De “Marte Um” a “Nada de Novo no Front”, Caio Pimenta apresenta as principais apostas para o Oscar 2023 de Melhor Filme Internacional.
CORRENDO POR FORA

Dois países tradicionais no Oscar e muito querido por cinéfilos mundo afora não devem ir longe na próxima edição.
Com 14 estatuetas, a Itália assistirá a festa da Academia pela TV em 2023. O país tem como representante “Nostalgia”, dirigido pelo Mario Martone. Lançado em Cannes, o longa não chamou a atenção da imprensa no festival e passou longe de convencer fora do circuito italiano. Se chegar ao Oscar, será mais pelo peso da Itália do que qualquer outra coisa.
Atual vencedor da categoria, o Japão escolheu “Plano 75”. A obra também estreou em Cannes na Mostra Um Certo Olhar, recebendo uma menção honrosa. Mesmo assim, parece uma aposta muito distante de sequer passar perto do que “Drive My Car”.
A Macedônia do Norte surpreendeu todo mundo quando “Honeyland” obteve duas indicações em Melhor Filme Internacional e Documentário. O pequeno país asiático tem a esperança de retornar com “O Homem Mais Feliz do Mundo”. Pode até surgir na shortlist, mas, pegar indicação será um milagre.
Candidato do Camboja, “Return to Seoul” pode subir na corrida e ser uma surpresa. Isso porque a produção tem distribuição nos EUA da Sony Pictures Classic. Quem sabe o longa não repete o feito de “A Imagem que Falta” e leve o país de volta ao Oscar?
O venezuelano “The Box” joga com o prestígio do Lorenzo Viegas, diretor ganhador do Leão de Ouro com “De Longe, Te Observo”, para, pelo menos, estar na shortlist. É onde deseja estar o nosso “Marte Um”. A aposta é que a história familiar e a própria qualidade do longa possam convencer a Academia, mas, a falta de uma campanha mais pesada até por conta dos altos custos complicam a situação do Brasil na temporada de premiações.
CHANCES MÉDIAS

A guerra dos nossos tempos pode influenciar no Oscar 2023.
“Klondike” representa a Ucrânia na corrida por uma vaga em Melhor Filme Internacional. Somente a ousadia de fazer um filme durante o início do conflito em uma área crítica como a fronteira com a Rússia já coloca a produção no radar de muitos votantes.
Premiado em Berlim, Sarajevo, Santiago, Seattle e Sundance, a obra pode servir como um aceno de Hollywood de apoio à Ucrânia.
De forma surpreendente, a Bolívia pode chegar longe no Oscar com “Utama”. O projeto dirigido pelo Alejandro Grizi soma 22 prêmios ao redor do planeta, incluindo, vitórias em Sundance. Se chegar à shortlist, já será uma vitória enorme para os nossos hermanos.
O espanhol “Alcarrás” chega na briga com a credencial de ter vencido o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim. Está próximo da shortlist, porém, ainda não sinto confiança de que possa chegar entre os cinco finalistas. Situação semelhante do sueco “Boy from Heaven”, vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Cannes.
CHANCES GRANDES

Agora, o negócio começa a ficar pesado: candidatos de países tradicionais apoiados por nomes conhecidos e grandes estúdios vão travar um duelo intenso para conseguirem indicações.
A Netflix, por exemplo, apostará as fichas no mexicano “Bardo”. O então favoritaço da categoria por conta da força de Alejandro González Iñarritu na Academia ruiu após o fiasco em Veneza. A produção reagiu nos festivais na América do Norte, mas, ainda há grandes incertezas sobre ela. A tendência é que deva ficar entre os cinco finalistas, mas, vencer, pelo menos agora, soa improvável.
Já a Amazon aposta em “Argentina, 1985” com Ricardo Darín. Premiado em Veneza pela crítica especializada, o filme, se não arrebatou totalmente, mantém uma consistência e não possui maiores rejeições. A força da história e a recriação precisa da época são elementos sempre bem-vistos pela Academia. Não fosse a forte concorrência da atual temporada já daria para cravá-lo entre os indicados.
Com nove estatuetas, a França busca chegar à décima com “Saint Omer”. A produção da diretora estreante Alice Diop venceu três prêmios no Festival de Veneza, incluindo, o Leão de Prata. Também está nomeado no Gotham Awards de Melhor Filme Internacional. Ser selecionado de uma seletiva tão forte como a francesa sempre despertar a atenção dos votantes da Academia e a produção vem crescendo nas últimas semanas. Deve figurar na shortlist e tem muita condição para estar entre os cinco finalistas.
A Dinamarca é outro país forte com “Holy Spider”, uma das produções mais elogiadas do Festival de Cannes. Os recentes protestos feministas no Irã casa com a temática de violência de uma cultura machista no país presente no longa, o que pode aumentar a força da produção. Caso cresça, é possível surpreender para além de Filme Internacional, chegando, pelo menos, a Roteiro Original.
Completam o time de grandes chances o “EO”, da sempre forte Polônia, e “Corsage”, da Áustria.
VAGAS GARANTIDAS

Neste momento, acredito que três filmes estão com vagas garantidas na categoria dos internacionais.
O primeiro deles é a nova versão de “Sem Novidade no Front”. Além de ser um filme de guerra, gênero adorado pela Academia, o candidato alemão chega como a grande aposta e investimento da Netflix para esta e outras categorias, ultrapassando a preferência que deveria ser de “Bardo”. A ótima recepção no Festival de Toronto consolidou o drama do Edward Berger como um dos frontrunners.
Consagrado em Cannes com o grande prêmio do júri, o belga “Close” surge também como um nome certo. A delicada história de uma amizade infantil destroçada pelos preconceitos cativa público e crítica por onde passa. A produção conta com o apoio da A24 nos EUA para chegar à nomeação e coloca definitivamente em evidência o ótimo diretor Lukas Dhont.
Falando em grandes cineastas, claro que o Park Chan-Wook não pode ficar de fora com “Decision to Leave”. Outro sucesso da safra de Cannes, onde o cineasta venceu o prêmio de Melhor Direção, a produção se apoia na força da Coreia do Sul, ganhadora do Oscar com “Parasita” e, mais recentemente, do Emmy com “Round 6”. Caberá à MUBI levar uma das obras mais elogiadas do ano ao Oscar 2023.
Se tivesse que apostar hoje, considero que os cinco indicados serão:
- Sem Novidade no Front (Alemanha)
- Close (Bélgica)
- Decision to Leave (Coreia do Sul)
- Holy Spider (Dinamarca)
- Bardo (México)











