Com arrecadação de US$ 1.3 bilhão ao redor do planeta em 2023 Super Mario Bros: O Filme aumentou ainda mais a popularidade do personagem da Nintendo. Mesmo com o famigerado live action lançado em 1993 assombrando o imaginário das pessoas, a Illumination conseguiu restabelecer a imagem do personagem. Logo, era inevitável continuação e Super Mario Galaxy para cumprir esta missão. A animação expande e aumenta a ambição visual em detrimento de uma narrativa rasa. 

Como qualquer continuação, existe uma preocupação maior em expandir o escopo, ampliando o número de personagens e cenários. Existe todo um trabalho meticuloso e detalhado seja pela variedade de personagens na tela bem como a quantidade abundante de lugares em que os personagens passam como desertos, florestas ou cidades espaciais. 

Além disso, a textura, a fluidez e as cores chamativas também ajudam a dar diversidade e singularidade ao filme. A direção da dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic equilibra muito bem dinamismo afiado com suavidade nas sequências de ação, deixando o filme empolgante e divertido de assistir. De brinde, há o rápido e divertido momento de 2D contando a história do personagem Star Fox, primo distante de Han Solo. 

Acima de tudo, Super Mario Galaxy permite ao espectador uma imersão “gameficada” ao criar enquadramentos simulando a visão do espectador do jogo e uma câmera que mergulha na ação. Impossível não lembrar do game quando Mario e Peach passam por obstáculos até chegarem no castelo de Bowser Jr. Igual ao primeiro filme, aliás, a continuação é recheada de referências à franquia e também aos personagens da Nintendo. É aquele tipo de filme que tem referências em todo canto, estimulando o olhar e a atenção do público para caçar os easter-eggs. 

O humor não esconde a sua essência infantil e imatura. São piadas visuais, rápidas e bobas, porém elas funcionam dentro daquele contexto e do tom do filme. Yoshi, por exemplo, tem a missão de ser o alívio cômico. Por outro lado, o roteiro vai na contramão das qualidades técnicas. O enredo é dolorosamente repetitivo e batido. Não existe desenvolvimento ou arco narrativo. Tudo exala superficialidade desde as interações dos personagens como a progressão da trama. Nesse ponto, Super Mario Galaxy abusa nas inúmeras conveniências de roteiro, com soluções milagrosas surgindo a todo momento. 

O longa tenta trazer um subtexto sobre relações familiares com a relação de Peach com sua irmã Rosalina e de Bowser e seu filho Bowser Jr. O problema é que isso é desenvolvido da maneira mais artificial possível. São cenas sem profundidade alguma. Até a obsessão do Bowser pela princesa some dentro do filme. 

Super Mario Galaxy é uma continuação que repete os problemas do primeiro filme ao mesmo tempo que expande a franquia em diversidade e ambição. Foca muito na experiência visual e esquece de uma  linguagem cinematográfica mais refinada. Não deixa de ser divertido e empolgante, porém sua narrativa limitada não corresponde à excelência técnica que proporciona.

Autor

  • Ator, dublador e formado em Produção Multimídia na faculdade Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí, SP. Também produtor de conteúdo do canal Cine Multiverso no YouTube. Cinema é a minha maior paixão. O cinema é uma arte de perspectiva.

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