Poucas estrelas de Hollywood são tão conhecidas ao redor do planeta como a Demi Moore. São mais de quatro décadas de uma carreira marcada por altos e baixos, clássicos e bombas do mundo do cinema. E isso sem contar ser uma das atrizes mais bonitas de todos os tempos com uma vida pública acompanhada com bastante atenção pela mídia. 

Mesmo assim, até hoje, a Academia nunca se rendeu a ela: por incrível que pareça, a Demi Moore nunca foi indicada ao Oscar. O cenário, entretanto, pode mudar no ano que vem: a estrela chega com boas possibilidades de nomeação por “A Substância”, perturbador novo filme de Coralie Fargeat exibido no último Festival de Cannes e cercado de elogios. 

Neste novo vídeo do Cine Set, eu falo sobre os fatores que podem levar a Demi Moore finalmente a concorrer ao Oscar. 

DO AUGE À QUEDA

Chega a ser estranho pensar como a Demi Moore nunca foi indicada ao Oscar visto que a Academia nunca deixa passar a possibilidade de prestigiar os nomes mais conhecidos de Hollywood. O início dos anos 1990 foi uma grande oportunidade para que isso pudesse ter ocorrido. 

Após uma série de comédias românticas e séries bobinhas, a Demi Moore alcançou a fama mundial com “Ghost”. Formando uma boa dupla com o Patrick Swayze, ela integra um dos casais mais marcantes da história do cinema. A indicação ao Globo de Ouro e todo o carinho do longa permitiram a ela sonhar, porém, a estrela não contava com outro fenômeno despontando: Julia Roberts passou o trator e acabou ficando com a vaga por “Uma Linda Mulher”. 

A Demi Moore teve outra chance com “Questão de Honra”, drama de tribunal estrelado pelo Tom Cruise e Jack Nicholson. Novamente o filme foi indicado na categoria máxima, mas, ela ficou sem nada tanto em Melhor Atriz como Atriz Coadjuvante. A bem da verdade, aqui não fez falta, pois, o papel dela, ainda que importante, acaba sendo bem mal desenvolvido pelo roteiro do Aaron Sorkin. 

Ainda nos anos 1990, a estrela participou de produções que inicialmente apontavam boas chances mirando o Oscar como “Proposta Indecente”, “Assédio Sexual” e “A Letra Escarlate”. Nenhum deles, infelizmente, acabou vingando e a Demi Moore passou bem longe do Oscar. 

De qualquer modo, ela estava em alta, fazendo filmes ambiciosos e importantes. A sensação é que não tardaria para que a indicação viesse. Todo este cenário mudou em 1996. 

“Striptease” foi o “Ghost” ao contrário da Demi Moore: indeciso sobre ser um drama, policial ou comédia, a produção do Andrew Bergman foi cruelmente malhada pelos críticos, sendo considerado, na época, um dos piores filmes de todos os tempos. A grande pergunta era como uma atriz em um momento tão bom aceitou participar desta bomba. 

O desastre de “Striptease” foi tão pesado que nem mesmo estrelar “Até o Limite da Honra”, de Ridley Scott, um diretor então conhecido por trazer grandes personagens como protagonistas, foi capaz de amenizar o impacto. Seria esta a última grande chance dela disputar o Oscar. Daí em diante, a Demi Moore diminuiu o ritmo, fazendo filmes pontuais como o segundo “As Panteras” e os dramas “Bobby” e “Margin Call”.  

A VOLTA POR CIMA

Neste sentido, “A Substância” foi recebido com tamanho entusiasmo por trazê-la de volta a um status de onde jamais deveria ter sido. 

O terror da Coralie Fargeat traça paralelos com a própria trajetória da Demi Moore ao mostrar os dilemas impostos a mulheres públicas. Da eterna juventude à necessidade de obedecer a um padrão de beleza, “A Substância” se propõe a mostrar o caráter doentio de uma sociedade e como isso enlouquece a pessoa afetada. 

Este tipo de correlação a partir de debates sobre machismo e etarismo tende a ser muito bem-visto pela Academia, afinal, é Hollywood e o showbusiness falando de si mesma com todas as suas qualidades e virtudes. Somando isso a corrigir uma possível injustiça ocorrida contra a Demi Moore de nunca ter sido indicada ao Oscar e, principalmente, por representar uma espécie de justiça por tudo que ela sofreu cria um combo interessante ao redor dela. 

MIRANDO A ACADEMIA

A narrativa de volta por cima, aliás, é adorada pela Academia. 

Renée Zellweger e Brendan Fraser são bons exemplos recentes disso.

O Oscar de “Judy” trouxe de volta a texana após uma fase marcada por polêmicas relacionadas ao visual da estrela e de poucos filmes. Interpretar uma lenda do cinema contribuiu para o hype.

Já o Melhor Ator da temporada 2023, após um período de consagração com “A Múmia” e “George, O Rei da Floresta”, enfrentou até caso de assédio. Fez o comeback com uma transformação impressionante para viver o protagonista de “A Baleia”. 

Para Demi Moore sonhar com o Oscar, porém, ela precisará superar dois grandes empecilhos. 

“A Substância” não é o tipo de filme mais abraçado pela Academia. Mesmo com grandiosas atuações no terror, Toni Collette, Florence Pugh e Lupita Nyong´o foram esquecidas no Oscar. A resistência de muitos membros a assistir ao filme pode ser decisivo para diminuir as chances de Demi Moore. 

Neste sentido, vale olhar a concorrência em Melhor Atriz: Karla Sofia Gascón, de “Emilia Perez”, e Mikey Madison, por “Anora”, saíram de Cannes muito fortes. Saoirse Ronan, por “The Outrun” e “Blitz”, Julianne Moore, de “The Room Next Door”, Angelina Jolie de “Maria” e Zendaya, de “Rivais”, são possibilidades reais para ficar de olho. Ainda temos a indefinição para qual categoria Lady Gaga vai. E fica a torcida pela Fernanda Torres crescer com “Ainda Estou Aqui’. 

Como nos últimos anos, Melhor Atriz tende a ser uma das categorias mais disputadas, logo, restará a Demi Moore superar todas as candidatas. Ainda assim, por todo histórico e a força de “A Substância”, acredito que ela tem potencial para ficar com uma das cinco vagas.