Infelizmente, não foi desta vez: Fernanda Torres não ganhou o Oscar de Melhor Atriz. A vitória ficou com Mikey Madison.

Neste novo vídeo do Cine Set, eu explico os motivos que levaram a esse resultado.

MOTIVO 1: EXCEPCIONAL TRABALHO

Se a derrota de Fernanda Montenegro para Gwyneth Paltrow no Oscar de 1999 ainda machuca por conta da atuação nada inspirada da estrela de “Shakespeare Apaixonado”, desta vez, o resultado tende a ser menos doloroso com o passar dos anos. Afinal, basta assistir a Mikey Madison em Anora para compreender que a vitória dela é justa.

A californiana de 25 anos hipnotiza o público pela beleza logo na cena de abertura. Mas Mikey vai além e constrói uma figura ambígua: Ani sabe que aquele conto de fadas pode acabar a qualquer momento e deseja se aproveitar ao máximo disso. E com um moleque com grana para dar e vender, por que não? Isso, entretanto, não a impede de ter seus sonhos mais românticos de até se casar. Não demora muito para tudo mudar e a personagem se ver em meio a uma loucura inacreditável.

Madison traz essas nuances de maneira impressionante, criando uma personagem multifacetada, imprevisível e que, ironicamente, se vê como símbolo do tratamento dado pelos ricos aos mais pobres.

MOTIVO 2: A FORÇA DE ANORA NA TEMPORADA

O segundo motivo para este resultado é a força de “Anora” na temporada. Desde a vitória no Festival de Cannes, o longa de Sean Baker está em alta, com grande visibilidade. Depois de um começo hesitante, a produção da Neon passou por cima dos rivais, especialmente no fim de semana em que ganhou o Critics, DGA e PGA. A conquista do Bafta colocou Mikey Madison também no páreo de Melhor Atriz, para duelar contra Demi Moore e Fernanda Torres.

Vale lembrar que, recentemente, tivemos duas atrizes que ganharam a categoria por obras que levaram Melhor Filme: Frances McDormand, por “Nomadland”, e Michelle Yeoh, de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. Antes delas, a última vez foi com Hillary Swank, por “Menina de Ouro”, duas décadas atrás.

MOTIVO 3: PREFERÊNCIA DA ACADEMIA POR JOVENS, BELAS E TALENTOSAS ESTRELAS

Diferente de Melhor Ator, onde a Academia prestigia nomes mais maduros, Melhor Atriz traz um perfil de, eventualmente, consagrar jovens estrelas.

Neste século, Jennifer Lawrence venceu por “O Lado Bom da Vida” (2013) com 22 anos, Brie Larson com 26 anos por “O Quarto de Jack” (2016) e Emma Stone com 28 anos por “La La Land: Cantando Estações” (2017).

Antes delas, Gwyneth Paltrow, Jodie Foster e Marlee Matlin também venceram antes dos 30 anos.

Com 25 anos, Mikey Madison entra para esse time também e mostra como a Academia gosta de prestigiar novas estrelas, apontando para o futuro da indústria.

MOTIVO 4: PONTOS FRACOS DAS RIVAIS

Por fim, os pontos fracos da concorrência favoreceram a estrela de “Anora”.

Ainda que seja uma estrela querida e com uma atuação aclamada, Demi Moore enfrentou resistências com “A Substância”, um terror gráfico demais para conseguir uma convergência grande para ela na hora da votação. Isso, mesmo com a vitória no SAG.

Já a nossa Fernanda Torres, por mais brilhante que tenha sido a campanha, ainda enfrenta a dificuldade de estar em uma obra brasileira e falada em português, o que coloca enormes barreiras de visibilidade.

Neste sentido, “Anora” encarou muito menos dificuldades para ser visto até o final pelo maior número de votantes da Academia, ajudando na conquista de Mikey Madison neste Oscar 2025.