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Por volta de uma hora de projeção, vem a suspeita de que “The Actor” não vai para nenhum lugar muito interessante. É a cova que o filme cavou para si mesmo. Em meio às invencionices da mise-en-scène e ao pastiche retrô, há uma historieta humana das mais simpáticas, mas o diretor Duke Johnson parece se dedicar ao máximo para nos distrair dela.
A história em questão é simples. Estamos em meados do século XX e Paul (André Holland) é pego com a boca na botija por um marido ciumento. Após sofrer uma pancada na cabeça, ele acorda sem nenhuma memória de quem é. Tudo que sabe é que é um ator em Nova York, no outro lado do país, e que precisa se mandar da cidadezinha caipira onde se encontra antes que seja preso por adultério.
Sem grana para a viagem para casa, ele precisa se contentar com a vida em Jeffords, cidade pequena no meio do caminho, onde descola um emprego em uma fábrica. Mais importante, é lá que ele conhece Edna (Gemma Chang), cujo rosto luminoso é como um holofote inundando sua psiquê apagada.
O problema é que Johnson, cujo crédito anterior é como co-diretor (ao lado de Charlie Kaufman) de “Anomalisa”, embola o meio-de-campo. Dentre outras coisas, ele escala os mesmos atores para interpretar diferentes pessoas ao redor de Paul, dissolvendo as barreiras entre fábula e realidade ao redor do personagem. É instigante a princípio, já que começamos a trama tão confusos quanto nosso protagonista. Mas a estratégia se mostra contraproducente a longo prazo.
Isso porque ficamos com a impressão de que Johnson está guardando suas cartas para alguma revelação avassaladora ou virada surpreendente. As respostas, contudo, demoram a chegar, e, à medida em que se avizinham, é difícil não começar a suspeitar que o diretor talvez tenha se metido numa enrascada: ele simplesmente não tem nada demais para nos mostrar.
Não é que o filme seja muito complexo; é que ele é claro demais: o ator que se perde entre suas várias identidades, o fílmico que se mistura ao real, nada disso é particularmente original. Melhor seria termos uma versão simples, condensada dessa história.
Porque no final, nossa âncora é o romance entre Holland e Chan; quando Edna sai de cena, nosso interesse despenca. Temos ainda o expressivo rosto de Holland para nos agarrarmos, mas parte do encanto foi embora. O filme insiste em martelar na desorientação quando o que nos importa é o drama humano que ele insiste em soterrar.
Toda essa jornada mirabolante termina precisamente onde suspeitávamos que terminaria. O que nos faz pensar que o longa poderia ter nos poupado a viagem.














