas falas pretensiosas e estilizadas certamente mostram que Dias, também roteirista do longa, tem uma voz distinta — só não é uma das mais interessantes. Todos seus personagens se comunicam ora por frases de adolescente angustiado do Tumblr, ora por poemas de status de WhatsApp.
Isso, é claro, se nos pautarmos pela pobreza de espírito de seus personagens e pelas afetações verborrágicas que ditam suas vidas. Qual é a dor que Dias tenta imprimir à obra? Qual é sua grande angústia? Se seu filme pode contar com pontas de luxo de Helena Ignez e Mariana Ximenes, talvez você já tenha vencido. Um pouco mais de tesão, por favor.
A classe média narcisista que gosta de se lamuriar do alto de sua solidão auto-imposta e que romantiza os boletos vai adorar o olhar deprê-chic do diretor.











