Tyler Perry tem padrões que se repetem ao longo dos seus filmes. Feitos para criar conexão com seu público alvo – afrodescendentes norte-americanos – e evidenciar questões que os tangenciam, resulta em produções carregadas de clichês dramáticos e um tom tão piegas quanto qualquer arco de novela mexicana. “Até a última gota” não foge desse caminho, apesar de todo talento de Taraji P. Henson.
Vários elementos presentes arquitetam a mazela social que Perry almeja denunciar na produção: a luta de uma mãe solo contra o sistema. A grande questão é a falta de sutileza com que este é empregado, a superficialidade, o didatismo e a alta exposição que “Até a última gota” carrega, o que o torna não apenas um filme cansativo como também repetitivo e altamente gritante. Sabe quando alguém bate tanto numa mesma tecla que você não consegue mais estar próximo? E aquelas pessoas que só falam e não agem? São sentimentos semelhantes que tive durante a projeção.
Por diversas vezes somos lembrados do quanto Janiyah (Henson) é uma boa mãe, como se isso fosse um elemento forte o bastante para que as vicissitudes não acontecessem em sua vida. Pelo contrário, boa parte de seus dramas (para não dizer todo) fluem justamente do peso da maternidade. Afinal, se não fossem as responsabilidades que pesam sobre si enquanto mãe solo, não teria que sofrer as humilhações para manter um emprego degradante e nem lidar com todas as tensões que decorrem dessa relação. Como tema central da produção, no entanto, as questões sociais que tocam o quanto esta mãe se dispõe a ir as últimas instancias pela filha é o calcanhar de Aquiles da produção: ao mesmo tempo em que encorpa o filme, é o que o torna estereotipado e desleixado.
Enquanto obra audiovisual, outro elemento que depõe contra “Até a última gota” é a carência da parte visual. Somos lembrados de que ela é uma boa mãe e do quanto Janiyah precisa de dinheiro para cuidar da filha que sofre bullying por conta da pobreza. No entanto, não vemos nada disso. Há força nas palavras e nos sofrimentos que perpassam o dia péssimo da protagonista, mas não há imagens que as potencializem e criem uma conexão com o público nem tampouco levante e alimente reflexões capazes de enriquecer a trama e oferecer um vislumbre mais amplo sobre as intempéries do capitalismo sobre a maternidade.
O que contribui para isso é a montagem e a fotografia extremamente protocolares. Os primeiro dois minutos de projeção até possuem planos mais fechados e cortes que insinuem algo, mas conforme o filme avança, as oportunidades de criar tensão imagética se perdem assim como de aprofundar-se na discussão latente. Algo que se comprova com a policial Raymond (Sherri Shepherd) que vive um eterno vai e não vai na história da protagonista; ora a atravessando, ora sendo mais assistente social do que uma investigadora.
De forma semelhante, o roteiro, também assinado por Perry, é maniqueísta, dividindo os personagens em extremos: quem é bom é extremamente tratado como uma pessoa sem defeitos, enquanto os opressores não tem uma tridimensionalidade a não ser sua mesquinhez. Mais uma vez atestando o discurso vazio, sem aprofundamento e condescendente que “Até a última gota” projeta.
O que piora essa construção é o plot twist – outro elemento presente no universo cinematográfico de Tyler Perry – mal conduzido. Existe uma forçação em torno da tentativa de inocentar Janiyah e de demonizar aqueles que são pedras em seu caminho. Todos os atos da protagonista são justificados em prol de uma questão psicológica que é explorada de forma questionável, a colocando acima do bem e do mal por ser a personagem central da produção.
Com isso a trama apela para uma discussão sobre gênero e raça que se torna insólita, envolta em tanto melodrama e superficialidade. Difícil não dizer que há várias facetas da maternidade da mulher negra que poderiam ter sido postas em debate e criado reflexões tangenciáveis a realidade. Contudo, o roteiro e a direção se calcam em ser panfletários e gritantes, esquecendo que a sutileza também pode ser um elemento chave nesse tipo de construção. Curiosamente, o Prime lançou este ano também uma obra que dialoga bastante com essa, em todas as suas falhas e pretensões, e que também é dirigida por Perry, refiro-me a “Duplicidade”.















Que matéria ruim… credo. É maldosa.
Acho que nunca li tanta besteira.
