Caio Pimenta analisa a força do épico de Christopher Nolan para o Oscar 2027 e como A Odisseia pode superar Pecadores como filme mais indicado da história.
DOMÍNIO NAS ÁREAS TÉCNICAS
O épico do Christopher Nolan deve gabaritar todas as categorias técnicas. Será surpreendente se isso não acontecer.
O Ludwig Göransson já dispara como favorito para Melhor Trilha Sonora. Caso aconteça, ele chegará a quarta estatueta em quatro indicações.
Para se ter uma ideia, o mestre John Williams ganhou a categoria cinco vezes.
Simplesmente um fenômeno.
Premiados por “Oppenheimer”, Jennifer Lame e Hoyte van Hoytema estarão entre os indicados com boas chances de vitória.
A montadora consegue dar coesão e dinamismo à ambição narrativa de Nolan ao dosar tantas linhas narrativas, acontecimentos sem fazer o público ficar perdido.
Já o diretor de fotografia faz o impossível acontecer ao filmar o épico em IMAX 70 mm, conseguindo driblar qualquer tipo de limitações do equipamento para trazer tantos momentos gigantescos como mais intimistas.
A dobradinha Figurino e Direção de Arte, capaz de levar a Grécia Antiga para o público com uma riqueza de detalhes absurda, está certa no Oscar 2027.
Seja pelo Ciclope ou na sequência de Hades, “A Odisseia” estará presente em Melhores Efeitos Visuais.
Aqui, pode ser que chegue menos favorito por conta de “Devoradores de Estrelas” e “Duna 3”, candidatos fortíssimos ao prêmio.
Melhor Som e Maquiagem e Penteado são outras indicações certeiras para a Universal Pictures.
A grande dúvida nas categorias técnicas para “A Odisseia” fica em Canção Original. Composição de Ludwig Göransson, James Blake e Travis Scott, “When I’m Home” está no páreo.
O problema é notar que a música existe após toda aquela avalanche apresentada nas três horas de duração do filme. Também é necessário observar os critérios de elegibilidade adotados pela Academia para a categoria neste ano.
Além disso, os membros da Academia podem observar que Göransson já estará contemplado em Trilha Sonora, não precisando de mais uma indicação aqui.
Por outro lado, o sueco foi indicado também neste ano com “I Lied to You” e venceu Trilha. Fora que o épico poderá aparecer por osmose, ou seja, o que custa indicar mais uma vez o filme também em Canção Original?
- Melhor Direção de Fotografia
- Melhor Montagem
- Melhor Direção de Arte
- Melhor Trilha Sonora
- Melhores Efeitos Visuais
- Melhor Figurino
- Melhor Som
- Melhor Maquiagem e Penteado
- Melhor Canção Original
- Melhor Trilha Sonora
CASTING E NOLAN TRIPLAMENTE INDICADO
Também dá para colocar tranquilamente “A Odisseia” entre os cinco finalistas de Melhor Casting.
John Papsidera trabalha com Nolan desde “Amnésia” e já foi premiado pelo sindicato do setor duas vezes e ainda venceu um prêmio conjunto da obra.
Trata-se de uma lenda, responsável por revelar verdadeiras estrelas de Hollywood. Será indicado e deve ir como um dos favoritos.
Christopher Nolan já é nome certo para chegar a Melhor Roteiro Adaptado e sua coragem de condensar o denso poema de Homero em uma trama enxuta de três horas de duração, uma extensão quase espiritual de “Oppenheimer”.
Ser o maestro de um épico tão ambicioso certamente o fará ser indicado pela terceira vez no Oscar de Melhor Direção.
Por fim, precisa acontecer uma tragédia grega para “A Odisséia” ficar fora de Melhor Filme.
Chegamos, então, a 14 indicações.
11. Melhor Direção de Casting
12. Melhor Roteiro Adaptado
13. Melhor Direção
14. Melhor Filme
ATUAÇÕES GARANTIDAS
“A Odisseia” empata com “Pecadores” com duas indicações certeiras nas atuações.
