Não tinha como ser diferente: depois de levar o Spirit Awards e os prêmios dos sindicatos dos produtores e diretores, Anora se sagra o grande vencedor do Oscar 2025, conquistando Melhor Filme.

Neste novo vídeo, vou falar sobre as razões que levaram a este resultado.

https://youtu.be/MezbmBEBHmo

MOTIVO 1: QUALIDADE DO FILME

Antes de tudo, é preciso destacar as virtudes de Anora, um filmaço do Sean Baker.

O ganhador de Melhor Filme traz vários filmes em um só. Começa como um conto de fadas, passa por uma comédia romântica, depois se transforma em uma verdadeira screwball comedy até culminar em um drama. Tudo repleto de ironia e caricatura, com uma grande dose de anarquia. Isso sem esquecer a luta de classes, com os ricos pisando nos mais pobres, lembrando bastante Parasita nesse sentido. Para completar, um elenco excelente, liderado por Mikey Madison, em estado de graça.

Para quem é mais conservador ou tradicionalista, certamente a vitória de Anora desagrada bastante, mas, na minha visão, é o maior acerto da Academia desde o resultado de Parasita.

MOTIVO 2: CRESCIMENTO NA HORA CERTA

O segundo fator que levou à vitória de Anora foi saber crescer na hora certa.

Depois da vitória em Cannes, Anora começou a temporada de premiações muito bem, recebendo o reconhecimento dos críticos e sendo eleito o filme do ano pelos profissionais de Los Angeles. O Globo de Ouro, porém, acendeu o alerta ao sair sem nada. Quando foi para as premiações da própria indústria, não deu a menor chance: levou o DGA, PGA, WGA, Spirit Awards, além do Critics Choice.

Sair ganhando tudo em uma temporada que até então não tinha um grande favorito foi suficiente para consolidá-lo na dianteira.

MOTIVO 3: CAMPANHA COM LEMA PRECISO

A Neon deu um show na campanha de Anora com apenas uma frase: “Follow your Heart” (‘siga seu coração’).

O lema pegou e fez Hollywood abraçar a produção de Sean Baker. Todas as peças publicitárias e a própria imprensa compraram a narrativa de que se tratava de uma produção impossível de não gostar, pela capacidade de falar com públicos de todos os tipos.

Virou uma avalanche, como aconteceu com “Coda” e Parasita, produções que conquistaram a indústria ao longo da temporada.

MOTIVO 4: RIVAIS FRAGILIZADOS

A fragilidade dos rivais também favoreceu Anora. Para além da polêmica da inteligência artificial, O Brutalista, com suas quatro horas de duração somadas à temática difícil que trata, dificilmente conseguiria o consenso necessário da Academia.

Emilia Pérez teria os problemas enfrentados por ser um musical, mas despencou completamente devido à polêmica envolvendo Karla Sofia Gascón.

Enquanto Conclave simplesmente não decolou, Wicked tem a próxima temporada para ser um forte candidato à vitória.

MOTIVO 5: VITÓRIA DO CINEMA INDEPENDENTE

Anora também marca uma conquista do cinema independente norte-americano, do qual Sean Baker é o maior celebrado da atual geração. A Academia sempre demonstrou apreço por esse tipo de produção mais barata – custou apenas US$ 6 milhões – que consegue ser criativa a ponto de dar um pouco de oxigenação a uma Hollywood tão avessa ao risco. Foi assim na década passada com “Moonlight” e no final dos anos 1990.

Por fim, a credencial oferecida pelo júri conduzido por Greta Gerwig no Festival de Cannes, ao conceder a Palma de Ouro contra todos os prognósticos para Anora, ajudou o filme a ganhar mais visibilidade e ser levado a sério logo no início da temporada. Talvez, se não fosse a conquista de maio do ano passado, a produção tivesse sido recebida com mais desconfiança e com menor investimento da Neon.