Caio Pimenta traz uma nova lista de candidatos ao Oscar 2026 com destaque para os novos filmes de Jennifer Lawrence, Jodie Foster e Scarlett Johansson.
Rose Byrne surpreende e entra na corrida pelo Oscar de Melhor Atriz
Conhecida por “Missão Madrinha de Casamento” e uma série de comédias, Rose Byrne surpreendeu no último Festival de Berlim com If I Had Legs I’d Kick You. No filme, ela interpreta uma terapeuta vivendo o pior dos cenários: filha doente, marido ausente e um buraco no teto de casa. Resta-lhe mudar-se para um motel, o que agrava ainda mais a relação com a filha e sua própria saúde mental.
Pela atuação, Byrne conquistou o prêmio de Melhor Interpretação Feminina na Berlinale, o que naturalmente a coloca na disputa pelo Oscar. Além disso, Conan O’Brien — apresentador da cerimônia deste ano — também recebeu elogios por sua atuação dramática como o terapeuta da protagonista.
Distribuído pela A24, o drama dirigido por Mary Bronstein será lançado no segundo semestre. A aposta é que o filme surja como uma terceira ou quarta opção do estúdio na corrida pelo Oscar, podendo crescer se os favoritos não corresponderem.
Kathryn Bigelow pode voltar ao Oscar com thriller político da Netflix
Primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção, Kathryn Bigelow está de volta com um novo projeto: um thriller político ambientado em tempo real na Casa Branca durante uma crise de mísseis.
Idris Elba e Rebecca Ferguson lideram o elenco, que ainda conta com Greta Lee e Anthony Ramos. O roteiro é assinado por Noah Oppenheim, de Jackie. Embora a Netflix prometa o lançamento ainda este ano, não há confirmação oficial.
Bigelow tenta recuperar o prestígio conquistado com Guerra ao Terror e A Hora Mais Escura. Seu último filme, Detroit em Rebelião (2017), passou despercebido. Agora, pode ser a chance de um retorno triunfal.
Jodie Foster protagoniza thriller francês e volta aos holofotes
O thriller psicológico Vie Privée, exibido fora de competição no Festival de Cannes, marca o retorno de Jodie Foster ao cinema francês após duas décadas. Ela interpreta uma psiquiatra renomada que investiga a morte de uma paciente, considerada suicídio pela polícia — mas ela desconfia de algo mais.
A direção é de Rebecca Zlotowski (Os Filhos dos Outros) e a Sony Pictures Classics já adquiriu os direitos para os EUA, mirando a temporada de premiações.
Após sua indicação por Nyad e vitória no Globo de Ouro por True Detective, Foster volta com força total à corrida pelo Oscar.
Kristen Stewart e Scarlett Johansson estreiam na direção no Festival de Cannes
O Festival de Cannes também será palco para duas estreias aguardadas de gigantes de Hollywood na direção de longas-metragens de ficção. Ambas na Um Certo Olhar, a mostra paralela mais importante do evento francês.
Indicada ao Oscar por “Spencer”, a Kristen Stewart lança “A Cronologia da Água”, drama sobre uma jovem nadadora lidando com traumas familiares, vícios e questões de identidade. A redenção chega através da escrita, tornando-se um dos principais nomes da literatura da atualidade. O filme é baseado nas memórias de Lidia Yuknavitch.
Além da direção, a Kristen Stewart também é uma das roteiristas do filme. A Academia gosta demais de estrelas que se arriscam para além da atuação – Robert Redford com “Gente como a Gente”, Kevin Costner com “Dança com Lobos”, Clint Eastwood com “Os Imperdoáveis” e Ben Affleck com “Argo” que o digam.
“A Cronologia da Água”, porém, parece ser uma obra pesada demais para os padrões da Academia – própria diretora afirmou que certamente será uma obra incômoda. Então, isso pode pegar mirando pretensões maiores no Oscar.
Já a Scarlett Johansson chega em Cannes com “Eleanor the Great”. A história mostra a mudança da Flórida para Manhattan de uma senhora de 95 anos de idade após a morte da melhor amiga.
Vivendo grande momento, a June Squibb será a protagonista do filme. Pode ser uma forma da Academia e da própria indústria reconhecer a excelente atriz após tê-la esnobada injustamente pelo grande desempenho em “Thelma”. A distribuição nos EUA será uma parceria entre a TriStar Pictures e Sony Pictures Classics, a primeira entre os dois estúdios.
Diferente da “A Cronologia da Água”, vejo mais futuro para “Eleanor the Great” beliscar algo no Oscar. De qualquer forma, o cenário ficará mais claro com as exibições na França.
Sound of Falling representa forte aposta da Alemanha ao Oscar Internacional
Com cinco indicações nos últimos 10 anos, a Alemanha é um país para ficar muito atento em Melhor Filme Internacional. E o candidato pode sair do Festival de Cannes: “Sound of Falling” está na corrida pela Palma de Ouro e chega bastante prestigiado.
