Sintomático minha ida ao cinema para ver “Elio” e me deparar com uma sala relativamente vazia – pouco mais de 10 pessoas para uma sala de quase 200 lugares. Uma animação Pixar/Disney ter isso de público em um fim de tarde de sexta-feira próximo ao início das férias deixa claro algum problema. Do estúdio que mobilizava crítica e multidões para conferir ano após ano obras como “Monstros S.A”, “Procurando Nemo“, “Os Incríveis”, hoje, depende mais desesperadamente de continuações de seus maiores sucessos para atrair as pessoas para as telonas como ocorreu com “Divertida Mente 2”.
“Elio” entra para a turma “Elementos”, “Dois Irmãos“, “Lightyear“, “O Bom Dinossauro” e “Carros 2 e 3” das produções Pixar da prateleira debaixo. Não irrita muito menos incomoda ao mesmo tempo em que se mostra totalmente incapaz de conseguir ser minimamente memorável.
Pior que a obra dirigida por Adrian Molina, Madeline Sharafian e Domee Shi começa bem ao mostrar a solidão de um garoto adotado pela tia após a morte dos pais. De forma muito simples e direta, não demora para compreendermos a dor de Elio ao vê-lo desejar ir para um outro planeta do que ficar por aqui, um local inóspito onde não se sente à vontade nem considera que alguém se importaria com sua falta. A lágrima que escorre pelo rosto ao ver a esperança na lendária Voyager, nave com a missão de encontrar vida em outros planetas, cria esta introdução perfeita que cativa qualquer espectador, criança ou adulto.
Pelos 20 minutos seguintes, “Elio” até consegue sustentar a boa premissa ao mostrar o personagem-título na relação incerta com a tia, uma mulher que vê a vida transformada e os sonhos interrompidos pela chegada do garoto e sem saber o que fazer. Adicionando a pitada de ficção científica, o filme bebe na fonte das obras de fantasia de Steven Spielberg em que o lúdico serve como pano de fundo para alegorias mais duras – aqui, no caso, o eterno dilema sobre se estamos sozinhos no universo servindo também como simbolismo da solidão dos protagonistas.
Infelizmente, quando decide embarcar na fantasia, a animação mostra-se inócua sem a capacidade de criar coadjuvantes minimamente interessantes. Somos apresentados a meia dúzia de figuras que passam pela tela sem algo relevante a acrescentar – nem mesmo aquelas boas tiradas pixardianas surgem como em outros filmes do estúdio. Visualmente “Elio” é um zero à esquerda, afinal, remete ao que já vimos em qualquer episódio de “Jornada nas Estrelas” ou “Star Wars”. Os raros momentos em que consegue se sobressair é quando foge do comum e joga com o mistério a la “Além da Imaginação”, especialmente, quando a tia faz uma descoberta importante a partir de andarilho fio de cabelo.
Sem humor, sem visual interessante, sem uma aventura digna de grandes sequências de ação e com o drama principal colocado em segundo plano a partir dos 30 minutos, “Elio” pede paciência ao público para que não desista dele. Pode até conseguir pelo tempo que dura, mas, certamente, não o fará assim que os créditos finais subirem na tela. Uma tristeza para um estúdio que nos acostumou a deixar suas animações marcadas em todos nós pela vida inteira.