Não deve ter visto o filme, e se viu tá querendo lacrar com esgotosfera
Não achei nada disso. O filme é muito bom sim, e retrata a luta dela como uma mãe e mulher negra, a questão de ter ou não a filha não significa que a vida dela se tornaria mais fácil, e em nenhum momento há essa intencionalidade, como você falou, mas era sim a razão principal da lida dela, pois tudo que ela queria era dar o melhor que ela podia. A gerente ressalta por vezes que o que ela fez é muito grave, mas que estaria com ela pra passar pelas consequências. E o plot twist retrata muito bem a dor que ela estava passando pela perda da filha, ela simplesmente entrou em um surto psicológico pela negação do luto e em algum momento ela até retoma uma certa consciência, como quando ela diz que no hospital, alguma coisa havia se quebrado dentro dela, que desde então ela sentia como se estivesse flutuando. A gerente, a detetive e o chefe ds detetive, que acreditou nesta desde o começo, foram cruciais pra que Janiyah conseguisse sair “bem” daquela situação e voltasse à tona. A única coisa que achei é que poderia ter explorado mais o começo e o final depois do banco, mostrando quem sabe uma possível promoção de Raymond, Janiyah na prisão e sendl tratada para passar pelo luto, o julgamento dos policiais, enfim. O filme é sim muito bom.
Outra coisa: o nome da atriz que faz a detetive Raymond não é Sherri Shepherd como está no post, e Teyana Taylor. Sherri é a gerente (Nicole), personagem tão importante na trama e que não é citada em nenhum momento desta análise.
Achei sua visão um tanto racista.
Eu também.
Não vive a dor de uma pessoa negra, pobre e lutadora. Ela retrata em suas palavras como se a dor fosse apenas uma ficção. Só quem se colocou no lugar dela, sabe o que ela representou a cada pessoa. Sou negro, sou pai, sou de origem pobre e luto contra um sistema opressor. E de boa, essas palavras lacradoras não representam a realidade do filme e de ninguém que se viu no filme.
Não sou negra, mas sou pobre e mãe solo, se aqui no Brasil já é difícil, nos EUA onde o racismo ainda é maior com certeza sabemos que a realidade é essa.
Um absurdo as críticas feitas por essa mulher. O filme é perfeito para que se propõe em termos de reflexão e que prende a atenção da gente que a todo momento fica ansioso para descobrir o próximo quadro. Não é a toa que está entre os mais vistos no mundo.
Pensei que estivesse louca ao ler as críticas da jornalista, mas lendo os comentários vi que não somente eu, mas também outras pessoas discordam dA crítica. O filme é excelente, tão excelente que é até difícil de assistir. Como mãe solo foi doído esofrido.
Caramba acabou com o filme emmm.
Sem palavras para a crítica tenho quase uma certeza q a pessoa quis lacrar com uma opinião contrária
Amei o filme sensível,honesto,inteligente final surprende mesmo
Vontade de abraçar a personagem foi esse efeito q me causou
Concordo com o exagero, mas é uma característica dos filmes dele, então quem gosta de um vai gostar de todos e quem não gosta também. O quanto ela transpira é um exemplo, nem a chuva molhou tanto quanto o suor naquele banco, rs! Mas discordo da opinião sobre a mensagem que o filme quer passar, é uma mensagem muito válida, tocante, emocionante, cruel e infelizmente muito real na nossa sociedade. Quem sabe algum dia isso seja diferente e essa mensagem não faça mais sentido.
Concordo com o exagero, mas é uma característica dos filmes dele, então quem gosta de um vai gostar de todos e quem não gosta também. O quanto ela transpira é um exemplo, nem a chuva molhou tanto quanto o suor naquele banco, rs! Mas discordo da opinião sobre a mensagem que o filme quer passar, é uma mensagem muito válida, tocante, emocionante, cruel e infelizmente muito real na nossa sociedade. Quem sabe algum dia isso seja diferente e essa mensagem não faça mais sentido.
Infelizmente ou felizmente, sou obrigado a concordar com a maioria dos comentários. Não sou especialista em crítica de filmes, mas amo tanto quanto. Sempre que assisto um filme, deixo de lado a ideia que aquilo é uma ficção, para penetrar na trama e tentar sentir o que o diretor quer passar com a obra, qual a moral da história?. Realmente achei um pouco exagerado algumas cenas e ao mesmo tempo ridículas em outras, exemplo: o assalto (achei um pouco irrealista), o chefe dela (uma brutalidade um pouco sem sentido), no banco (ficar pedindo pra trocar o cheque com uma arma e depois falar que não sabia por que as pessoas estavam com medo, deste ponto pra frente já não tive tantas espectativas), os detetives (sinceramente acho que nunca assistiram um filme descente de polícia para poder interpretar com realismo), a detetive (realmente não sei se era uma assistente social ou uma modelo), mas o que mais me deixou inconformado foi a atitude da SWAT, FBI e o NEGOCIADOR (lidando com uma pessoa que deixou praticamente todos os reféns sair DE BOA eles tomaram decisões idiotas, estratégia ridícula, e sinceramente estavam ali só pra encher linguiça.)
Enfim, como um todo, o filme não foi de todo ruim, é sufocante ver a humilhação e desprezo que ela sofre desde o começo do filme, inclusive de seus semelhantes. E se fizermos uma análise psicológica da personagem, faz sentido a desorientação, falta de raciocínio lógico, falta de auto controle, seu hipocampo desfragmentado e cortisol e ação das amídalas sobrecarregado, isso pode explicar o excesso de suor também. Nota 6/10.
