O wuthering heights filme que está atualmente disponível em streaming gratuito é a adaptação de 1992, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, mas o romance de Emily Brontë foi adaptado para o cinema mais de uma dezena de vezes desde 1920, e cada versão diz algo diferente sobre o momento em que foi produzida.
1939: o romantismo que suavizou tudo
A versão dirigida por William Wyler com Laurence Olivier e Merle Oberon é tecnicamente impecável e emocionalmente falsificada. O Heathcliff de Olivier é um herói trágico convencional, apaixonado e sofredor, sem as dimensões de crueldade que o personagem de Brontë carrega com igual peso. O romance foi adaptado para os padrões narrativos de Hollywood do final dos anos 30, que não admitiam protagonistas moralmente ambíguos sem arco de redenção.
O resultado é um filme belíssimo que não é Wuthering Heights no sentido mais importante. A Academy premiou Wyler com uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, e o público da época respondeu com entusiasmo. O que ficou de fora foi o que tornava o romance revolucionário para sua época.
1992: o equilíbrio entre fidelidade e acesso
A versão de Peter Kosminsky foi a que mais claramente tentou honrar a ambiguidade do original. Ralph Fiennes traz ao Heathcliff a mesma mistura de magnetismo e violência que o personagem tem na página, sem resolver a tensão em favor de nenhum dos dois polos. Juliette Binoche constrói uma Catherine que age com plena consciência das consequências de suas escolhas, o que a torna moralmente mais interessante do que a vítima das circunstâncias que outras adaptações apresentam.
A fotografia dos moors de Yorkshire nessa versão é extraordinária, usando a paisagem como extensão emocional dos personagens de formas que o espectador sente sem necessariamente articular. É a versão recomendada como primeiro contato com o material para quem não conhece o romance.
2011: a adaptação mais politicamente honesta
Andrea Arnold fez em 2011 a versão mais radicalmente fiel ao texto de Brontë em pelo menos um aspecto, pois Heathcliff é negro nessa adaptação, uma escolha que ressoa com passagens do romance original onde sua origem é descrita de formas que alguns estudiosos interpretaram como sugestão de ascendência africana ou cigana. A câmera de mão e a estética quase documental criam um filme que é mais desconfortável de assistir do que qualquer versão anterior, o que é exatamente o que o material exige.
2026: Margot Robbie e Jacob Elordi
A versão mais recente, dirigida por Emerald Fennell e com Margot Robbie como Catherine e Jacob Elordi como Heathcliff, chegou aos cinemas em 2026. Ainda é cedo para avaliar como ela se posicionará em relação às versões anteriores, mas o histórico de Fennell como diretora em Promising Young Woman e Saltburn sugere uma disposição para o desconforto moral que o material exige.
Para quem quer explorar a história antes de ver a versão mais recente, o streaming gratuito da adaptação de 1992 é o ponto de partida mais completo e mais disponível. A comparação entre versões, especialmente entre a de 1992 e a de 2026, é um exercício especialmente produtivo para quem acompanha como o cinema reinterpreta material literário em épocas diferentes.
Por que explorar diferentes adaptações enriquece a experiência
Para cinéfilos com interesse em como o mesmo material literário é interpretado por diferentes épocas e culturas, Wuthering Heights é um caso de estudo especialmente rico. As diferenças entre as versões de 1939, 1992 e 2011 são tão marcantes que poderiam ser três filmes completamente diferentes baseados no mesmo livro, o que de certa forma é exatamente o que são. Cada diretor trouxe para o material suas próprias preocupações e as preocupações do seu momento, e o resultado é um arquivo cinematográfico que documenta como a cultura ocidental leu e releu a mesma história ao longo de décadas.