Parece muito improvável Matt Damon ficar fora de Melhor Ator.
Vivendo Odisseu, o astro vai do herói corajoso e idealizador do cavalo de Tróia para a figura atormentada pela violência e rastro de morte. Isso se soma à entrega física impressionante do galã para ser o herói da adaptação de Homero.
A indicação servirá para trazer de volta um astro de Hollywood longe do Oscar da categoria desde “Perdido em Marte”.
Matt Damon pode sonhar com uma vitória, mas precisa lutar contra o hype que deve existir em torno de Tom Cruise caso “Digger” realmente se confirme como um dos grandes filmes da temporada. Ainda há John Malkovich com “Cavalo Selvagem Nove”.
Em um ano cheio de filmes, Anne Hathaway deve também aparecer sem maiores dificuldades em Melhor Atriz Coadjuvante.
A Penelope da estrela traz um tom feminista ao manter as rédeas do próprio destino e do reino de Ítaca à espera do marido. A sequência em que é cortejada por Robert Pattinson é o ponto alto da atuação.
Igual Damon, seria um retorno após mais de uma década longe do Oscar: a última indicação da novaiorquina aconteceu em 2013 ao vencer por “Os Miseráveis”.
Uma segunda estatueta não seria absurda visto que Melhor Atriz Coadjuvante não possui uma favorita de cara para a temporada.
Caso a Universal Pictures saiba trabalhar bem até para encerrar os estigmas de que Nolan não consegue desenvolver boas personagens femininas, vejo potencial para Anne Hathaway sair consagrada em 2027.
15. Melhor Ator – Matt Damon
16. Melhor Atriz Coadjuvante – Anne Hathaway
EM BUSCA DO RECORDE
O grande mistério é se “A Odisseia” avança para além de Damon e Hathaway em atuações. Considero que há duas possibilidades reais de indicações: John Leguizamo e Samantha Morton.
Ator querido da indústria e com participações em todos os tipos de filmes em Hollywood desde os anos 1980, Leguizamo nunca foi indicado ao Oscar.
“A Odisseia” chega com a possibilidade de reconhecer todos estes serviços prestados.
Interpretar uma figura de confiança dos protagonistas, aparecendo nas mais diversas fases da história com importância decisiva do início ao fim, o favorece também.
Claro que há uma disputa interna com Robert Pattinson, um antagonista sorrateiro de Odisseu e família.
O galã, porém, é o protagonista de “Primetime” e pode chegar a Melhor Ator. Se isso acontecer, a vaga de coadjuvante fica mais aberta para Leguizamo.
Tom Holland também não pode ser descartado pelo personagem de destaque, mas seria um exagero visto que nitidamente o atual Homem-Aranha é o ponto fraco do elenco.
Certamente haveria muitas críticas uma possível indicação dele.
Em Atriz Coadjuvante, vejo uma menor polêmica: Zendaya, Charlize Theron e Lupita Nyong´o aparecem muito pouco para conseguirem um destaque suficiente para reivindicarem a vaga.
Do trio, apenas a estrela de “Euphoria” poderia sonhar, muito mais pelo grande ano e nunca ter sido indicado anteriormente.
Samantha Morton, porém, está na frente de todas elas. A britânica aparece tão pouco quanto o trio de estrelas, mas o impacto da aparição da bruxa Circe não sai da cabeça do público.
A crítica e o público exaltaram a atuação dela e deve ter muito barulho para vê-la entre as finalistas.
Pesa a favor o fato de não ser indicada há mais de duas décadas.
Se tudo der certo, “A Odisseia” consegue 18 indicações ao Oscar 2027, tornando-se praticamente imbatível para futuras produções.
17. Melhor Ator Coadjuvante – John Leguizamo
18. Melhor Atriz Coadjuvante – Samantha Morton























