Caio Pimenta traz as forças e fraquezas dos três favoritos ao Oscar 2027 de Melhor Filme: Cavalo Selvagem Nove, A Odisseia e A Bola Negra.
CAVALO SELVAGEM NOVE
“Cavalo Selvagem Nove” é o primeiro favorito ao Oscar 2027.
De todos os lançamentos dos festivais do segundo semestre, nenhum chegou com tanto potencial para ganhar Melhor Filme como “Cavalo Selvagem Nove”. Passagens aclamadas por crítica e público em Veneza, Telluride e Toronto.
O projeto da Searchlight Pictures deve gabaritar nas indicações nas categorias principais: improvável que Martin McDonagh seja esnobado em Direção e Roteiro Original, John Malkovich e Sam Rockwell devem aparecer, respectivamente, em Melhor Ator e Ator Coadjuvante, e ainda a presença em Casting também é provável.
Olhando para os favoritos, “Cavalo Selvagem Nove” pode ser o adulto na sala mais convencional para a Academia. “A Bola Negra” deve enfrentar a resistência história do Oscar com produções internacionais em Melhor Filme. A vitória de “Parasita” foi mais uma exceção do que uma nova regra. De lá para cá, mesmo com inúmeras presenças, nenhuma obra de língua não-inglesa chegou possibilidades reais de ganhar a categoria.
Já Christopher Nolan foi consagrado há pouco tempo de forma avassaladora com “Oppenheimer” ao conquistar dois Oscars. Um novo domínio em tão curto período pode levar muitos votantes a preferirem uma alternativa.
Desta forma, prestigiar Martin McDonagh, cineasta e roteirista em alta, acumulando prestígio na Academia e que bateu na trave duas vezes com “Três Anúncios Para um Crime” e “Os Banshees de Inisherin”, seria uma ótima saída. A única estatueta do britânico veio em Melhor Curta-Metragem de Ficção com “O Revólver de Seis Tiros”, em 2006.
Também seria uma maneira prestigiar um cinema adulto, focado em uma grande história do que necessariamente na escala épica tanto de “A Odisseia” como de “A Bola Negra”. Para completar, “Cavalo Selvagem Nove” traz um lado politizado mais próximo dos dias atuais ao debater a intromissão dos EUA em assuntos internos de outros países a ponto de se aliar com criminosos para defender seus interesses. Isso em plena era Trump é de coragem enorme.
A BOLA NEGRA
“A Bola Negra” surge como o candidato internacional mais forte desde “Parasita” a brigar pela vitória em Melhor Filme. O longa espanhol não venceu a Palma de Ouro por detalhes, mas saiu consagrado de Cannes.
O musical épico dos Los Javis traz a pegada autoral que Hollywood espera de uma obra de fora dos EUA aliada à grandiosidade típica do país, além de contar com Glenn Close e Penélope Cruz, estrelas mundialmente conhecidas e que ajudam a fazer a ponte com o público do norte-americano.
A Netflix prepara um investimento altíssimo para a campanha de “A Bola Negra”, uma das mais altas já feitas pelo estúdio. O desejo de vencer o Oscar máximo é tanto que está disposta a segurar o lançamento no streaming para apostar em uma estreia de grandes proporções nos cinemas mundiais. A estratégia visa diminuir a resistência que já atrapalhou o sonho de “Roma”, outro longa internacional, a ganhar o prêmio.
Também é importante notar como a temporada atual está com inúmeras produções de temática LGBTQIAPN+. “A Bola Negra” lidera um time que ainda conta com “Elsinore”, “Club Kid” e “Coward”. Isso para não falar de “O Convite” que joga as inúmeras possibilidades de relacionamento hétero, homo, bissexual.
A distância de sete anos separando “Parasita” de uma possível conquista de “A Bola Negra” ainda colabora para uma vitória novamente de um filme internacional. Para votantes cansados de Nolan e não convencidos da força de McDonagh, a obra espanhola surge como candidato ideal para levar o Oscar 2027.
A ODISSEIA
Não tem como fugir de “A Odisseia” entre os favoritos. A superprodução da Universal Pictures virou fenômeno cultural ao lotar cinemas mundiais e chegar a US$ 1,7 bilhão ao redor do planeta. O épico tudo o que Hollywood preza com um elenco de estrelas, escala gigantesca, história emocionante, efeitos visuais espetaculares e ação do início ao fim.
O fato de Nolan conseguir aliar aclamação de crítica e público contribui para fazer a ponte da Academia com a audiência, fator sempre importante para o Oscar. Por fim, prestigiar a experiência das salas de cinema em detrimento do streaming conta pontos a favor do cineasta.
“A Odisseia” deve se beneficiar de ser o líder das indicações ao Oscar; improvável pensar que alguma outra produção o ultrapasse. Chega forte para ganhar Direção, Atriz Coadjuvante com Anne Hathaway, Casting e Roteiro Adaptado. Pode ainda sonhar com vitória em Melhor Ator para Matt Damon. Isso só nas categorias principais; as áreas técnicas podem virar um arrastão para o candidato da Universal Pictures.
A vitória de Nolan novamente pouco tempo após a consagração de “Oppenheimer” repetiria uma novela parecida de Steven Spielberg, o qual venceu duas estatuetas em curto intervalo de tempo com “A Lista de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan” em Melhor Direção. A Academia o consagrando novamente pode liberar o Oscar em futuras edições.
Neste momento da temporada, “A Bola Negra” e “A Odisseia” lideram a corrida para Melhor Filme com “Cavalo Selvagem Nove” correndo por fora.















