O cineasta Diego Alexandre concluiu uma verdadeira missão de resgate histórico ao localizar uma cópia rara, em película 35mm, do filme Super Xuxa Contra Baixo Astral (1988). A obra estrelada por Xuxa, considerada um ícone da cultura pop nacional, estava há anos sem material original disponível para processos de preservação. O título, dirigido por Anna Penido, levou mais de 2,8 milhões de pessoas às salas de cinema e marcou a infância de milhares de brasileiros. Para Diego, fã desde criança, reencontrar essa cópia significa recuperar parte da memória afetiva do público.

A busca começou após ele descobrir que o primeiro rolo do negativo havia desaparecido, o que inviabilizava qualquer tentativa de restauração. Em contato com William de Paula, representante da Dreamvision, Diego se ofereceu para ajudar na procura pelo material. A solução veio por meio de colecionadores, que localizaram uma cópia completa no Rio Grande do Norte. Agora, o filme poderá ser restaurado com qualidade técnica e segurança histórica.

O processo de digitalização será conduzido pela Mapa Filmes, referência nacional em restauração audiovisual, e pela Link Digital, com apoio do Canal Brasil e da Amuleto Filmes. Para William de Paula, a iniciativa representa a recuperação de um legado do cinema brasileiro e o reencontro do público com um clássico. Ele agradeceu às empresas envolvidas e destacou o papel decisivo de Diego na descoberta da nova cópia.

Entusiasta da preservação em película, Diego também realiza sessões especiais em 35mm no Estação NET Botafogo, no Rio de Janeiro — a última sala comercial do estado com projeção neste formato. Paralelamente, o cineasta se prepara para lançar seu primeiro longa como diretor, Enaldinho em Uma Noite Infinita, realizado em parceria com Elder Miranda Jr. e distribuído pela Imagem Filmes. A produção dialoga com o cinema infantil dos anos 1980 e 1990, influência recorrente na carreira de Diego.

Com trajetória iniciada como assistente de direção, o cineasta destaca sua admiração por nomes que marcaram a produção infanto-juvenil brasileira, como J.B. Tanko, Tizuka Yamasaki e Cao Hamburger. Para ele, preservar o cinema popular é também preservar a identidade cultural do país. “Esses filmes formaram gerações e precisam ser respeitados como parte do nosso patrimônio”, afirma.

com informações de assessoria