Há três elementos que me fizeram ter expectativa sobre “Meu ano em Oxford”: a participação de Corey Mylchreest após seu trabalho em “Queen Charlotte: uma história Bridgerton”, a ambientação em Oxford e a escolha da protagonista de reservar um ano da sua vida para estudar literatura vitoriana. Todos esses elementos poderiam construir uma narrativa confortável e singular, no entanto o filme disponível na Netflix é um grande mar de clichês do que vimos em comédias românticas nos últimos 15 anos. 

A disposição da trama faz com que a narrativa seja cheia de ideias batidas. Uma garota que parte em busca de um sonho literário, rapaz e mocinha que se desencontram no primeiro momento até se apaixonarem, um jovem doente que decide passar seus últimos dias fora do leito de um hospital, uma mocinha que abre mão de seus planos iniciais para viver uma história de amor com hora marcada para acabar. Em algum momento, já vimos esse filme antes. Talvez com mais cores, com protagonistas mais excitantes e uma narrativa mais tangível. Em todo caso, me senti dentro do universo de Nicholas Sparks, de Jojo Moyes e de John Green. 

Não há um esforço no roteiro para que o filme apresente novas projeções, pelo contrário, é nesse ambiente já conhecido que “Meu ano em Oxford” se fundamenta. Por isso é mais difícil compreender deslizes que partem das escolhas dos personagens, porque ainda que essas histórias em algum momento nos toquem, boa parte delas se passa num universo teen, com personagens adolescentes que precisam agir e sentir como adultos. Enquanto aqui, estamos lidando com adultos, que atuam no campo intelectual tanto academicamente como emocionalmente. Talvez esse seja um dos motivos – e agora é meu lado moralista que fala – que me leve a não torcer por um casal formado por um professor e sua aluna, mesmo que ambos tenham idade próxima. 

A narrativa busca, então, discutir temas universais de forma orgânica como a efemeridade da vida, o medo da perda, carpem diem e o luto. O roteiro assinado por Allison Burnett e Melissa Osborne, baseado na obra homônima de Julia Whelan, conduz a um passeio por essas temáticas por meio de poesia e reflexões filosófico-literárias. O que concede certa delicadeza e sensibilidade as passagens de tempo e escolhas dos personagens. 

Nesse processo, a direção Iain Morris se movimenta bem, uma vez que oferece um ritmo interessante a trama que não a torna cansativa. Ele utiliza os melhores elementos que tem em suas mãos: a química de Sofia Carson com Corey Mylchreest e o convencionalismo dos romances clichês com finais dramáticos; explorando ao máximo tanto o carisma individual de seus protagonistas, quanto a harmonia que a parceira entre eles projeta. 

Embora Carson seja uma queridinha da Netflix, a atriz parece presa no mesmo personagem desde “Descendentes”, de Kenny Ortega. Se no elenco do filme da Disney, ela era o destaque, conforme seus novos filmes ficam disponíveis no streaming, sinto dizer que estou sempre vendo Evie, a filha romântica, sonhadora e determinada da Rainha Má. Ainda que sobre química e carisma a atriz, falta camadas e personagens que possam desafiá-la a sair da zona de conforto. Mylchreest, por outro lado, não parece tão solar quanto o King George.  

Já Oxford, surge em tela como a mistura de história, melancolia e versos que tanto me encantaram no decorrer da vida. A fotografia de Remi Adefasarin – que também assina “Como eu era antes de você” – nos leva para dentro deste clássico ambiente acadêmico. A trilha sonora, por outro lado, também parece ser uma repetição de outros filmes ingleses do gênero.

O certo é que para quem gosta de romances dramáticos com final trágico, “Meu ano em Oxford” entra para a lista de filmes do gênero, com protagonistas carismáticos, ambientação envolvente e músicas para adicionar a playlists no Spotify. É uma pena que o filme pare por aí.