A morte sempre chega no momento certo. Ou melhor, no momento certo para quem está ao redor. É só a partir dela que alguns aprendem a valorizar o que sempre esteve ali ao alcance das mãos. Em “Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra”, o luto não é uma presença imediata, mas um horizonte inevitável. A narrativa se constrói sobre essa espera e a maneira como um jovem tenta encontrar significado dentro dela.
M (Putthipong Assaratanakul) não tem interesse na avó, Amah (Usha Seamkhum). O mundo dele é virtual, feito de jogos e transmissões ao vivo, onde passa os dias enquanto a mãe trabalha sem descanso. Quando a doença da avó se torna uma realidade incontornável, Amah se aproxima, mas não por afeto, e sim por interesse. “Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra”, parte desse ponto para explorar uma transformação gradual em que a conexão entre os dois se estabelece entre os gestos mais simples.
A estrutura segue um caminho já conhecido: o humor introduz os personagens, mas logo cede espaço para um drama que cresce sem desvios. Cada cena é pensada para guiar o espectador por essa trajetória, com a trilha sonora marcando cada transição, cada olhar prolongado, cada silêncio carregado de significado. A emoção está ali, pronta para ser sentida, sem exigir esforço.
O que sustenta tudo isso são as atuações, especialmente de Usha Seamkhum. Ela traz uma força silenciosa para Amah, tornando crível a relação com o neto, mesmo quando a narrativa insiste em conduzi-los por um caminho sem surpresas. Nos detalhes, há algo de verdadeiro: as lembranças guardadas, os gestos repetidos, os pequenos momentos que não pedem explicação.
No fim, “Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra”, entrega exatamente o que propõe. Um drama que funciona, que emociona, mas não desafia. A morte chega, como sempre chega, e com ela, a certeza de que algo se perdeu.












