Brutal, simbólico e intenso, o episódio da semana apresenta Euphoria percorrendo limites narrativos que ainda não havia alcançado. A busca por redenção chega a ser citada diretamente, mas, desta vez, só existe espaço para os desfechos indesejados dos personagens. Além de ser o episódio de maior duração da temporada, a trama também é ambiciosa ao juntar definitivamente os dois núcleos principais e apresentar as consequências de ações e atitudes acumuladas durante os anos em que acompanhamos esse elenco.

O episódio anterior encerra com uma ponta de esperança para Rue (Zendaya), algo que é totalmente esquecido em detrimento de sua trajetória errática. Para isso, é resgatada a história de mais um personagem: Ali Muhammad (Colman Domingo), mentor de Rue na reabilitação, mostra a própria trajetória de superação do vício.

Acho muito importante observar um personagem já conhecido em outras temporadas mostrar seu passado e ainda trazer relevância para a trama atual da série. Esse enfoque não deixa a narrativa sobre vício ser esquecida e, mesmo sendo um assunto aparentemente superado, já que Rue está “limpa”, as escolhas feitas sob o uso de drogas ainda ressoam e ditam sua vida. A história de Ali revela as fragilidades psicossociais de dependentes químicos, reforçadas por Rue e seu desabafo sobre a descredibilização e o sentimento constante de culpa.

Esses momentos emocionais revelam maior complexidade da personagem, e Zendaya transita facilmente por essa fragilidade. Isso mantém a trama de Rue relevante, mesmo existindo três episódios da temporada com o gancho final sendo a possível morte da personagem.

A maior ponta solta de Rue ainda é a ausência de Jules (Hunter Schafer) e a falta de consequências no conflito entre ambas. Estamos falando de um casal apaixonado e problemático das temporadas anteriores, que se aproxima e se distancia sem maiores problemas, como algo casual, longe das ocasionalidades conhecidas.

Entrando nesse assunto de desconexão entre temporadas, é impossível deixar Nate (Jacob Elordi) de fora. O sétimo episódio mostra sua cena mais impactante da temporada — algo grandioso e bem produzido para esquecermos o completo apagamento do personagem. Sim, Nate é o comum bully do ensino médio que finalmente encontra os verdadeiros vilões da vida real, mas essa narrativa de total redenção como esposo apaixonado e homem de negócios não convence.

Não digo isso como se o personagem fosse imune a uma melhora, mas porque essa mudança repentina não ocorre diante das câmeras. Assim, para Nate, esta temporada não passa de uma descaracterização do personagem, tempo de tela perdido em cenas repetidas e um gran finale para manter o ar de choque e impacto da série.

A cena claustrofóbica do personagem e o novo conflito entre Cassie (Sydney Sweeney) e Maddy (Alexa Demie) têm ares de “tudo ou nada”. É como se o provável fim da série trouxesse mais a necessidade de agradar ao público cativo do que ser condizente com a construção dos roteiros.

Nem todos os personagens sofrem com esse mal, é claro, e Maddy mostra maiores nuances ao realmente retomar a amizade com Cassie, sacrificando-se por ela e pelo ex-namorado. Para as duas amigas, esse episódio alcança os limites morais: Cassie renegava o estigma sobre conteúdo online e passa a aceitar isso como uma função oficial, enquanto Maddy compromete seu emprego e a si mesma, sentindo a realidade amarga de não ser tão esperta ou durona como se colocava no colégio.

A criação de suspense e tensão se mostra ainda mais presente a essa altura. Tanto os ângulos de câmera quanto o silêncio bem aplicado levam o público para um lugar de desconforto muito facilmente. Tudo isso resulta em uma grande expectativa positiva para o episódio final, algo maculado apenas pela lembrança recente de ver um personagem se despedir com tanto potencial não aproveitado, o que nos leva a questionar se o mesmo vai acontecer com outros.