Caio Pimenta aponta as principais candidatas e suas chances de indicações para o Oscar 2027 de Melhor Atriz.
POUCAS CHANCES
Grandes atrizes estão com poucas chances na disputa deste ano. Três delas já venceram a categoria em edições anteriores.
Sem indicações ao Oscar nesta década, Meryl Streep seguirá fora da premiação. Apesar de Miranda Presley continuar fascinante, não há o mesmo charme e grau de ineditismo do primeiro “O Diabo Veste Prada”. No máximo, a estrela consegue uma indicação no Globo de Ouro e olhe lá.
Olivia Colman também parece carta fora do baralho com “Wicker”. No filme, ela interpreta uma pescadora nada levado à sério pela comunidade em que vive e se depara com o pedido de ter um marido de vime realizado. A britânica também é produtora da comédia que, neste momento, corre bem por fora na temporada.
Já Mikey Madison, terror dos brasileiros no Oscar 2025, reaparece em “O Outro Lado das Redes”. Na produção do Aaron Sorkin, ela faz uma ex-engenheira do Facebook que decidiu revelar documentos internos da empresa ao Wall Street Journal.
Como venho falando nos últimos vídeos, há uma grande desconfiança em relação a “O Outro Lado das Redes”: mesmo com o grande elenco e um diretor/roteirista dos mais prestigiados da indústria, continuação do já clássico A Rede Social e uma história relevante para os dias atuais, a produção da Sony Pictures não chega à temporada forte suficiente para ser apontada como um dos grandes candidatos ao Oscar. Diante disso, considero Mikey correndo por fora. Talvez o lançamento possa mudar o cenário em caso de boas críticas e elogios do público.
Já Penélope Cruz deve se contentar mesmo com as chances em Atriz Coadjuvante. Em Melhor Atriz, a espanhola chega com poucas chances por “Bunker”. Mesmo com a atuação elogiada, o drama do Florian Zeller passou por Veneza sem deixar maiores marcas. Em um ano tão bom, acredito que a Academia deva concentrar o reconhecimento a ela em “A Bola Negra” e “O Convite”
Depois da decepção com “Wicked 2”, Cynthia Erivo não voltará ao Oscar em 2027. Igual Penélope Cruz, a estrela até foi elogiada por “Prima Facie”, mas a adaptação da aclamada peça passou por Toronto de forma morna. Ainda que a atriz já tenha arrancado uma indicação de forma parecida com “Harriet”, não acredito que o feito se repetirá.
Mike Leigh já emplacou Brenda Blethyn e Imelda Staunton no Oscar de Melhor Atriz. Marianne Jean-Baptiste bateu na trave com “Hard Truths”. Em “Tender Loving Care”, último filme da carreira do britânico, Kate O’Flynn busca esta vaga. Destaque em “O Segredo de Widow´s Bay”, ela já começou a temporada bem ao ser premiada em San Sebástian. Corre por fora, mas pode crescer a partir de uma boa campanha em uma temporada mais morna.
Também mirando surpreender está a Rosalind Eleazar. Protagonista de “Misty Green”, ela faz uma atriz buscando retornar ao topo da carreira, enquanto luta contra o vício em drogas e bebida. O perfil da personagem ajuda, mas a passagem tímida do filme nos festivais de segundo semestre atrapalha demais as chances dela.
Se Daisy Edgar-Jones traz o peso de ser comparada com uma personagem já indicada ao Oscar anteriormente com Emma Thompson na década de 1990, a britânica se apoia no carinho do grande público para com “Razão e Sensibilidade”.
Por fim, apesar do excelente trabalho, Zendaya terá bastante dificuldades para chegar ao Oscar com “O Drama”. O tom provocativo do filme do Kristoffer Borgli tocando em feridas abertas da sociedade dos EUA deve afastar muitos votantes. Caso realmente se confirme, será uma pena para ela e o longa, um dos melhores de 2026.
CHANCES MÉDIAS
Agora, a disputa começa a esquentar. As próximas candidatas têm chances de médias de serem indicadas. Pelo menos, uma delas deve aparecer na lista final do Oscar 2027 de Melhor Atriz.
Renate Reinsve busca a segunda indicação consecutiva por “Fjord”. No filme, ela interpreta uma mãe de família ultraconservadora investigada sobre possíveis maus tratos aos filhos. A grande dúvida que fico é se a produção será bem-recebida ao redor do planeta como aconteceu em Cannes. Em Telluride e Toronto, o drama do Cristian Mungiu foi alvo de críticas pesadas.
Se “Fjord” não decolar, ficando apenas em Melhor Filme Internacional, Reinsve vê as chances de indicação irem embora.
Da turma de língua não-inglesa, há mais três candidatas.
Léa Seydoux está no radar da Academia com “Gentle Monster”. Se o filme passou por Cannes sem tanta empolgação, a atuação da estrela foi o verdadeiro destaque. O fato de ser uma das maiores intérpretes do cinema francês das últimas duas décadas e já ter circulado por Hollywood podem contribuir para uma narrativa favorável a ela na temporada.
Dona do cinema mundial neste ano, Sandra Huller pode chegar com dois filmes. A menor chance reside em “Rose”, trabalho pelo qual venceu Melhor Atriz no Festival de Berlim. Apesar do desafio físico de interpretar uma mulher que se disfarça de homem no início do século XVII, a estrela alemã traz como principal empecilho o fato de que o drama é uma produção menor e mais conceitual do que o outro trabalho dela. Ainda assim, pode surpreender e ser indicada ao Oscar.
