Das corridas de atuação no Oscar 2025, Melhor Ator Coadjuvante é mais incerta.   

Nenhum favorito se apresentou ao posto e as possibilidades disponíveis não trazem narrativas tão poderosas e incontestáveis assim.  

Logo, as chances de surpresas são grandes e, quem sabe, com muita boa vontade, um astro brasileiro não surja no radar.

De Selton Mello a Guy Pearce, Caio Pimenta aponta os principais candidatos ao Oscar 2025 de Melhor Ator Coadjuvante.

CORRENDO POR FORA

Veteranos do cinema correm bem por fora nesta temporada. 

Depois da primeira indicação da carreira por “Dor e Glória”, o Antonio Banderas precisa de um milagre para chegar com “Babygirl”, thriller dominado pela Nicole Kidman.

Já o Willem Dafoe se apresenta com “Nosferatu”, porém, o histórico do terror na categoria não é nada bom: a última vez foi com ele mesmo em 2001 com “A Sombra do Vampiro”. 

O Samuel L. Jackson já desponta como uma das decepções do ano. Afinal, quando anunciaram “A Lição de Piano”, era esperado que o astro chegasse forte até pela experiência dele com o texto na Broadway. Infelizmente, as críticas apontam que o astro está em segundo plano no filme da Netflix, logo, dificilmente será lembrado pela Academia. Para complicar, o Ray Fisher, o Ciborgue da DC, pelo mesmo filme ainda aparece um pouquinho na frente dele. 

Já o John Lithgow tem a concorrência do Stanley Tucci, companheiro dele de elenco em “Conclave” e bem mais cotado para ficar com a vaga. Caso semelhante enfrentam o Paul Raci e Pedro Pascal: indicado em 2021 por “O Som do Silêncio”, o ator duela contra o Clarence Maclin em “Sing Sing” e deve perder a preferência. Já a estrela chilena de “The Last of Us” sonha com o fortalecimento de “Gladiador 2” na temporada para não ser eclipsado pelo Denzel Washington.  

O Josh O’Connor e Mark Feist vão além da disputa pela Zendaya, mas, também pela busca de uma vaga em Ator Coadjuvante. Ambos estão excelentes, mas, será justo priorizar um em detrimento do outro? Com “Rivais” longe de ser um candidato forte na temporada, uma indicação dupla parece improvável. A tendência mesmo é que fiquem de fora. 

Depois de brilhar como Elvis Presley, o Austin Butler se transforma totalmente como o vilão de “Duna 2”. Da caracterização completa à insanidade do personagem, o jovem ator consegue realmente criar um clima de incerteza toda vez que surge em cena. O dilema será fazer a ficção científica do Denis Villeneuve ser vista para além das óbvias categorias técnicas. Corre por fora neste momento. 

Completo o time de azarões com o Wagner Moura por “Guerra Civil”. O baiano está excelente como o jornalista de poucos escrúpulos para conseguir a notícia da vida, deixando a ética e a moral em segundo plano. Não vejo praticamente nenhuma chance, ainda assim tê-lo na discussão já é algo bem legal. Pode ser o início de uma jornada bem-sucedida mirando o futuro. 

PODE SURPREENDER

A turma que pode surpreender na categoria abre com o ganhador de duas estatuetas. 

Lenda do cinema americano, o Denzel Washington estreia nos épicos romanos com “Gladiador 2”. A presença de um ator negro em um papel de poder representa uma quebra de paradigma rara em uma obra do gênero. Fora que a indicação poderia redimir a Academia da esnobada injusta ao ator na parceria dele com o Ridley Scott em “O Gângster”. 

Consagrado em “Succession”, o Jeremy Strong busca a primeira indicação ao Oscar com “O Aprendiz”. O ator interpreta Roy Cohn, mentor de Donald Trump e conhecido pelo estilo cruel de lidar com seu trabalho. O grande empecilho para ele será o investimento de campanha, afinal, a Briarcliff Entertainment está longe de ser uma Warner, Netflix ou Neon. Complicado para ele. 

Como já disse, o Clarence Maclin é nome mais forte do elenco coadjuvante de “Sing Sing”. O drama marca a estreia dele como ator em um papel que traz muito da própria: ele foi condenado a 17 anos de prisão por roubo e se reabilitou graças a um programa de artes na prisão. Esta trajetória pode ser reconhecida como um exemplo do poder que a cultura tem na vida das pessoas, narrativa que agradaria em cheio à Academia. 

Citei o Gabriel LaBelle em Melhor Ator e o coloco aqui novamente por “Saturday Night”. A conta é simples: em filmes de grandes elencos, fica muitas vezes difícil definir o protagonista. Logo, acaba sendo mais justo prestigiar aquele de maior destaque em coadjuvante. Na categoria, isso já ocorreu com o Burt Reynolds, de “Boogie Nights”, e Leslie Odom Jr., de “Uma Noite em Miami”.  

O Brian Tyree Henry chama a atenção desde o monólogo brilhante de “Se a Rua Beale Falasse”. Não demorou muito e conseguiu ser indicado por “Passagem”, drama que naufragou na temporada de 2023. O ator buscará repetir o feito com “The Fire Inside”, drama de boxe da Rachel Morrison na direção que obteve elogios modestos nos festivais do segundo semestre. Ele, entretanto, saiu muito prestigiado pela crítica e pode chegar entre os finalistas. 

