The Incomer, produção do Reino Unido que recebeu prêmio de inovação no Festival de Sundance 2026, é uma comédia bizarra que fala sobre isolamento e a possibilidade de se abrir para uma nova vida. E tem também um homem-peixe e um grupo de estranhos usando fantasias de ave – ou algo assim. A produção consegue ser divertida e até emocionante.
O longa do diretor/roteirista estreante Louis Paxton assume tom de fábula logo no início: era uma vez dois irmãos, um rapaz e uma moça, que moram sozinhos numa ilha na costa da Escócia. Eles herdaram um modo de vida, digamos, peculiar dos pais, habitando um casebre e vivendo da natureza. Até que um dia, o governo escocês inventa de desapropriar a casa deles e ficar com a ilha, ao mesmo tempo garantindo uma realocação para ambos até o continente. Um agente vai até a ilha para tentar convencê-los a sair, mas a convivência não sai como esperado, para dizer o mínimo.
É um filme estranho sobre gente esquisita: Domhnall Gleeson, o nome mais conhecido do elenco, faz o forasteiro, o sujeito nerd enviado para a ilha e que não faz ideia da encrenca na qual se meteu. O ator conquista pela simpatia natural, mas aos poucos a nerdice – em especial sua paixão por O Senhor dos Anéis – e suas modernidades o fazem se tornar uma presença disruptiva em meio aos dois irmãos. Afinal, eles nunca sequer viram um celular…
Já os irmãos são vividos pelos impagáveis Grant O’Rourke e Gayle Rankin. Esta, especialmente, tem uma atuação divertidíssima como a mulher fera que, aos poucos, é amaciada pelo rapaz de um mundo distante. Mas de fato todos os personagens acabam passando por transformações, uma delas sendo até mesmo comovente e inesperada.
Com direito a uma trilha sonora dissonante e até perturbadora em alguns momentos e interlúdios animados, The Incomer cria uma atmosfera bizarra de comédia da qual o espectador não sabe exatamente se deveria rir. Paxton realmente demonstra ter um toque excêntrico na condução da história, embora acabe se rendendo a resolver a história de uma forma talvez um pouco “fofinha” demais.
The Incomer acaba se inserindo na tradição de histórias excêntricas sobre o modo de vida de ilhas e comunidades isoladas do Reino Unido, que já renderam desde o clássico do terror O Homem de Palha (1973) até o recente Os Banshees de Inisherin (2022). Não chega a ser tão bom quanto esses, mas sua peculiaridade e seu senso de humor diferenciado o tornam uma produção interessante e divertida, para quem busca uma comédia com sabor fora do comum. Afinal, todo mundo é meio estranho mesmo quando visto de perto, não é mesmo?