Virginie Efira também é outra musa europeia de olho no Oscar 2027. Ela traz a vitória em Melhor Atriz, ao lado de Tao Okamoto, como credencial para a disputa. Além disso, “All of Sudden” se mostra mais forte do que “Rose” e “Gentle Monster” na temporada. Caso o drama do Hamaguchi consiga chegar a Melhor Filme, Efira aumenta as chances de forma pesada.
Voltando para as produções dos EUA, a bandeira da inclusão pode levar a Ruth Madeley ao Oscar. A atriz cadeirante é a protagonista de “A Arte de Ser Heumann”, drama sobre o protesto real que durou mais de um mês em prol dos direitos para pessoas com deficiência física.
O terceiro lugar no prêmio do público do Festival de Toronto confirmou que o filme é daqueles capazes de agradar aos mais diversos nichos. Com isso, se a Apple fizer uma boa campanha acertando na narrativa, a presença de Madeley pode se tornar quase obrigatória.
A excelente Carrie Coon rouba a cena em “The Liberation” como a mãe que abandona a família para se juntar a uma seita religiosa. Infelizmente, o filme não decolou como previsto nos festivais do segundo semestre, o que deve dificultar as chances dela no Oscar.
Por fim, a Emily Blunt busca a primeira indicação dela a Melhor Atriz com “Dia D”. Mesmo com a ficção científica do Steven Spielberg sem grandes chances na temporada, é simplesmente inegável a atuação brilhante da britânica. Falando em diversos idiomas com uma rapidez impressionante, a aura assustada e, logo em seguida, confiante e até no momento ‘Academia me indica’, ela arrasa a ponto de não ser absurdo dizer que este seja o maior trabalho dela no cinema.
Ter uma indicação única para um filme vinda justamente de Melhor Atriz é mais normal do que parece: aconteceu com Kate Hudson em “Song Sung Blue“, Rose Byrne em “Se eu tivesse pernas, eu te chutaria“, e Andrea Riseborough em “To Leslie“. Emily Blunt tem força suficiente para conseguir o mesmo neste ano.
GRANDES CHANCES
As próximas candidatas estão muito próximas da indicação ao Oscar. Vejo todas elas com enormes chances em Melhor Atriz.
Olha a Sandra Huller de novo! Com investimento pesado da MUBI, “A Terra do Meu Pai” deve ser a principal possibilidade dela na categoria. No filme, ela faz Erika Mann, filha do escritor Thomas Mann, e que conduz o carro por uma viagem pela Alemanha devastada do pós-guerra dividida entre EUA e União Soviética.
O prestígio de Pawel Pawlikowski após “Guerra Fria” junto à Academia deve fazer o candidato da Polônia ao Oscar ir mais longe na temporada. Existe sim a possibilidade da divisão de votos e da provável presença em Atriz Coadjuvante atrapalhar a Sandra Huller, mas o ano dela foi tão grandioso que acredito que os votantes se curvem a ela aqui também.
Revelação do ano, Inde Navarrette chega com grandes chances de indicação a Melhor Atriz. A estrela se beneficia deste novo momento do terror na Academia que rendeu uma estatueta para Michael B. Jordan e quase fez Demi Moore vencedora. O Oscar costuma prestigiar nomes em ascensão na indústria nos moldes da protagonista de “Obsessão”: jovem, bonita, talentosa e com uma grande atuação.
Navarrette já está no modo campanha total, participando dos festivais do segundo semestre e concedendo uma série de entrevistas para a imprensa internacional. Em uma temporada menos disputada em comparação a anos anteriores, ela pode tranquilamente aparecer no Actors Awards e no Bafta, fazendo uma temporada bastante sólida. E se a favorita vacilar, quem sabe não podemos ter uma surpresa?
Olivia Wilde pode fazer história neste Oscar 2027: a indicação em Melhor Direção está próxima e não será nada impossível vê-la disputar Melhor Atriz. “O Convite” cresceu demais nos últimos meses e se consolidou como um dos longas da temporada. Não será improvável ver grande parte do elenco indicado.
Caso aconteça, será a primeira vez que uma mulher consegue ser indicada em atuação por uma produção que ela mesma dirigiu. Bradley Cooper, Woody Allen, Denzel Washington, Clint Eastwood, Kevin Costner e outros gigantes do cinema mundial alcançaram este feito. Certamente será uma narrativa a ser aproveitada pela A24 na campanha.
FAVORITA
Todas essas atrizes vão disputar as indicações. Já a vitória, mesmo tão cedo, parece encaminhada para uma estrela de Hollywood.
Julianne Moore é o nome a ser batido em Melhor Atriz. Desde o anúncio de “The Debut”, todos sabiam que ela era nome forte na temporada. O lançamento do novo filme do Jesse Eisenberg em Telluride não apenas consolidou isso como a colocou na dianteira com certa naturalidade. Foi um caminho parecido ao trilhado por Jessie Buckley com “Hamnet” ano passado. Todos os analistas de Oscar dos principais veículos dos EUA consideram muito alta a probabilidade da segunda estatueta vir este ano.
São 12 anos sem Julianne Moore no Oscar e com esnobadas inexplicáveis no meio do caminho. Segredos de um Escândalo é o caso mais emblemático. Este hiato somado a brilhante atriz que ela sempre foi e ser a grande chance de vitória de uma das produções que tem tudo para ser tornar uma das mais queridas da temporada criam um cenário perfeito para este resultado.






























