Caio Pimenta analisa os candidatos mais fortes e fracos na corrida pelo Oscar 2025 de Melhor Ator Coadjuvante.
PANORAMA HISTÓRICO
O Globo de Ouro e o Critics Choice Awards buscam cada vez mais se consolidar como termômetros precisos para o Oscar. A própria elevação para seis indicados mostra o intuito de prever quem serão os finalistas na Academia, e essa medida vem se mostrando relativamente bem-sucedida.
Em Ator Coadjuvante, por exemplo, o Critics Choice acertou todos os finalistas do Oscar em quatro das últimas cinco edições. O Globo de Ouro teve menos sucesso: acertou apenas em 2020. De lá para cá, a média tem sido de três acertos dos cinco indicados. O maior número veio justamente em 2024, quando o evento previu quatro finalistas, mas, naquele ano, a categoria teve seis indicados.
Já os prêmios da crítica servem mais para apontar favoritos, afinal, quase sempre os vencedores estão entre os finalistas. No National Board of Review, somente Will Forte, por Nebraska, venceu, mas não concorreu ao Oscar nos últimos 10 anos.
Entre os críticos de Nova York, a exceção foi Charles Melton, neste ano, por Segredos de um Escândalo. Já os críticos de Los Angeles, que são mais independentes, já premiaram cinco atores que não chegaram ao Oscar.
Diante desse cenário, não aparecer em absolutamente nada deixa as chances de indicação praticamente nulas.
Somente Jonah Hill, de O Lobo de Wall Street, Christian Bale, por A Grande Aposta, Woody Harrelson, de Três Anúncios para um Crime, e Jesse Plemons, por Ataque dos Cães, conseguiram o milagre.
POUCAS CHANCES
Para o Oscar 2025, cinco nomes estão muito perto de darem adeus à corrida.
De The Fire Inside, Brian Tyree Henry dificilmente verá o raio cair duas vezes no mesmo lugar, depois de arrancar uma indicação improvável com Passagem. Já Adam Pearson tem pouco tempo de tela com Um Homem Diferente, uma dramédia que está em segundo plano na temporada.
Peter Sarsgaard e John Magaro só seriam indicados se Setembro 5 se provar uma surpresa completa da temporada. O lançamento tardio de Nosferatu pode prejudicar as chances de Bill Skarsgård.
Por fim, Stanley Tucci até está em um filme forte da temporada, mas não consegue se sobressair totalmente entre os demais coadjuvantes de Conclave. As sucessivas esnobadas provam isso.
BOAS CHANCES
Dois nomes ficaram no meio do caminho, com indicações ou ao Globo de Ouro ou ao Critics Choice Awards. Ambos vão precisar de tropeços dos favoritos que emplacaram indicações em ambas as premiações para chegarem lá.
Clarence Maclin pode se animar mais do que Jeremy Strong. O destaque de Sing Sing foi indicado ao Critics Choice, que tem acertado mais os finalistas do Oscar do que o Globo de Ouro, onde concorre o ator de O Aprendiz.
Ganhador do Gotham Awards e indicado ao Spirit, Maclin traz uma narrativa poderosa, interpretando uma versão de si mesmo com a dura passagem pela cadeia e a volta por cima através da arte, algo muito chamativo para os votantes da Academia e bem mais palatável do que uma das figuras mais controversas da história recente dos EUA. Além disso, Sing Sing conta com o apoio da forte A24 e tem mais chances do que O Aprendiz, que é distribuído pela pequena Briarcliff Entertainment.
A favor de Jeremy Strong, há o prestígio crescente dele na indústria, após o sucesso de Succession, e a própria construção do personagem, que vai do poder absoluto à ruína do final da vida. É uma atuação excelente que pode ser resgatada pelos seus pares.
FAVORITOS ÀS INDICAÇÕES
Agora, vamos aos favoritos às indicações: todos foram indicados ao Globo de Ouro e ao Critics Choice. Isso, entretanto, não significa que todos estarão no Oscar. Já houve casos em que aparecer nas duas premiações não garantiu a vaga.
Daniel Brühl, de Rush, Michael Shannon, de 99 Casas, Armie Hammer, por Me Chame Pelo Seu Nome, Timothée Chalamet, por Querido Menino, Bill Murray, de On the Rocks, Jamie Dornan, de Belfast, e Charles Melton, por Segredos de um Escândalo, saíram da felicidade para a tristeza.
A boa notícia é que somente em 2016 as divergências entre as listas do Globo de Ouro, Critics Choice e o Oscar atingiram dois nomes. De resto, a mudança foi apenas de um candidato. Logo, dá para afirmar que esses cinco nomes estão muito bem, obrigado.
Edward Norton, por Um Completo Desconhecido, Denzel Washington, de Gladiador 2, e Guy Pearce, por O Brutalista, aparecem fortes.
Yura Borisov subiu bem com Anora: para além do Globo de Ouro e Critics, o russo foi considerado um dos coadjuvantes do ano entre os críticos de Los Angeles e foi indicado tanto ao Gotham quanto ao Spirit.
E Kieran Culkin surge como favorito ao Oscar: gabaritou nos prêmios televisionados e ganhou tanto o National Board of Review quanto entre os críticos de Nova York e Los Angeles.
Chama a atenção que, em temporadas dominadas por um candidato de forma incontestável, eles venceram tanto os críticos de Nova York quanto os de Los Angeles. Foram os casos de Jared Leto, por Clube de Compras Dallas, J.K. Simmons, de Whiplash, Mahershala Ali em Moonlight e Ke Huy Quan, de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo.
SE AS INDICAÇÕES FOSSEM HOJE, OS FINALISTAS SERIAM:
- Kieran Culkin, por A Verdadeira Dor
- Edward Norton, por Um Completo Desconhecido
- Guy Pearce, por O Brutalista
- Yura Borisov, por Anora
- Clarence Maclin, por Sing Sing
Ainda que tenha todo o prestígio, acredito que Denzel Washington fique de fora por conta do filme. Afinal, Gladiador 2 está abaixo de todas as obras dos seus concorrentes.



