Se “Anora” é o filme do momento, dá para os russos Yura Borisov e Mark Eydelshteyn. Seria a primeira indicação de atores nascidos no país desde o fim da União Soviética. Observo como apostas improváveis da Academia, dependentes demais do hype em torno do longa do Sean Baker. Dos dois, o Borisov tem um pouco mais de possibilidades de ficar entre os finalistas. 

E por que não acreditar no Selton Mello? Com o crescimento de “Ainda Estou Aqui” nas últimas semanas, o mineiro começou a ser especulado com mais força pela imprensa norte-americana. Não à toa está comparecendo em todos os eventos e festivais possíveis.   

Pelo fato da trama ter o personagem dele como ponto de partida e tudo girar ao redor da busca desta figura paterna e do marido, a lembrança dele ao longo do filme é sempre vívida. Considero o Selton uma possibilidade de surpresa no momento, mas, com tendência de alta. 

 GRANDES CHANCES

Para abrir o time dos candidatos com grandes chances, tem o Edward Norton: em “A Complete Unknown”, ele interpreta o Pete Seeger, integrante da banda folk The Weavers e ídolo do Bob Dylan e do Bruce Springsteen. Nem preciso dizer que a Academia adora premiar interpretações de grandes nomes da música e da cultura pop. Isso se soma ao fato do astro, apesar da fama de difícil, ser muito prestigiado pelos seus pares e ainda não ter um Oscar; são apenas três indicações, sendo duas nos anos 1990 e a recente de “Birdman”. Logo, poderia ser juntar a fome com a vontade de comer. 

O Stanley Tucci passa pelo mesmo dilema: famoso pau para toda obra da indústria, o ator tem uma única indicação por “Um Olhar do Paraíso”, a qual foi bastante contestada, diga-se. “Conclave” aparece não apenas como a possibilidade de uma nova participação no Oscar como a oportunidade para premiá-lo. Mas, com Ralph Fiennes favorito em Melhor Ator, será que a Academia repetiria a dobradinha do mesmo filme ganhar as duas categorias como aconteceu em 2024 com Cillian Murphy e Robert Downey Jr, ambos de “Oppenheimer”? Improvável… 

O John Magaro e Peter Sarsgaard estão na busca pelas primeiras indicações da carreira com “September 5”. O suspense sobre uma equipe de jornalismo esportivo cobrindo o sequestro de atletas de Israel durante os Jogos Olímpicos de 1972 está crescendo ao longo da temporada e pode ser uma surpresa de modo geral. A dupla seria o mais próximo que podemos ter de um mesmo filme com duas indicações na categoria, algo comum nos últimos anos, e ainda mais atores discretos, mas, muito prestigiados pelos pares. 

Em um Oscar que deve ter como marca o fator da inclusão, o Adam Pearson seria uma escolha perfeita para ser finalista de Ator Coadjuvante por “A Different Man”. A ótima dobradinha com o Sebastian Stan impulsiona o talento do londrino na história sobre um homem que passa por uma reconstrução facial e conhece o ator que vai interpretá-lo no teatro.  

Mais um grande nome em busca da primeira indicação é o John Turturro: parece incrível que já não tenha rolado a nomeação com “Barton Fink” ou “Quiz Show”, mas, agora, aparece a oportunidade novamente com “O Quarto ao Lado”. No drama do Pedro Almodóvar, ele faz o ex-namorado das personagens da Tilda Swinton e Julianne Moore em momentos distintos e aproveitando ao máximo os diálogos do espanhol. 

 VAGAS GARANTIDAS

Chegamos, então, aos dois que estão com vagas garantidas em Ator Coadjuvante. O primeiro deles vem, veja só, de “Succession”.  

Apesar do Jesse Eisenberg ter os holofotes virados para ele em “A Verdadeira Dor” na direção e na atuação, é o Kieran Culkin quem está roubando toda a atenção da crítica. Como um sujeito hipersensível e que não consegue deixar de falar o que pensa, ele cria uma figura fascinante e capaz de encher a tela a cada instante. 

O Kieran é aquele cara em um momento indiscutível de alta, especialmente, pela maneira como foi crescendo na série da família Roy. Pode ser uma vitória à la Daniel Kaluuya, Mahershala Ali de um ator vivendo uma grande fase, ganhando um reconhecimento da Academia. Por outro, a indicação pode ser encarada como suficiente para colocá-lo definitivamente no radar do Oscar. 

Já o Guy Pearce será o representante de “O Brutalista”, o filme que desponta para ser o favorito do Oscar 2025. A indicação por si só é especial, afinal, seria a primeira da carreira dele. O britânico é aquele caso curioso de um ator que esteve em importantes filmes – “Los Angeles – Cidade Proibida”, “Amnésia”, “Guerra ao Terror” -, mas, que nunca chegou a ser considerado um grande ator tanto pela crítica quanto pelos cinéfilos. O drama do Brady Corbet chega como esta espécie de redenção e reconhecimento da indústria. Lembraria conquistas de Sam Rockwell, Tim Robbins e Jared Leto, todos vencedores na primeira indicação.  

SE AS INDICAÇÕES FOSSEM HOJE, OS FINALISTAS SERIAM…

  • Guy Pearce, de “O Brutalista”
  • Kieran Culkin, de “A Verdadeira Dor”
  • Stanley Tucci, por “Conclave”
  • Edward Norton, por “A Complete Unknown”
  • Adam Pearson, por “A Different Man”