Apelidada de a temporada do amor, a quarta temporada nos traz como casal principal Benedict Bridgerton e Sophie Baek. Para aqueles que não estão acostumados com o universo de Julia Quinn, a história adapta o terceiro livro da saga Bridgerton — “Um Perfeito Cavalheiro”— que emula o conto da Cinderela, no qual a mocinha trabalha como empregada, na casa que um dia fora de seu pai, e em uma noite conhece o amor da sua vida no baile de máscara promovido pela mãe dele. 

Assistimos o primeiro episódio da temporada, intitulado “A Valsa”, e destacamos cinco elementos que nortearão a temporada:

Um passeio pela ala trabalhadora das mansões de Mayfair

Captado como um plano sequência, a cena de abertura já nos conduz para um passeio por uma ala que nunca tivemos acesso na Mansão Bridgerton: a cozinha. Essa, porém, não é a única casa em que conheceremos a área dos trabalhadores, vamos acompanhar os bastidores de como as refeições são feitas, os preparativos para que tudo nos bailes saia adequadamente e o que a criadagem pensa sobre seus patrões. 

Descobrimos o destino dos Bridgertons

Entre uma temporada e outra, parece que os Bridgertons não se refugiam mais em Aubrey Hall como era o costume até a segunda temporada. Dessa vez, vários deles se espalharam pelo mundo e é justamente pelas conversas entre os empregados da casa que descobrimos o que aconteceu com a prole que não regressou para o ninho de Violet. 

Para falar a verdade, me senti em meio a uma grande volta às aulas em que você se atualiza do que rolou com a galera durante as férias. Nesse primeiro episódio, ficamos sabendo sobre o comportamento de Hyacinth — como a filha que ainda não viveu suas próprias aventuras na sociedade —, o que aconteceu com Anthony e Kate após nos revelarem que teriam o seu herdeiro na Índia, os próximos passos de Gregory e como foi o período entre temporadas dos Kilmartin e Eloise na Escócia. 

Polin

Já sabemos que Polin encontrou seu final feliz, uma vez que Colin e Penelope se acertaram após o baile promovido pelas irmãs Featherington na última temporada, mas sempre pensei que ficaram brechas a serem exploradas sobre a relação do casal. A temporada parece optar por um caminho semelhante ao que fizera anteriormente dando a Penelope o protagonismo na relação, para entendermos como será agora sua vida, e relegando Colin a ser seu amoroso — e amado — esposo. 

Reconhecida como Lady Whistledown, o desafio da sra Colin Bridgerton é equilibrar a vida de recém casada com o fato de todos saberem sua identidade secreta e alguns quererem se aproveitar disso. Ela precisa lidar com a forma como a rainha Charlotte a enxerga e seus leitores no geral, especialmente as moças, as quais parecem ser suas leitoras mais expressivas. 

Vou me permitir, como uma polin stan, deixar a minha crítica: há muitas cenas que são claramente polin’s code (programadas para serem de polin) atreladas ao casal Modrich já nesse primeiro capítulo. Honestamente, não vejo necessidade de haver plot para eles, quando sua relevância se perdeu com a saída do Duque de Hastings que era o núcleo a qual pertenciam. O destaque dado a eles e a Penelope deixa de lado Colin, que além de ter sido negligenciado na sua temporada, continua sendo nesta também. #justiçaparaColinBridgerton #justiçaparaLukeNewton

Violet

A matriarca da família Bridgerton é um dos grandes destaques desse primeiro episódio. A série oferece a ela algo interessante e que precisa ser visto quando estamos falando sobre maternidade: camadas diferentes de seu cotidiano. Ela não é só a mãe que quer casar seus filhos, ela é também a dona de casa que vigia e organiza o seu lar e alguém que está se apaixonando. Seria um aceno para um futuro spin off? Quem sabe a segunda temporada de Queen Charlotte. 

Enquanto isso, Violet tem muito trabalho a fazer não só com Benedict que é o seu alvo da temporada, mas também com Eloise que voltou resoluta sobre sua condição social e sentimental, embora siga sem enxergar os privilégios que nascer em uma família aristocrata e amorosa lhe oferecem. Em todo caso, a mãe da prole Bridgerton parece estar não só atenta aos filhos solteiros, mas também ao próprio pulsar do coração. 

Há um jardim que quer ser regado e florir. 

Benedict

O primeiro episódio vai na contramão de duas coisas que poderiam lhe servir de base: a estrutura do livro de Benedict, o qual ambienta o leitor, no primeiro momento, na vivência de Sophie; e na temporada anterior, que deixa Colin de lado para dar voz a Penélope (#justiçaporColinBridgerton). Benedict é a prioridade e protagonista masculino absoluto. Acompanhamos os seus passos, como um explorador da própria sexualidade e como administrador da família na ausência do irmão mais velho. 

Há algo, no entanto, que precisa ser observado no embate entre ele e Violet: seus questionamentos. O irmão mais novo de Anthony justifica seu comportamento em duas perspectivas interessantíssimas quando nos damos conta do período em que a narrativa acontece e ainda ao observar o personagem em retrospecto. 

O primeiro deles é o seu papel como segundo filho e o terceiro na linha de sucessão do título Bridgerton. Benedict sempre se comportou não só alheio ao que acontece ao seu redor — convenhamos, parece que ele não de seu conta dos sentimentos de Colin pela vizinha — como ao seu próprio comportamento como um membro da aristocracia inglesa e exemplo para irmãos mais novos. 

O segundo ponto é o seu questionamento sobre a necessidade de casar. Esta questão relaciona-se ao que foi comentado anteriormente e a visão primitiva de que casamento tem a função para procriação, mas revela ainda algo ainda mais interessante: é como o personagem, por mais sensível que seja (lembra aquele verso que escreveu pra Anthony?!), nunca sentiu o coração bater mais forte por achar todas as mulheres iguais. 

O que seria então o diferencial de Sophie? Por que ela chama a atenção do mais novo queridinho da rainha Charlote? Isso a temporada nos revelará, por enquanto temos trailers e imagens para alimentar nossa saudade de Mayfair.