Para uma pessoa não negra as questões que nos tangenciam são superficiais mesmo. Gostaria de ler (e vou pesquisar) a crítica de uma pessoa negra sobre o filme. Filme esse que assisti e me identifiquei bastante.
A representatividade tá importando em tudo mesmo, até na crítica dos filmes, credo.
Por isso que não acredito em crítico de cinema. Desde os anos 80 quando eu li que Um príncipe em Nova Iorque era péssimo… Tá aí uma profissão que deveria deixar de existir, crítico de cinema. E ainda bem que eu assisti antes de ler essa matéria completamente ridícula, quem assistiu e não se colocou no lugar da protagonista já morreu por dentro.
Achei raso e pretensioso o tom da crítica. Existe um esforço para inocentaram a persinagem de seus erros? Sim. Mas quem não se viu em pelo menos um momento vivenciando alguma daquelas situações? Apesar do protagonismo da mãe solo negra eu, que sou homem e branco e que já fui vítima de violência policial comprei o drama do filme e o achei lindo. Exagerado. Claustrofóbico e emocionante. Com os alguns acertos( até apontados na crítica), podia ser ainda melhor.
pessoas que assistem netflix não tem direito a opinião. Continuem com suas vidas mediocres, trabalhando igual condenado e pagando boletos. Continuem assistindo seus filmes panfletários politizados.
Quando uma opinião vem cheio de mágoa, rancor, uma acidez de bílis é sinal de uma inveja gigante, de uma frustração medonha. Tente ser melhor ou tente empreender em alguma produção própria, quem sabe você se de bem e receba críticas boas mas cuidado, isso pode revelar sua incompetência.
Dramático e comovente, todo infortúnio acontece na vida da mulher, Taraji em grande atuação. O filme não é ruim como é dito na crítica acima
Eu acho completamente desrespeitoso direcionar essas palavras para um filme desse porte e que carrega uma crítica tão vívida.
Assistam e tirem suas próprias conclusões, mas sem descrever o filme como “raso” ou “vazio” (isso não representa o filme).
Acredito que o exagero se torna caraterística marcante. O cinema sempre utilizou recursos que chocam ou que causam desconforto (o objetivo é surpreender para gerar debates) não entendo como isso pode ser um fator negativo se a mensagem foi captada.
Li a matéria quase toda (porque cansei antes de chegar no final) jurando que tinha sido escrita por um homem, mas fiquei em choque ao perceber que quem escreveu esse monte de merda, foi uma mulher. É foda, viu!!
Vergonha! Essa Pamela é a prova viva, de acordo com essa matéria, que ser formada numa Federal não torna ninguém melhor ou superior, falo isso como estudante de Federal.
Poderia criticar com embasamento e respeito, mas o que vi foi racismo escancarado, preconceito com minorias, escrita extremamente racista e preconceituosa.
Não imaginava que uma mulher que compõe o coletivo Elviras poderia ser tão insensível as opressões.
Sinceramente, estou em completa decepção com essa crítica, não somente por aparentar que a autora sequer viu o filme, mas sim por tamanho desrespeito com algo desse porte. Retratar a obra como algo “vazio”, “gritante”, e “cansativo” não faz o menor sentido.
Sim, existe muito drama, e em algumas situações uma certa apelação pela inocentação da Janiyha. Apesar disso, em minha opinião, acima foram utilizadas palavras injustas.
O filme conta sobre o dia de uma mãe que está caindo aos pedaços de tão cansada por carregar o peso do mundo em suas costas. Sozinha. Lutando pela sua sobrevivência e de sua filha, enquanto diversas situações absurdamente estressantes acontecem com a mesma.
É notável que algo está acontecendo com aquela mãe, inclusive é descrito por ela no filme, um possível surto psicótico. Acredito que nesse tipo de situação não caibam diálogos calmos, o que explica o “gritante”.
Sobre ser um filme repetitivo, sim, diversas vezes ela se explica, mostrando suas intenções, e que apesar das péssimas decisões tomadas, aquilo não é ela. Vejo principalmente uma mulher que precisa internalizar que não é uma má pessoa.
A atriz tem uma atuação impecavel, transmitindo para o público toda a angustia vivida pela personagem, todo o desespero de alguém que não sabe mais o que fazer e se encontra perdida em meio ao caos total.
“Cause i don’t know anybody, that can hear what she’s been saying, and feel nothing”.
Acho que faltou humanidade, e entendimento sobre uma pauta que carrega tamanha importância. Apesar de eu não saber o peso que uma mulher negra, pobre, mãe solo, que vive em uma periferia dos estados unidos, onde historicamente o racismo é bem forte. Consigo me compadecer com a personagem.