Doze filmes divulgam a vaga brasileira rumo ao Oscar 2025. O anúncio dos seis semifinalistas acontece no dia 16 de setembro e uma semana depois veio a aguardada escolha.
Sim, são datas tardias, bem longe do ideal, mirando uma campanha para o Oscar, fruto de um descaso histórico da Academia Brasileira de Cinema para a escolha.
Miopia a parte, chegou a hora de analisar o potencial dos candidatos.
SEM CHANCES
Cinco dos 12 filmes brasileiros candidatos à vaga no Oscar não tem a menor chance.
São os casos dos dramas “A Metade de Nós”, “Ninguém Sai Vivo Daqui”, “Saudade Fez Morada Aqui Dentro”, “Vermelho Monet” e o documentário “Votos”.
Nenhum deles alcançou uma carreira internacional tão consagradora nos festivais internacionais para ser colocado no radar da premiação, fora que teriam grandes dificuldades do ponto de vista financeiro para fazer uma campanha para chegar.
É importante dizer que isso não significa em hipótese alguma que estas produções são ruins; longe disso. Trata-se apenas de uma análise dos critérios que podem levar a comissão brasileira a escolher o indicado. Não basta um filme ser muito bom para ser o nosso representante; é necessária uma carreira consistente nos grandes eventos ao redor do planeta para ter visibilidade.
Ainda assim, estar na lista ajuda a fazer o público correr atrás destas produções, o que é sempre benéfico.
À ESPERA DE UM MILAGRE
Hora de passar para um pelotão à espera de um milagre para conseguir a vaga.
“Estômago 2” chega credenciado com os cinco Kikitos do Festival de Gramado deste ano, ter um elo internacional com a Itália e ser a continuação de um cult brasileiro que conquistou o público ao longo dos anos. Por outro lado, se a estratégia de não indicar o original e sim a continuação foi equivocada com “Tropa de Elite”, imagino que a Academia não vai repetir o erro desta vez.
“Levante” se apoia na causa feminista e na temática do aborto, muito em voga tanto na sociedade brasileira quanto norte-americana, para avançar ao Oscar. Se dá para acreditar por conta da boa recepção no Festival de Cannes do ano passado ao vencer o prêmio da crítica, por outro lado, o filme parece ter perdido o timing após ter sido lançado em fevereiro de 2024 no circuito comercial.
Igual ao longa da Lillah Halla, “Sem Coração” aparece também sem muita força. Apesar de bastante elogiado, o filme dá a sensação de que poderia ter estado na lista do ano passado, quando vinha do Festival de Veneza.
Por fim, “O Sequestro do Voo 375” pode até jogar com a grife internacional que carrega por ser Star Original Productions, do selo Disney, carregar uma narrativa mais clássica com muito capricho estético e uma história real inusitada, mas, pouco conhecida. A carinha muito hollywoodiana, porém, deve enfrentar resistência dentro da própria comissão e criaria muita polêmica no próprio país. Não creio que a Academia brasileira compraria este tipo de briga.
CHANCES MÉDIAS
Os próximos dois candidatos chegam com chances médias para ficar com a vaga brasileira.
“Motel Destino” teve a vitrine da seleção principal do Festival de Cannes, mas, não conseguiu se firmar como esperado. A crítica nem aclamou nem rechaçou o thriller erótico do Karim Ainouz. Sair sem prêmio de lá ampliou a sensação de ter ficado no meio do caminho.
Na frente dele, porém, temos “Cidade; Campo”: o ousado drama rendeu o prêmio de Melhor Direção da Mostra Encontros para a Juliana Rojas, consolidando a cineasta como um nome muito promissor no cenário internacional. Tocar em questões femininas e na tragédia climática favorece o filme, porém, a segunda parte mais cadenciada, onírica e surrealista pode jogar contra o longa pensando em uma campanha pesada como se prenuncia para o Oscar 2025.
FAVORITO
E chegamos ao favorito que não poderia ser outro que não seja “Ainda Estou Aqui”. O drama do Walter Salles já garantiu distribuição no mercado norte-americano pela Sony Pictures Classics, fator fundamental pensando na chance de brigar por indicação e até vitória. O resultado disso foi ter emplacado nos principais festivais deste segundo semestre. Ser a retomada da parceria entre o cineasta e Fernanda Montenegro após o sucesso de “Central do Brasil” forma um combo perfeito.
“Ainda Estou Aqui” somente não será o representante brasileiro se for muito mal em Veneza, recebendo as piores críticas possíveis. Aí, sobra uma possibilidade para “Cidade; Campo” e, depois, “Motel Destino”. Caso o Walter Salles e Fernanda Torres sejam consagrados, pode esquecer: a vaga será deles.
















