As apostas esportivas mexem com as emoções de milhões de brasileiros, e tudo indica que o seu futuro seja auspicioso. Nesta lista de novas casas de apostas no Brasil, por exemplo, você pode encontrar várias plataformas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas que são 100% legais. Têm ainda depósitos mínimos baixos e atrativos bônus de boas-vindas, ambos responsáveis por facilitar o acesso a novos jogadores. Mas o que tudo isso tem a ver com cinema?
Ora, a qualidade das apostas esportivas no Brasil cresceu muito com a liberalização das casas de apostas. Afinal, a oficialização das apostas esportivas fez com que os jogos de sorte online se tornassem num passatempo seguro, adaptado a mais usuários do que nunca.
Para celebrar o aniversário da lei que tornou tudo isso possível (Lei 14.790/23, sancionada em dezembro de 2023), o Cine Set decidiu olhar para os surpreendentes paralelos entre o mundos das apostas e do cinema.
Assim, a grande questão do nosso artigo é: como pode a cinematografia inspirar as casas de apostas (e vice-versa)? Para começar, o cinema e as apostas parecem basear-se na mesma dialética de risco-recompensa…
Risco-recompensa: narrativas em casas de apostas
Aquilo que faz com que as pessoas gostem de assistir filmes de suspense também pode ser a razão pela qual tantos são apaixonados pelas apostas esportivas. O conceito crucial é o do risco-recompensa que, na definição financeira, se refere a “quantos dólares você pretende receber para cada dólar que arrisca.”
Nos filmes de suspense, as emoções experienciadas pela audiência são maiores quão maior for o risco envolvido na cena. Se, por exemplo, a vida do personagem principal estiver em risco, os espetadores vão prestar mais atenção à cena (e vivê-la com maior intensidade) do que se for a vida de um personagem secundário a estar em risco.
Esta é uma verdade evidente em qualquer narrativa cinematográfica, mas também faz sentido no contexto das apostas esportivas. Quão maior for o valor da aposta (ou a sua audácia), mais investido o jogador ficará na aposta, não só ao nível de “cada dólar que arrisca”, mas também ao nível das suas próprias emoções! E em alguns casos, as emoções das apostas estão literalmente representadas em grandes obras de cinema.
O filme de 1998 Cartas na Mesa (protagonizado por Matt Damon e Edward Norton, agora diretor) é uma notável exploração do conceito de risco-recompensa no cinema. Em Cartas na Mesa, podemos relacionar-nos com a experiência do apostador não só porque vemos os personagens a apostar, mas também porque a própria narrativa do filme funciona como uma grande aposta, em que os personagens colocam as suas vidas na linha (risco) para tentar satisfazer os seus objetivos (recompensa).
O mito do underdog
Para além de dependerem de emoções semelhantes, os mundos do cinema e das apostas esportivas também são baseados nos mesmos mitos. O mais evidente é o do mito do underdog, que apaixona cinéfilos e apostadores com a mesma intensidade. A expressão inglesa significa azarão, mas o termo em português é raramente utilizado em apostas esportivas modernas (ainda que continue a ser popular em corridas de cavalos). Underdog, tal como azarão, é o nome dado ao “cavalo em que poucos apostam, por ter poucas chances de vencer a corrida.”
Uma underdog story é, assim, uma história em que o espetador acaba torcendo pelo vencedor mais improvável. Os apostadores também adoram fazer isso, arriscando palpites que muitos considerariam loucos. A única diferença é que, no caso do cinema, o destino do underdog é ditado pelas decisões dos argumentistas; no mundo das apostas, é maioritariamente definido pela chance (e, em alguns casos, pelo conhecimento ou experiência empírica dos jogadores).
O filme Forrest Gump: O Contador de Histórias (Tom Hanks) é uma clássica história de underdog em que um homem de inteligência diminuída acaba se tornando numa espécie de símbolo da geração estadunidense que sobreviveu à Guerra do Vietnã. Mas os filmes de esportes são provavelmente aqueles que refletem mais clara e concisamente a narrativa do underdog, como acontece com o clássico O Homem Que Mudou o Jogo (Brad Pitt) ou com a produção Disney O Invencível.
As consequências do jogo
Ainda que as apostas esportivas sejam um passatempo, elas podem ser perigosas quando abusadas. As melhores casas de apostas esforçam-se por promover o jogo responsável e dotar os seus usuários de ferramentas de combate do vício do jogo (como a autoexclusão). Ainda assim, apenas uma arte como o cinema pode espelhar, convictamente, aqueles que são os principais flagelos dos jogos de sorte.
Tudo por Dinheiro (2005) e O Apostador (2014) são dois filmes que abordam o lado mais negro das apostas esportivas com brilhantismo e podem ser utilizados para promover o jogo responsável. Em Tudo por Dinheiro, Al Pacino e Matthew McConaughey mostram-nos quão brutais podem ser alguns grandes empresários do jogo; em O Apostador, o espetador assiste em primeira mão àquilo que pode acontecer quando uma pessoa se endivida devido ao vício do jogo.