O drama acompanha quatro mulheres entre as décadas de 1950 e 1980 em uma área rural da Alemanha. Mesmo separadas pelo tempo, elas enfrentam traumas parecidos de um local com segredos terríveis. A direção e o roteiro ficam por conta da Mascha Schilinski.
Pela sinopse, é impossível não lembrar de “Entre Mulheres” e “A Fita Branca”, porém, o roteiro já foi premiado em 2023 por ser considerado extremamente complexo e a distribuidora mk2 Films, a mesma de “Anatomia de uma Queda”, desembolsou uma boa grana para comprar os direitos de comercialização do longa. Então, fiquem muito de olho: se sair bem de Cannes, promete ser uma pedra no sapato no Oscar.
Jennifer Lawrence pode disputar seu segundo Oscar com drama psicológico
Se a Emma Stone já tem duas estatuetas na conta dela, por que a Jennifer Lawrence não pode sonhar com o mesmo feito? A estrela protagoniza “Die, My Love”, novo filme da Lynee Ramsay, a mesma diretora de “Precisamos Falar sobre Kevin”.
Igual “Sound of Falling”, “Die, My Love” também se passa em uma fazenda. Lá, a Lawrence interpreta uma jovem mãe lutando para manter a sanidade em meio a uma psicose. Um dado curioso é que a história é baseada no romance “Mátate, amor”, da escritora argentina Ariana Harwicz.
A Jennifer Lawrence, aliás, estará muito bem acompanhada: ela faz com o Robert Pattinson e o elenco ainda conta com o LaKeith Stanfield, Sissy Spacek e Nick Nolte. “Die, My Love” se inspira em clássicos como “Repulsa ao Sexo” e “O Bebê de Rosemary”.
Para o Oscar, fica a dúvida sobre se a Ramsey consegue desta vez dobrar a Academia: a diretora possui um estilo muito cru e não poupa o público em nada. “Precisamos Falar sobre Kevin” e “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” por mais brilhantes atuações que tivessem da Tilda Swinton e Joaquin Phoenix, respectivamente, foram ignorados. Caberá à Lawrence tentar um destino diferente.
Kelly Reichardt e a chance de redenção com The Mastermind
Falando de diretora esquecida pelo Oscar, ninguém se encaixa melhor nesta situação do que a Kelly Reichardt. “Certas Mulheres” e, especialmente, “First Cow” são dois filmaços que a Academia deu de ombros.
Bem, ela não desiste e, agora, chega com “The Mastermind”. No filme ambientado na década de 1970, um artista planeja um roubo de obras de artes em plena luz do dia em meio às tensões políticas dos EUA. Josh O´Connor lidera o elenco que ainda traz a Alana Haim e John Magaro.
A distribuição de “The Mastermind” fica a cargo da MUBI, estúdio que fez milagre ao levar um terror tão pesado como “A Substância” às categorias principais. Sinto que a Academia está louca para reconhecer a Reichardt, pelo menos, com uma indicação. O ponto de partida mais comercial com o cinema elegante dela pode ser a combinação perfeita para isso acontecer.
Nia DaCosta aposta em clássico de Ibsen com elenco negro
Já a diretora e roteirista Nia DaCosta prepara “Hedda”, adaptação para as telas do clássico teatral de Henrik Ibsen.
A Tessa Thompson interpreta a personagem título, filha de um general presa em um casamento sem amor e em uma casa hostil. Basta a chegada de um ex-amante para conflitos internos sobre desejo, liberdade e identidade explodirem nela.
Com distribuição da Amazon MGM Studios, o filme está previsto para estrear em outubro nos cinemas dos EUA. Logo, há chances de vê-los nos festivais do segundo semestre. A Nia DaCosta busca se recuperar após o fracasso de “As Marvels” nas bilheterias. Neste momento, a vejo correndo por fora na briga pelo Oscar.
Celine Song dirige triângulo amoroso estrelado por Dakota Johnson, Pedro Pascal e Chris Evans
E para fechar, uma comédia romântica que promete ser a mais sexy da temporada.
Afinal, quem mais pode reunir Dakota Johnson, Pedro Pascal e Chris Evans no mesmo elenco? “Materialists” traz a Dakota interpretando uma mulher especialista em reunir casais, mas, que não consegue achar um par para si. A situação, claro, muda ao encontrar um solteiro rico e encantador no mesmo dia em que se depara com o bonitão do ex. Triângulo amoroso perfeito.
Vinda do excelente “Vidas Passadas”, a Celine Song é a diretora do filme. “Materialists” é a aposta da A24 para o verão americano, estratégia ousada para uma comédia romântica, gênero que praticamente desapareceu dos cinemas nos últimos anos.
Se for um sucesso de público e crítica, acho difícil não ver “Materialists” no Oscar 2026. Ganhar, talvez, seja difícil, mas, as indicações sinto que são bem possíveis.





















Jane Campion é a primeira mulher a vencer o oscar de melhor direção em 1994 por O Piano e a única a vender duas vezes. Ganharia depois por Ataque de Cães.